O grito de revolta ecoa no Brasil e no mundo: ‘Abaixo o massacre olímpico!’

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No dia 5 de agosto, dia da abertura das Olimpíadas no Rio de Janeiro, cerca de mil manifestantes concentraram-se na Praça Saens Peña, no bairro da Tijuca, Zona Norte da capital fluminense, e realizaram um vigoroso protesto contra a grande farra dos monopólios transnacionais e locais, governos antipovo e vende-pátria e o continuado massacre das massas pelas forças policiais, incrementado de forma brutal para a repressão durante o megaevento. O ato foi convocado pela Frente Revolucionária de Defesa dos Direitos do Povo (FRDDP), Frente Independente Popular (FIP-RJ) e diversos outros movimentos populares, revolucionários e democráticos sob a consigna:  ‘Abaixo o massacre olímpico!’, e também pelo Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas – RJ sob a consigna ‘Rio 2016: Os Jogos da Exclusão’.

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Manifestação de 5 de agosto tomou as ruas da Tijuca e obteve amplo apoio da população

O protesto popular foi precedido por uma grande colagem de cartazes nos bairros da Tijuca, Maracanã e proximidades, além de panfletagens realizadas na Central do Brasil e em Madureira, conclamando a população fluminense a participar do protesto e a se rebelar contra as injustiças que a assola.

A reportagem de AND chegou cedo à Praça Saens Peña e acompanhou a concentração do ato que, aos poucos, foi ganhando a adesão de estudantes, professores, moradores de favelas, indígenas, organizações democráticas e populares e manifestantes estrangeiros, como um grupo de japoneses que levou uma faixa criticando a futura realização das Olimpíadas em Tóquio em 2020. Coletivos de jornalistas independentes e a imprensa democrática e popular repercutiam ao vivo o protesto.

Ainda na concentração, um grande aparato policial chegou ao local e começou as provocações cercando e revistando jovens aleatoriamente, mas nenhuma provocação foi capaz de desviar os manifestantes de seu propósito. Todos mantiveram-se compactos e agitando bandeiras e palavras de ordem.

— Nós já passamos pelo Panamericano, em 2007, pela Copa em 2014 e agora as Olimpíadas, inúmeros eventos que têm causado a remoção de milhares de famílias pobres e a militarização desses espaços. Esse cotidiano militarizado, além de causar várias mortes de jovens pobres, impede o ir e vir dessas pessoas, impede a organização dessas pessoas e tudo deve ser autorizado por um comando militar, até mesmo festas e atividades culturais. Essas favelas estão sitiadas — diz a ativista Gláucia Marinho, da organização Justiça Global.

Agitação

Entre as faixas levantadas pelos manifestantes, uma exclamava Olimpíadas do Estado racista e genocida. Free Rafael Braga! (Liberdade para Rafael Braga!). Outras faixas denunciaram as inúmeras arbitrariedades como as remoções, as perseguições aos camelôs, a brutal repressão policial nas favelas e bairros pobres etc. Uma manifestante confeccionou um cartaz com a frase Para poucos aplaudirem a tocha, muitos ficaram sem salário, hospital e escola. Alguns movimentos também levaram faixas escritas em outros idiomas, aproveitando a presença da imprensa internacional. Muitas palavras de ordem entoadas com vigor por todos os presentes deram o tom vigoroso da manifestação.

Um bloco vermelho e combativo organizado pela FRDDP levantou duas grandes faixas com as palavras de ordem ABAIXO O MASSACRE OLÍMPICO! NO TO THE OLYMPIC MASSACRE! VIVA A REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA, AGRÁRIA E ANTI-IMPERIALISTA! Também levantaram cartazes em solidariedade aos presos políticos da Associação dos Trabalhadores Turcos na Europa (ATIK) e em homenagem a Gavin Eugene Long e Micah Xavier Johnson, dois negros estadunidenses heróis da luta de seu povo que empreenderam atos de guerra contra o Estado imperialista ianque recentemente. Outra faixa dizia Viva a Revolução Agrária! em apoio à luta dos camponeses pobres brasileiros.

Juventude combatente não teme a repressão

Quando o ato se aproximava do bairro Maracanã, o trajeto foi bloqueado por PMs. Depois de muita pressão dos manifestantes, os policiais se viram forçados a liberar a passagem e o ato seguiu em direção à Praça Afonso Pena. Minutos depois, policiais prenderam um jovem e foram seguidos pela mãe do rapaz, que saiu em sua defesa em meio aos policiais. A maneira violenta como o jovem foi arrastado sob golpes de cassetetes e socos deixou os presentes revoltados e muitos também seguiram atrás dos PMs exigindo a libertação do rapaz.

Ao fim do ato, já na Praça Afonso Pena, a tropa de choque atacou o protesto com bombas e tiros de bala de borracha, deixando várias pessoas feridas e intoxicadas por conta do gás lacrimogêneo. No momento das agressões, a praça estava repleta de crianças, o que revoltou quem passava pelo local. Uma manifestante correu sério risco de morte e foi reanimada por socorristas da Cruz Vermelha.

O aparato de guerra montado para tentar impedir o protesto popular, mil vezes alardeado pelos monopólios e gerenciamentos, com o objetivo de amedrontar e calar as massas durante a farra olímpica, que comete os mais hediondos crimes e massacres nas favelas e periferias cariocas, não foi capaz de deter o protesto popular. A Juventude Combatente mais uma vez  cumpriu seu papel ocupando as primeiras linhas fazendo reverberar o grito de revolta das massas.

Prisões no Méier

No dia 12 de agosto, uma nova manifestação contra as Olimpíadas ocorreu no bairro do Méier, Zona Norte da cidade. Os manifestantes, entre eles muitos estudantes secundaristas que ocuparam escolas nos últimos meses, aproveitaram a ocasião para denunciar os inúmeros ataques contra a educação pública por parte da gerência estadual. Eles também criticaram os gastos com os jogos e a repressão policial nas favelas.

A polícia atacou o protesto com balas de borracha e bombas. Um jovem chegou a ser levado ao hospital de táxi. Cerca de 50 jovens foram detidos e levados para a Cidade da Polícia, também na Zona Norte, onde ficaram até a manhã seguinte.

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Jovens detidos sendo levados em ônibus após protesto no Méier, 12/8 a

Apagar a tocha!

Nos primeiros dias de agosto, ainda no fechamento da edição anterior do AND, recebemos as notícias da passagem da tocha olímpica no subúrbio do Rio e nos municípios da Baixada Fluminense.

Em Duque de Caxias, a tropa de choque da PM atacou manifestantes e uma criança de 10 anos de idade ficou ferida por uma bala de borracha. Em Belford Roxo, além das manifestações, um morador jogou cal e um balde d’água, quase apagando a tocha. Na cidade de Nova Iguaçu, a população arremessou lixo e, devido aos protestos, a passagem da tocha foi cancelada. Em São João de Meriti, professores e estudantes protestaram. Dias antes, já haviam ocorrido manifestações em Niterói e São Gonçalo.

Em ambas, manifestantes foram detidos e as câmeras da imprensa popular registraram as agressões policiais.

Em Campo Grande, na Zona Oeste da capital, professores, estudantes e moradores aguardaram a passagem da tocha com faixas e cartazes. Duas delas diziam: Tem dinheiro para empreiteiras, mas não tem para educação, Você está pagando tudo isso e O PMDB dá calote nos servidores para fazer as Olimpíadas. Um forte aparato policial foi enviado para proteger a tocha. No fim do mês de julho, como noticiado em edição anterior de AND, a tocha foi apagada durante um grande protesto em Angra dos Reis, no sul fluminense.

São Paulo

Em 5 de agosto, simultaneamente com o Rio, uma manifestação ocorreu em São Paulo com a participação de aproximadamente 100 pessoas, que se reuniram no vão do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista. Ainda na concentração, a polícia tentou impedir que o protesto ocorresse, fazendo abordagens e tentando obstruir a saída. Os manifestantes furaram o bloqueio, fecharam uma via da Av. Paulista e prosseguiram fazendo a denúncia das Olimpíadas dos monopólios. Uma faixa assinada pela Unidade Vermelha (UV-ORNL) apontava: Juventude combatente contra o massacre olímpico!

A polícia fascista aplicou a tática nazista chamada ‘Caldeirão de Hamburgo’, cercando os manifestantes e os agredindo com cassetetes. O fato foi tão absurdo que até mesmo o monopólio da imprensa repercutiu o fato. Muitos dos agredidos eram menores de idade e estudantes secundaristas. Advogados que acompanham o caso informaram que cerca de 80 pessoas foram detidas, a maioria encaminhada para a 78ª DP.

Também recebemos em nossa redação fotos de pichações em muros de Campinas, no interior do estado, com a frase Abaixo o massacre olímpico!

Agitação em Belo Horizonte

Já em Belo Horizonte (MG) foi realizado um ato-panfletagem, convocado pela FRDDP. A atividade contou com a adesão de várias organizações populares, como a Liga Operária. Segundo relato enviado pelo Comitê de Apoio ao AND em BH, trabalhadores, estudantes e outros que passavam no local paravam atentos às palavras que a eles se dirigiam e pegavam os panfletos distribuídos.


Protestos internacionalistas

‘No to the olympic massacre!’
‘Abajo la masacre olímpica!’

Atendendo a convocação da Frente Revolucionária de Defesa dos Direitos do Povo (FRDDP), no dia 5 de agosto, organizações democráticas e revolucionárias de diversos países denunciaram as Olimpíadas e, em solidariedade à luta do povo brasileiro, emitiram notas e realizaram manifestações no Chile e na Alemanha denunciando o caráter antipovo do megaevento.  

Reproduzimos nota da Frente de Estudantes Revolucionária e Popular (FERP) do Chile, sobre o ato ocorrido em frente à Embaixada do Brasil, no centro da capital Santiago e o relato da manifestação da Aliança Contra a Agressão Imperialista, ocorrida em frente ao Consulado Honorário do Brasil em Hamburgo, Alemanha.

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Ativistas revolucionários alemães se solidarizam com a luta do povo brasileiro em Hamburgo

Abaixo o massacre olímpico!

Frente de Estudantes Revolucionária e Popular (FERP) - Chile

Nossa ação na embaixada do Brasil, onde estendemos uma faixa com a consigna de Abaixo o massacre olímpico!, responde a um chamado internacionalista, um chamado revolucionário do povo do Brasil contra o massacre que o imperialismo está gerando com os Jogos Olímpicos no Brasil e com a passada Copa do Mundo de 2014. O velho Estado brasileiro desalojou 22.059 pessoas por causa desses 2 eventos que trazem massacre ao povo. Por que massacre? Porque se pode constatar como seu organismo militarizado, UPP, realiza a matança diária de pobres nas favelas em função dos desalojamentos que implicam esses eventos esfomeadores.

Hoje, os gastos nos Jogos Olímpicos excedem a colossal soma de 12,7 bilhões de dólares. Condenam à miséria o povo trabalhador que, com seu suor, gera as riquezas que os exploradores brasileiros usurpam. Os fundos públicos não se usam em melhores hospitais, nem em educação, nem em habitação, senão que nos Jogos Olímpicos e para seus organismos militarizados para seguir massacrando o povo brasileiro!

O povo do Brasil responde a todas essas injustiças com rebelião e estalido de protestos de massas em todos os lados, com retomadas de terras pelos camponeses e combate ao velho Estado. É um povo cheio de vitalidade e vontade de lutar incansavelmente por derrotar seus inimigos. Nós, como povo chileno, temos algo muito em comum: somos pobres explorados pelo imperialismo, portanto, nossa luta tem características similares e disposição a lutar similares. Se pode ver a mesma luta incansavelmente nos pobres de todos os lugares do mundo, porque o imperialismo só causa destroços e massacres que incendeiam essa fogueira revolucionária.

O velho Estado do Brasil se encontra sob uma feroz e decidida rebelião popular apoiada pelos revolucionários do mundo frente o massacre olímpico. E conta também com nossa pequena ação de apoio internacionalista em frente à embaixada dos reacionários brasileiros que justificam esse massacre.

Viva a luta revolucionária do povo do Brasil!

Os pobres não têm pátria, viva o internacionalismo proletário!

5 de agosto.
Frente de Estudantes Revolucionária e Popular – FERP

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Hamburgo (Alemanha)

Em 5 de Agosto, a Aliança Contra a Agressão Imperialista convocou uma manifestação sob a consigna Abaixo o massacre olímpico! em frente ao Consulado Honorário do Brasil, em Hamburgo, localizado na que cinicamente é chamada “Casa de Colombo” (“Columbus Haus”), na área de negócios mais “elegante” da cidade. No começo da atividade foi feita a leitura do panfleto traduzido da Frente Revolucionária de Defesa dos Direitos do Povo (FRDDP - Brasil). Nos vários discursos foram tratados os diferentes aspectos das Olimpíadas, assim como também a situação dos presos políticos no Brasil e em outros países, como Chile e Palestina. Um bom número de jovens revolucionários participou da manifestação e distribuiu o panfleto mencionado. Esta manifestação constitui o início das atividades de apoio a campanha no Brasil contra as Olimpíadas no Rio de Janeiro e certamente será seguido por muitas outras atividades com o mesmo propósito.

Além dessas atividades, o blog Dazibao Rojo publicou, em 9 de agosto, uma nota de coletivos que compõem a ‘Rede de Blogs Comunistas’ intitulada Unas Olimpiadas contra el pueblo. O objetivo da nota foi “denunciar a celebração das Olimpíadas do Rio como violência contra o povo brasileiro, assim como foram também os megaeventos realizados nos últimos anos no Brasil”. O texto pode ser lido no link: http://dazibaorojo08.blogspot.com.br/2016/08/unas-olimpiadas-contra-el-pueblo-una.html.

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