Farra olímpica e massacre continuado das massas

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A farra olímpica dos monopólios está sendo realizada sob a mais violenta repressão contra o povo brasileiro, em especial nas favelas e bairros pobres da cidade do Rio de Janeiro, cidade-sede do megaevento. Conforme temos denunciado nas páginas de AND, a política de genocídio da população pobre e, em sua maioria, jovens e negros, foi incrementada nas vésperas dos Jogos Olímpicos com incursões nas favelas, execuções de moradores e chacinas em bailes funk, como os ocorridos no Morro do Chapadão e na Favela de Manguinhos. A esses casos somam-se os odiosos assassinatos dos cinco jovens em Costa Barros com 111 tiros, crime cujos  policiais responsáveis respondem em liberdade e que nos dá mostra do grau de conivência que o velho Estado estabelece com tais práticas fascistas.

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‘Caveirão’ do Batalhão de Operações Especiais assassino da PM ronda a Maré

Segundo a Anistia Internacional, somente entre os meses de abril e junho de 2016, foi registrado um aumento de 103% no número de mortes causadas pela polícia na cidade do Rio de Janeiro, comparado ao mesmo período de 2015. Esses dados confirmam o verdadeiro massacre olímpico conduzido pelo aparato de repressão para garantir a realização dos jogos.

Em 10 de agosto, uma viatura da Força Nacional de Segurança ingressou no complexo de favelas da Maré, na Zona Norte do Rio e foi alvo de tiros. Dois soldados foram atingidos e um deles morreu na noite seguinte em decorrência do disparo recebido na cabeça. Foi a senha para a invasão da Maré por PM, PF, Polícia Rodoviária Federal e exército, que promoveram mais um massacre assassinando Igor Barbosa Gregório Augusto, 19 anos, e deixando mais dois moradores feridos. Tudo isso, contou com grande alarde do monopólio de imprensa, que noticiou haver se tratado de um ataque contra a “segurança das olimpíadas”. Mais uma grande mentira utilizada como pretexto para a visceral brutalidade do velho Estado contra as massas, que tiveram suas casas invadidas e sofreram todo tipo de humilhações e agressões conforme repercutimos no blog da redação do AND. Antes desse fato, a população da Maré já denunciava o aumento da repressão, segundo o coletivo Maré Vive no artigo Sensação de segurança’ para a família olímpica é criada a custo de mortes no subúrbio .

No mesmo dia, em Del Castilho, Zona Norte do Rio, ação da PM resultou no assassinato de 3 moradores da comunidade Bandeira 2, César Soares dos Santos, de 14 anos; Matheus Amâncio de Aragão, de 15 anos; e Ricardo Rodrigues de Araújo, de 22 anos, além de outros feridos. Um rio de sangue desceu as ladeiras de Del Castilho após a ação genocida da PM. Em resposta à esta violenta ação da polícia, os moradores realizaram um combativo protesto e levaram o corpo de César Santos para o meio da Avenida Martin Luther King Jr. Os pais do jovem, comovidos com o crime, participaram da manifestação. Durante o protesto um ônibus foi incendiado.

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Mesmo diante de todo o massacre dos filhos do nosso povo, este mesmo povo nos dá mostras de sua força, decisão e resistência, expressas nos protestos populares diante dos crimes policiais e em suas bravas mães que descobrem cada vez mais, através da luta pela justiça de seus filhos, a necessidade de derrotar, a qualquer custo, o fascismo do velho Estado. Fatos que ficam claros nos relatos das mães dos jovens assassinados na chacina no Morro do Chapadão:

— Depois que eu perdi o meu filho, eu não tenho mais medo. Se eles quiserem eles vão me matar, mas eu não vou deixar de lutar por justiça, não vou deixar de lutar por uma comunidade melhor.

— Nós mães de vítimas da violência temos que nos apoiar umas nas outras. É importante a gente se reunir, como estamos fazendo aqui agora. Porque nossos filhos se foram, mas têm muitos outros aí que com a nossa militância nós podemos salvar. Eu não conheci a Ana Paula — mãe do jovem Jonathan, assassinado pela PM em Manguinhos em 2014 — em um baile funk, em um barzinho, nos conhecemos nos apoiando na dor. Eles pagaram essas olimpíadas com o sangue dos nossos filhos, com o nosso dinheiro.

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