Editorial - Ridícula ação midiática a mando do FBI

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No ambiente tormentoso que transita o mundo, em que as covardes agressões das potências imperialistas sobre as nações oprimidas, principalmente do Oriente Médio, se voltam contra as mesmas com um crescente número de atos de guerra em suas próprias cidadelas, a realização dos Jogos Olímpicos vem sendo cercada pela mesma atmosfera. A mega “operação hashtag” contra supostos “terroristas” vinculados ao Estado Islâmico se revela, a cada dia, como mais um ato do costumeiro abuso de autoridade, não fosse o objetivo tácito de demonstrar nisto também toda a servidão dos gerentes de turno ao diktat do imperialismo ianque.

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Segundo o portal G1 do dia 22 de julho (18h46), o FBI enviou alerta ao Brasil sobre suspeitos de exaltar o terrorismo:

“O procurador da República Rafael Brum Miron, responsável pela Operação Hashtag, afirmou ao G1 nesta sexta-feira (22) que as investigações que prenderam suspeitos de ligação com o Estado Islâmico começaram com um alerta do FBI, a polícia federal dos Estados Unidos. Segundo o procurador, um memorando com nomes de suspeitos foi enviado para o Brasil com a sugestão de que eles fossem investigados.”

Como já é conhecido, mesmo antes das denúncias feitas por Snowden, o FBI, a CIA e outras agências de “segurança” do USA, por considerarem-se a “polícia do mundo”, metem o bedelho em tudo que seu faro apura de antiamericanismo e anti-imperialismo. Daí que um bando de ingênuos “língua solta”, dispersos no vasto território brasileiro e ligados apenas pelas redes sociais, transforma-se de uma hora para outra em uma ameaça terrorista.

Como informa o mesmo portal, a partir das ordens da polícia ianque, os serviços de segurança do velho Estado semicolonial se prestaram uma vez mais em mostrar trabalho não só “investigando” brasileiros para identificar grupos em redes sociais que disseminavam ideias do Estado Islâmico. Identificados esses grupos, quebraram sigilos de dados. Segundo o citado procurador, tais investigações registravam “conversas que incentivavam a participação, a integrar o Estado Islâmico, e vinham divulgando, promovendo a ideia da realização de atentados terroristas”.

E a montanha pariu um rato.

Após o estardalhaço midiático promovido pelo ministro da justiça, muito bem superlativado pela imprensa dos monopólios nacional e internacional, ela mesma teve que, diante do ridículo, baixar a bola, como podemos constatar no editorial da Folha no dia 23/07, mostrando as ambiguidades do episódio:

“Tratava-se de célula ‘amadora’, ‘sem nenhum preparo’, afirmou Moraes [ministro da justiça], aludindo ao fato de que um de seus membros tentara comprar armamentos pela internet, em vez de recorrer a fornecedores especializados. (...) Os suspeitos tinham, entretanto, um líder, prosseguiu o ministro. Difícil afirmar tal coisa, rebateu o juiz responsável pelas prisões.(...) Em meio às ambiguidades do caso, transparece um dilema político real. É preciso evitar que o sentimento de medo e insegurança prevaleça na Olimpíada e, ao mesmo tempo, assegurar que as forças policiais não estão a minimizar nenhuma ameaça.”

Em análise imediata após a entrevista coletiva do ministro, Yuri Felix, professor de processo penal e ouvidor do IBCCRIM (Instituto Brasileiro de Ciências Criminais), em artigo para a mesma Folha, asseverava que “Prisões feitas pela Polícia Federal parecem excessivas”, pois, a partir das informações do ministro da justiça de que “era um grupo desorganizado e amador”, ele afirmava: “Aí já cabe um questionamento. Como um grupo desses poderia promover atos de terrorismo?”.

Referindo-se à famigerada “Lei antiterrorismo” assinada por Dilma Rousseff, questionou afirmando que “a lei que busca definir o que são atos de terrorismo diz que esses atos exigem organização. Então já é complicado dizer que tenha sido uma prisão necessária. Cheira a excesso. (...) Além disso, segundo o ministro da Defesa, o Brasil não corre risco de ato de terrorismo. Se não há risco, porque o processo está em segredo de Justiça?”

O jurista, subestimando a condição de subjugação nacional em que os gerenciamentos Dilma/Temer em continuidade dos anteriores mantém o Brasil, sentenciou que: “Ao meu ver, o ideal seria continuar investigando e aguardar por provas mais contundentes. Qualquer afã atrapalha o bom desenvolvimento da Justiça. (...) Essa prisão tem um caráter midiático. É uma prisão que distorce os institutos do processo penal e serve mais como resposta à mídia que qualquer coisa. (...) O Estado não pode agir para dar resposta à comunidade internacional ou à sociedade. Tem que agir de acordo com a Constituição”.

Ademais de manter os brasileiros sob o terror de suspeição criminosa ordenado pelos serviços ianques, o espetáculo midiático para mostrar ao mundo que o velho Estado brasileiro garante segurança à realização dos Jogos Olímpicos é precedente para criar opinião pública e caldo de cultura, pondo sob suspeita de terrorismo a luta de classes do proletariado e demais massas populares. Tudo isso para deter e manter incomunicáveis todos os ativistas e militantes populares ou qualquer cidadão que ouse levantar-se em protesto contra o atual estado de coisas da velha ordem de exploração, opressão e genocídio.

Não adianta. Nada vai impedir o aumento do protesto popular contra o pacotaço do arrocho e do entreguismo vende-pátria de Michel Temer. A crescente mobilização das massas irá repelir com energia toda esta escalada fascista!

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