Espaço de cultura para o povo

Acreditando poder mudar para melhor a vida das pessoas através da arte, o Espaço Cultural Cenas & Dança oferece atividades culturais para o povo de Benfica, São Cristóvão e outros bairros da zona norte do Rio de Janeiro. Com a intenção de mostrar as raízes culturais brasileiras, o Espaço tem como atividade principal a dança de salão.

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— Oferecemos uma oportunidade a todos que queiram estar em meio a arte, com preços populares, bolsas e projetos sociais. Somos apenas hospedeiros e propagadores da dança e da arte de modo geral, a arte que une as pessoas e distancia as diferenças — conta Werlem Rodrigues.

Werlem é professor das modalidades que compõem o cartel de dança de salão: samba, forró, bolero, salsa, soltinho, tango, zouk e lambada.

— Alguns anos trabalhando com dança e tendo contato com diversos setores da arte, como teatro e música, percebi o impacto positivo que a dança e outras artes fazem na vida e no convívio das pessoas. É um conjunto de benefícios que com certeza todos deveriam ter, de forma mais acessível — continua.

— Através da arte descobrimos a importância do exercício, da educação, da disciplina, da liberdade sem invadir a do próximo, respeito pelas pessoas e por onde residimos. Poder tornar diversas artes acessíveis à comunidade em volta, de forma educacional e transformadora, nos traz uma grande responsabilidade e um enorme prazer — declara.

— Inauguramos o espaço no mês de março deste ano, com aulas gratuitas durante todo o mês e em maio começamos a receber matrículas para as turmas de dança de salão. Estamos em fase de planejamento para iniciarmos nosso projeto social que atendará crianças dos 5 aos 15 anos de idade — informa.

Nascido em Campos dos Goytacazes, interior do estado do Rio, Werlem é filho de artesões e lembra ter começado a dançar de forma instintiva, desde que se entende por gente. A partir dos 15 anos de idade estudou dança em escolas conceituadas e participou de vários competições, sendo premiado.

— A dança para mim só tem um sinônimo: vida! Minha vida conjugal, meu trabalho, minha causa, minha obra e minha contribuição para um mundo melhor durante minha passagem. Dança de forma transformadora através de toda sua arte, autonomia corporal e cultura — define.

— Dentre seus diversos benefícios, alguns já vêm surtindo efeitos entre nossos 30 bolsistas. Nesse grupo, que inclui pessoas da Barreira do Vasco, São Cristóvão, Irajá, Arará, Benfica, Mangueira, Largo do Pedregulho e Manguinhos, trabalhamos as técnicas de dança com uma metodologia prática e eficaz — conta.

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— Para extrair uma conscientização do grupo-teste, aplicamos algumas mudanças de hábitos do dia a dia. Entre outros hábitos: reciclagem de materiais até então sem serventia, uso de garrafas reutilizáveis para o consumo de água e manutenção da sala de aula. O bolsista a encontra limpa e a entrega limpa — explica.

Interação através da arte

— Ao longo do percurso enfatizamos as ações construtivas que ocorrem no processo de ensino e aprendizagem mútua entre professor e aluno. Capacitamos os alunos a dialogarem com diversos corpos através dos gestos e contato em prol de uma música, e o sentimento que ela lhe proporciona ao se movimentar — fala.

— Além de lembrá-los que dançar é a disposição e integração dos corpos em suas maneiras mais puras e naturais, sem quaisquer intenção ou distinção. Toda essa interação traz vivência e conhecimento do outro. Na dança somos todos música e sentimento — diz.

— Podemos destacar a eficácia da dança também na perda de peso, combate à depressão e problemas cardiovasculares, anti-estresse, além de prevenir diversas outras doenças. Por isso dizemos: viva bem, viva dançando — continua.

Werlem diz que o Espaço faz sua a frase que mais tem ouvido das pessoas: ‘É o que estava faltando na região’.

— É energizante ouvir as pessoas falarem dos motivos pelo qual estão procurando dançar. Cada contato se torna uma longa e gostosa conversa, e em primeiro instante já sabemos como vamos somar positivamente na vida de cada um — afirma.

— A reação dos nossos bolsistas ao receberem a notícia que passaram em nosso processo seletivo foi emocionante. Registramos todo o processo e o resultado dele através do cineastra Guilherme, que fará alguns vídeos para web [internet], mostrando toda essa empolgação vinda das comunidades — anuncia.

O Espaço conta com uma equipe de profissionais diversificados, devidamente qualificados para tal.

— Trabalhamos com ritmos nordestinos como forró e frevo; cariocas, como samba no pé e gafieira; e de outras partes do país. Em breve realizaremos eventos que tratarão de forma específica a técnica e a cultura e de cada ritmo tradicional de nosso pais — avisa.

— Sentimos necessidade de ter cidadãos mais patriotas com relação à sua cultura, suas raízes. Pensando nisso resolvemos desenvolver projetos, apresentar e ensinar a ‘mãe’ das danças brasileiras: a dança afro, conhecimentos culturais, religiosos e históricos do que deu origem a esse nosso tempero ao nos movimentarmos — fala.

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— E estamos preparados para iniciar uma fase de estudos específicos das danças que são entrelaçadas a uma cultura, e respectivamente estudar sobre suas origens. Com essa causa divulgaremos nosso evento ‘Afro Samba’ que abordará a origem da gafieira e do samba como movimento cultural — continua.

Com grande experiência, Werlem afirma que a arte é uma atividade transformadora na vida de qualquer pessoa.

— É necessário não só falar, mas mostrar sua eficácia: criamos o espaço como nosso primeiro grupo-teste para que a arte trabalhe sua transformação. Quem quer ver a transformação, basta procurar relatos de vidas salvas em comunidades através da arte — diz.

— Muita dessas vidas são crianças que acabam ganhando uma oportunidade de mudar sua realidade: muitas vezes o tráfico, a miséria, ou até mesmo pequenos problemas dentro de casa. Por isso, nos estalamos nessa área, que até nossa inauguração se encontrava muito carente de arte e cultura — conclui Werlem.

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