Servidores públicos rechaçam a farra olímpica no Rio

Em 6 de julho, milhares de estudantes, professores em greve e funcionários de diversos setores do funcionalismo público tomaram as ruas do Centro do Rio de Janeiro num ato unificado em defesa da educação, que também criticou os gastos públicos com a farra olímpica, que será realizada na cidade no mês de agosto.

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Juventude combatente que ocupou dezenas de escolas é a linha de frente das manifestações no Rio de Janeiro

A manifestação, uma das maiores dos últimos meses na capital fluminense, teve concentração na Candelária, de onde saiu rumo à prefeitura, na Cidade Nova, com faixas, cartazes, bandeiras e palavras de ordem contra os cortes de direitos e os desmandos das gerências municipal e estadual de Eduardo Paes/Pezão/Dornelles, e da gerência federal de Michel Temer. Os manifestantes denunciaram os crimes contra o povo cometidos em nome das olimpíadas pelos gerenciamentos do PT/Pecedobê/PMDB/etc. e mantiveram elevadas as bandeiras de denúncia das perseguições, prisões e processos dos 23 ativistas do Rio de Janeiro contra a Copa da FIFA e contra o aparato de vigilância e repressão montado por Dilma/Temer/Paes/Pezão/Dornelles para o megaevento olímpico.

— Remoções, repressão, prisões e gastos astronômicos do dinheiro público. Esse é o legado olímpico — disse o estudante Vítor Alcântara.

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A reportagem de AND acompanhou toda a manifestação e conversou com professores grevistas, que explicaram os motivos de seu protesto e reafirmaram a disposição de luta por uma educação pública, gratuita e de qualidade para a população.

— Nós estamos em greve há quatro meses na tentativa de frear a ofensiva do Estado contra os trabalhadores da educação. Por conta de uma opção política dos gerentes do Estado de privilegiar os megaeventos, nós estamos passando por uma situação de falta de tudo nas escolas, desde o papel higiênico até a possibilidade de imprimir uma prova semestral para dar conta do calendário letivo. Nós estamos há dois anos sem reajuste e com a iminência de um projeto de lei do próprio governo para atacar a nossa previdência e também congelar os nossos salários. Justamente essa é a medida que eles construíram para dar conta da crise, que não somos nós, os trabalhadores, que criamos — contesta Bruno Salgado, professor de Filosofia da rede estadual.

 — A nossa greve é legítima, ela continua até o governo atender as nossas pautas. Estamos na luta juntos com os funcionários e alunos para defender a escola pública, ou pelo menos aquilo que restou dela por conta dos ataques dos governos anteriores — afirma Bruno.

A Juventude Combatente conformou um grande bloco. Com os rostos cobertos, fizeram combativa agitação entoando canções e palavras de ordem contra a farra olímpica, contra a farsa eleitoral e o oportunismo eleitoreiro.

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Quando a manifestação caminhava pela Avenida Presidente Vargas, jovens queimaram uma bandeira da AERJ (Associação dos Estudantes do Rio de Janeiro), entidade oportunista dirigida por burocratas que se dizem “representantes dos estudantes”.

Em 14 de julho, durante um novo protesto no Maracanã, professores enfrentaram a polícia e impediram a prisão de estudantes.  Nessa data, a categoria aprovou, em assembleia,  a continuidade da greve.

Confronto no fim de junho

No dia 29 de junho, professores e estudantes saíram em manifestação da Cidade Nova até o Tribunal de Justiça (TJ), próximo à Praça XV, no Centro do Rio. Quando os manifestantes chegaram em frente ao TJ, eles se depararam com um grupelho fascista caricaturesco que pedia “intervenção militar”. Sem deixar sua marcha interromper, os manifestantes avançaram e repeliram os aspirantes a “galinhas verdes”. A polícia protegeu os fascistoides lançando bombas contra os trabalhadores e estudantes que não recuaram e resistiram. Algumas pessoas ficaram feridas com as cacetadas e os sprays de pimenta lançados pelos PMs. Os manifestantes cercaram os agentes de repressão e os pressionaram para libertarem um jovem, que foi solto graças a pressão popular.

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