Água na tocha é ato contra a farra olímpica

A tocha olímpica tem sido alvo de manifestações populares por onde tem passado no Brasil. As tentativas de apagá-la — que antes seriam gestos isolados de algumas pessoas ou até mesmo brincadeiras — rapidamente ganharam a simpatia de milhares de brasileiros que manifestaram apoio e/ou organizaram eventos e manifestações no intuito de apagá-la. Tais atos não se tratam de um rechaço ao “espírito esportivo”, mas sim à realização de tal megaevento, que foi garantido às custas do sofrimento do povo. Além das tentativas com baldes d’água, extintores etc., manifestações foram realizadas. E o povo levantou suas palavras de ordem: ‘Queremos saúde, educação, transporte e direitos!’.

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Em 13 de julho, um homem foi detido ao tentar apagar a tocha olímpica com um extintor enquanto ela passava pela Avenida Beira-Rio, em Joinville (SC). Seis dias antes, dia 7 de julho, pelo menos duas pessoas tentaram jogar água na tocha durante sua passagem por Porto Alegre (RS). As tentativas ocorreram na Rua José Bonifácio e na Avenida João Pessoa. Outras tentativas foram realizadas na passagem da tocha em outros estados durante o mês de julho e no fim de junho, como em Maracaju (MS) e Cuiabá (MT). Em Maringá e Cascavel (PR), duas pessoas foram presas. Uma delas foi Daniel Ferreira, que ficou dois dias preso.

Nas chamadas “redes sociais” têm surgido eventos como o Vamos apagar a tocha no Rio, que já conta com milhares de adesões. Na descrição do evento, lê-se: “Em meio à bagunça que os governantes transformaram o Rio de Janeiro qualquer forma de protesto é válida [...] Contra essa roubalheira, contra as desocupações, contra o caos na saúde, contra o caos na educação”. E continua: “Aqueles que apagarem essa tocha irão representar cada um de nós, milhares de brasileiros insatisfeitos com todo esse descaso! Tragam suas bexigas, pistolas d’água, baldes, drones com copos d’água, etc.”.

Em 14 de julho, dia em que concluímos esta edição de AND, manifestações estavam marcadas para acontecer em Curitiba (PR).

A repercussão desses acontecimentos ultrapassou as fronteiras e a farra olímpica já é vista pelos povos de outros países como um atentado à democracia, com as remoções de favelas, gastos do dinheiro público, investimentos astronômicos em “segurança” (leia-se, segurança para os monopólios que vão lucrar com o megaevento) etc. Um vídeo publicado pelo canal Vox, no YouTube, intitulado 2016 Olympics: What Rio doesn’t want the world to see (Olimpíadas 2016: O que o Rio não quer que o mundo veja, em tradução livre), em apenas duas semanas ultrapassou 2 milhões e 500 mil visualizações.

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As manifestações contra a Olimpíada e as tentativas de apagar a tocha realmente têm surtido efeito, gerando, inclusive, reações dos papagaios do monopólio da imprensa e de algumas “autoridades”, que tentam amedrontar as pessoas afirmando que apagar a tocha seria um “crime” e que quem tentar cometê-lo sofrerá duras represálias, além de outras anedotas mais. No Rio de Janeiro — em estado de calamidade, sem hospitais e com a educação e os transportes em frangalhos —, pichações nas ruas, cartazes, manifestações de professores em greve e estudantes, além de outras categorias de servidores, têm levantado a palavra de ordem: Não vai ter tocha!

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