Notas nacionais

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RJ: camelôs enfrentam repressão durante farra olímpica

Vendedores ambulantes entraram em confronto com os cães de guarda da prefeitura, a Guarda Municipal (GM), na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, no bairro de Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, na noite de 9 de agosto. Os trabalhadores denunciaram a truculência dos guardas e dos agentes da Secretaria de Ordem Pública, que roubam descaradamente suas mercadorias. Em resposta, os camelôs e algumas pessoas que passavam pelo local atiraram pedras contra a repressão. Tal cena, rotineira nas ruas da cidade, ocorreu num dos bairros turísticos mais tradicionais do Rio durante plena farra olímpica. A polícia chegou a ser chamada e disparou balas de borracha.

No mesmo dia, a revista Época publicou um vídeo com imagens de um ambulante sendo detido pela GM no calçadão de Copacabana. Ele vendia bandeiras e chapéus com as cores do Brasil e, ao ser detido, protestou: “Tenho filho para criar!”.

Em 11 de agosto, um novo confronto entre camelôs e guardas municipais ocorreu no camelódromo da Uruguaiana, no Centro da cidade. Relatos publicados na internet dão conta de que os trabalhadores foram atacados com bombas, mas responderam decididamente às agressões com paus e pedras. Devido a ação truculenta da GM, um dos acessos da estação do Metrô da Uruguaiana e algumas lojas fecharam as portas.

Também nos trens que partem da Central do Brasil para o subúrbio e municípios da Baixada Fluminense, camelôs foram impedidos de trabalhar por conta dos jogos olímpicos.


SP: protesto contra reintegração de posse

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PM e bombeiros lançam jatos d’água contra manifestantes

Em 11 de agosto, moradores que ocupavam um terreno de propriedade da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE) foram atacados por policiais militares e responderam, entrando em confronto durante a ação de reintegração de posse. Este episódio de justa resistência popular ocorreu no bairro Pedreira, na Zona Sul da cidade de São Paulo (SP).

Durante a ação, realizada num terreno localizado às margens da represa Billings, os moradores, vítimas da política antipovo das gerências do velho Estado, se revoltaram, pois não tinham para onde ir. Em protesto, atearam fogo numa barricada com pedaços de madeira e sofás.


PE: revolta contra morte de menino

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População põe fogo no meio da rua em protesto contra o assassinato de mais um filho do povo

Na noite de 8 de agosto, moradores do bairro de Vasco da Gama, na Zona Norte do Recife (PE), protestaram contra o assassinato de Mateus Alexandre, de 14 anos, ocorrido um dia antes. Revoltada, a população ergueu e incendiou uma barricada de pneus e entulhos na Rua Vasco da Gama. 

Segundo informações veiculadas na imprensa, o jovem teria sido atingido por uma “bala perdida” durante um tiroteio entre policiais e assaltantes e faleceu na manhã do dia 8. Ele estava chegando em casa, quando foi atingido no pescoço, tendo a bala alojada na testa. Em entrevista ao jornal Folha de Pernambuco, o pai de Mateus afirmou que quem assassinou seu filho foi a polícia:

— Ele tirou a vida de um inocente, não foi de um ladrão não. [...] Foi a Rocam [da PM]. Se eu ver na minha frente eu identifico ele, eu digo quem foi que atirou no meu filho — protestou.

Uma amiga da família também deixou sua mensagem de indignação:

— Hoje foi Mateus, antes foi outro rapaz, e outro, semana passada, de 14 anos. Vão ser quantos ‘Mateus’? Quantas crianças? O alvo deles [dos policiais] agora é criança? Eles querem devastar a comunidade? Não pode, não, os policiais sempre “têm a razão”. Já um pai de família, porque é preto, pobre e da periferia… Se existe justiça, tem que ser feita! Olha aí, ela vai fazer aniversário amanhã [aponta para a mãe de Mateus, muito emocionada], olha o “presente” que ela ganhou desses nojentos. Domingo é dia dos pais, olha o “presente” que ele ganhou.

No dia 9, após o enterro de Mateus, houve novo protesto e a população revoltada incendiou várias barricadas na entrada do bairro Vasco da Gama.

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