Morro do Borel (RJ): ‘Mataram o meu filho com um tiro na cabeça’

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No dia 29 de junho, a reportagem de AND registrou mais um episódio do massacre olímpico. PMs da UPP assassinaram o jovem Jhonata Dalber Mattos Alves, de 16 anos, com um tiro certeiro na cabeça. Imagens divulgadas por AND no mesmo dia mostram o que podem ter sido os últimos momentos de vida do rapaz. No final do mês de julho, a equipe de AND foi à casa da mãe do jovem, Janaína Mattos Alves, de 32 anos, conversar com ela sobre esse crime brutal levado a cabo pelas tropas de repressão do velho Estado.

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Familiares e amigos enterram corpo de jovem assassinado

— Eu pedi pro Jhonata ir na casa da minha cunhada buscar uns saquinhos de pipoca para uma festa que ia acontecer no colégio do irmãozinho mais novo dele. Daqui a pouco, a minha cunhada me ligou dizendo que estava tendo tiro no morro. Logo em seguida, veio o menino que tinha ido ao Borel com ele e disse que meu filho tinha sido baleado. Ele dizia “acertaram o Dalber, acertaram o Dalber!” e todos nós saímos correndo para o hospital. Quando chegou lá, eu vi meu filho deitado em uma maca com a cabeça enfaixada. Mesmo não me aproximando, naquele momento, eu já tinha sentido que meu filho estava morto. Foi a última vez que eu o vi — disse a Janaína muito emocionada. A mãe do jovem acusa os policiais que tiraram a vida seu filho de atirarem para matar, visto que Jhonata estava desarmado e, segundo testemunhas, teria levantado os braços ao perceber a ação de seus assassinos.

— Foi só um tiro que ele deu no meu filho. O policial quando ele quer render alguém, ele não precisa atirar. Se fosse um bandido mesmo, como eles disseram, eles poderiam atirar na perna.

Mas não, tiraram a vida do meu filho por nada. E depois desse absurdo, nenhum representante do estado nos procurou, ninguém! Ninguém nos deu uma posição sobre o que vai ser feito comb esses policiais. Inclusive, muitos moradores do Borel dizem que eles ainda estão trabalhando — protesta a mãe de Jhonata.

— E o meu filho realmente tinha medo da polícia. Claro! Ele cresceu vendo seus amigos apanharem da polícia sem ter feito nada. Tomar tapa na cara. Meu próprio pai, o avô dele, um policial encostou a arma nele pedindo documento. É claro que ele tinha medo da polícia. Tanto é que morreu na mão dessa polícia. Eles tinham que proteger a gente, mas eles estão acabando com a gente — lamenta Janaína.

O avô de Jhonata, o aposentado Antônio Alves, de 66 anos, também conversou com a equipe de reportagem de AND e se disse revoltado. Seu Antônio criticou a polícia e disse que os policiais da UPP são os verdadeiros bandidos.

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— Se a gente não lutar, outras vidas de outros jovens vão ser interrompidas. Por trás daquelas fardas está uma porção de assassinos. Não tem educação para parar a gente na rua e pedir um documento. Já chega colocando arma na cara da gente. Como a gente não tem dinheiro, como nós somos pobres, então para eles nós somos todos vagabundos. É tapa na cara, é chute, “vai embora para casa, agora!”. Você encontra policiais da UPP bêbados, drogados, batendo e agredindo moradores — denuncia o avô.

— Isso tudo para mim é maquiagem. UPP é uma maquiagem. Olimpíada é uma maquiagem. Porque eles só procuram a sociedade em época de eleições, quando eles querem votos. Eles estão tentando maquiar o Brasil para os ingleses que chegam de fora, mas eu digo para vocês: o Brasil não é isso que vocês estão vendo. Só quem mora e vive aqui sabe a nossa realidade — conclui mais uma mãe órfã de seu filho pelas mão da polícia desse Estado assassino.

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