‘Golpe de Estado’ e pugna entre facções

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Turquia: acirram-se as disputas internas e externas

Logo após o fechamento da edição nº 173 de AND, veio a público o “intento” de golpe militar de Estado na Turquia contra o gerente de turno fascista Erdogan.

Tratamos agora de tomar posição ante este importante tema. Para tanto, reproduzimos a adaptação da nota publicada pela Redação da Associação de Nova Democracia Nuevo Peru (Hamburgo, Alemanha) sobre o tema. A nota, juntamente com o comunicado anexo da ‘Construção Revolucionária’ (Áustria), pode ser lida na íntegra no Blog da Redação do AND.

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Nesta situação que se desenvolve na Turquia há que tomar as contradições internas como as determinantes, neste caso, a luta entre as duas facções da grande burguesia ali e seus grupos.

E, para as questões que estão em dúvida ou em aberto, é importante assinalar a intervenção estrangeira que se dá no país, pese todo o palavreado “nacionalista” de Erdogan.

Em um país semicolonial como a Turquia, como nos ensina o Presidente Mao, as facções das classes dominantes nativas se dividem em diversos grupos que servem a diferentes amos imperialistas, sempre por trás deles está a intervenção do imperialismo, neste caso, principalmente do imperialismo ianque, do qual depende principalmente este país, e como superpotência hegemônica única, em conluio e pugna com a outra superpotência atômica Rússia, e os demais países imperialistas que disputam o Oriente Médio e como parte importante deste região: Turquia.

Ver que o Oriente Médio é de importância vital para o domínio mundial do imperialismo ianque, e dentro dele a Turquia tem uma grande importância estratégica, que vai aumentando.

Para não especular sobre quem está por trás de Erdogan ou dos “golpistas”, temos que estar atentos aos últimos acontecimentos, como por exemplo: a última citação da OTAN no começo do mês passado, onde definiram como ajustar o cerco contra a Rússia; logo há que ter em conta as declarações do ministro de relações exteriores da Alemanha, antes e depois dessa importante reunião da OTAN, oportunidade onde disse claramente que nas relações internacionais as coisas mudaram e que a responsabilidade da Alemanha de intervir agora é maior e que já não é a época das alianças (imperialistas) em base de princípios (se refere expressamente aos chamados valores ocidentais de liberdade, …, etc.), senão de uma política exterior baseada em redes de interesses e alianças concordantes com ela [Alemanha]. Também antes e depois disse que se deveria ter cuidado com esse “deslocamento de forças da OTAN” [deslocamentos estes noticiados em AND 171] porque poderia ter reações inesperadas da Rússia, etc.

Não esquecer que este mesmo ministro Stanmayar escreveu uma longa lista, desde 2003, dos desacordos com a política exterior ianque, especialmente com as guerras contra Iraque e a intervenção através da OTAN em Líbia, etc.

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Nestes dias, também, o Ministério de Defesa da Alemanha deu a conhecer o novo “Livro Branco da Defesa”, onde, entre outras coisas, disse que a situação internacional mudou muito nos últimos dez anos, (desde 2006) em que se deu a conhecer o anterior “Livro Branco”. Agregou que há novas retas que tem que afrontar o país e que este não pode esquivar-se de seus compromissos.

Então fica claro que Alemanha está apontando a fazer pesar mais sua força econômica — que é cada dia maior — a nível internacional para avançar a disputa pela hegemonia mundial, jogando em perspectiva a balancear suas ainda limitadas capacidades militares, mas em expansão, especulando com uma aproximação à superpotência atômica Rússia, mantendo sempre o duplo jogo que caracteriza sua política externa desde depois da Segunda Guerra Mundial.

Este ministro alemão fez alusão de que desde 2014, [a Alemanha] conjuntamente com a França, intervêm no Iraque sem pedir permissão aos imperialistas ianques, que eles [alemães] juntos com França provêm armas e treinamentos aos curdos do Iraque contra o ISIS sem pedir permissão a Washington.

Cada vez é maior o apoio da Chanceler alemã Merkel a Erdogan, recordemos todo o tratamento dado pelas autoridades alemãs ao governo turco em relação à “crise dos refugiados”.

Além disso, recordar que demonstrativamente, no intervalo entre esta citação da OTAN e a tentativa falha de “golpe de estado”, ocorreu a visita do governo turco a Putin em uma clara aproximação de posições na região do Oriente Médio, e logo o ministro de relações exteriores da Turquia saiu a declarar sobre uma etapa de boas relações com a Síria e com governo de Bashar Al Assad ou algo do tipo, tudo isso a um escasso tempo do “golpe”.

Repetimos, ver que tudo isto sucede numa zona chave para o domínio mundial do imperialismo ianque, no Oriente Médio. Então, caso se tenha em consideração tudo isto, se pode ver com grande clareza a possibilidade de quem está por trás desses últimos acontecimentos.

Sobre a má planificação da tentativa de golpe e as poucas forças implicadas no primeiro momento, o caráter duvidoso desta tentativa fracassada de “golpe”, pode deixar entrever também que pode ser algo como uma advertência ou um avanço a Erdogan da parte de seu amo imperialista ianque e a quem quer pôr a prova seu poder no Oriente Médio. É como um ensaio montado para dar a conhecer o que poderia vir. Isto é, estão decididos [os ianques] a defendê-la [a semicolônia turca] com tudo. Como disse o Presidente Gonzalo, há países e regiões que o imperialismo ianque não vai deixar arrebatar assim ‘sem mais’, defenderá com unhas e dentes. Bom, tudo isso são só os desígnios imperialistas contra os povos, contra a revolução no mundo.

Para nós o mais importante é o que corresponde fazer os revolucionários nesta situação, que resumimos:

Tudo o que nos mostra o desenvolvimento desigual da situação revolucionária neste país, nesta região do mundo e no mundo inteiro. Assim comprovamos uma vez mais como se estão agudizando todas as contradições no mundo atual, e que a contradição principal entre os países oprimidos, por um lado, e as potências e superpotências imperialistas, pelo outro, é, pois, a principal. E que a contenda imperialista por estes países se agudiza (terceira contradição) e que, por isto mesmo, a contradição proletariado-burguesia nos países imperialistas é também cada vez mais aguda. E como está estabelecido nesta etapa da revolução mundial e em pleno desenvolvimento da nova grande onda da mesma, o que corresponde aos revolucionários no mundo inteiro é, portanto, seguir o caminho iniciado com a guerra popular no Peru com o ILA 80 e prosseguido por outras guerras populares, como a guerra popular na Índia, e na mesma Turquia, onde corresponde pô-la a nível que a situação demanda. O eixo de tudo é o Partido Comunista marxista-leninista-maoísta.

Tanto na atual situação na Turquia como na de qualquer outro país a ordem do dia é a luta entre revolução e contrarrevolução, isto é, entre guerra popular e guerra contrarrevolucionária. Os povos do mundo estão se levantando em lutas armadas de diferentes tipos que precisam se transformar em guerras populares para acabar com o imperialismo, a semifeudalidade e o capitalismo burocrático. Não se trata de lutar por mudar de regime ou forma de governo, não estamos a apoiar nenhuma das facções das classes dominantes, se apresentem estas como fascistas ou “democratas” reacionários.

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