Massacre e hipocrisia olímpicos

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A abertura da 31ª Olimpíada da era moderna, realizada no Maracanã, Rio de Janeiro, foi suficientemente reveladora da hipocrisia que permeia a realização deste evento internacional desde que o capitalismo em sua fase apodrecida, o imperialismo, substituiu o “espírito olímpico” pelo “espírito do mercado”.

O espetáculo da abertura foi saudado de forma bastante elogiosa pelos monopólios de comunicação do Brasil e do exterior. Para nós da imprensa popular e democrática cabe ir mais a fundo nesta apreciação trazendo à tona questões como essência e aparência, forma e conteúdo.

Idealismo histórico

A representação da formação do povo brasileiro de maneira romantizada aparece como vulgar caricatura de sua heroica saga, conflitando com uma análise materialista histórica, que tem a luta de classes como motor da história. Portanto, a aparência em geral exuberante da apresentação e da performance dos cerca de cinco mil voluntários mesmo servindo para encobrir a horrível realidade do genocídio em que se constituiu a invasão europeia ao nosso território, assim como o genocídio negro com o tráfico humano de africanos para serem moídos nos engenhos de cana-de-açúcar, traía-se pelas formas sombrias que se revestiu em certos momentos.

Pior, a insistência de tentar passar uma mensagem de “paz”, de “tolerância” e de “preservação” do meio ambiente, utilizando imagens e movimentos de indígenas e favelados e, ainda, ancorar-se na cultura popular foi a forma utilizada para escamotear o fato de o megaevento ter como objeto principal o favorecimento dos monopólios dos negócios do esporte de alto rendimento, ao sistema financeiro e ao monopólio dos meios de comunicação. Mais ainda, exatamente num país devastado pelo desmatamento voraz da eternização do secular modelo de monoculturas para exportação, agora coberto pelo véu modernizado de produtor de commodities (soja, minérios, café, cana, gado, petróleo etc., para exportação) glorificado como “desenvolvimento sustentável”.

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Farra dos monopólios

Segundo informações correntes nos meios de comunicação dos próprios monopólios, a NBC, a emissora ianque que em 2011 pagou US$ 4,38 bilhões pelos direitos de transmissão dos jogos até 2020, juntamente com a Rede Globo, com o intuito de satisfazer os patrocinadores, influenciaram de tal modo a programação dos jogos que finais da natação foram colocadas após as 22h e jogos de vôlei de praia entrando pela madrugada. Como diz o ditado popular “quem paga a banda escolhe a música”. Para nós isto não é novidade, uma vez que a Rede Globo é useira e vezeira em manipular os horários do campeonato brasileiro de futebol.

A realização dos jogos olímpicos tem servido como tela panorâmica para grandes marcas se apresentarem ao mundo inteiro com suas mensagens mistificadoras do consumo e a produção em série de falsos ídolos. A busca do lucro máximo impulsiona a disputa por fontes de matérias primas e mercados cativos dividindo o mundo em um punhado de nações opressoras que usam a guerra e o genocídio para garantir sua exploração e uma grande maioria de nações exploradas transformadas em colônias ou semicolônias, submetidas que são à política imperialista de subjugação nacional.

A falaciosa impressão difundida pelo gerenciamento petista de que o Brasil surfava uma onda de “crescimento sustentável” despertou a ganância do cartel dirigente dos jogos, que apostou na possibilidade de altos lucros com a sua realização no Brasil, onde Luiz Inácio, Sérgio Cabral, Pezão e Eduardo Paes, representando os interesses das empreiteiras, bancos e monopólio de Comunicação, asseguravam sucesso absoluto. Há sete anos a farra olímpica ainda parecia promissora, muito embora, os sinais de aprofundamento da crise já eram evidentes.

Chorando de barriga cheia

Em reuniões realizadas no Rio de Janeiro, o cartel olímpico tem demonstrado frustração com seus ganhos no Brasil, como declarou o vice-presidente do COI, Craig Reedie ao jornal Estadão de 06/8:Nada disso que está ocorrendo no Rio pensávamos que seria o cenário quando escolhemos a cidade. Na mesma reportagem, um dos homens mais influentes dos bastidores dos negócios do esporte, Patrick Nally, ex-consultor do COI, segundo o jornal, afirmou que O Rio foi escolhido porque o COI pensava que tinha a estabilidade política e de crescimento para realizar um evento excepcional. Por melhor que o evento agora ocorra, decisões futuras sobre sedes serão cuidadosamente avaliadas quando se tratar de territórios não testados.

A crise política, econômica e moral, entretanto, não foi impedimento para que Dilma, Temer, Cabral, Pezão e Paes organizassem o massacre olímpico e raspassem o tacho do tesouro federal, estadual e municipal para carrearem rios de dinheiro a seus apaniguados.

A multifacética gama de interesses, principalmente, de grupos econômicos, trabalhou nos últimos sete anos com extrema voracidade para abocanhar nacos cada vez maiores dos recursos públicos, em detrimento dos reais interesses da população do Rio de Janeiro e do país. Eis que, de repente, o paraíso de “Brasil potência” do pré-sal transformou-se num país de economia em farrapos, num Estado literalmente quebrado, com os serviços públicos sucateados e os servidores tão mal pagos, recebendo em atraso. Ademais das remoções forçadas das populações das favelas, das perseguições aos camelôs às modificações nos transportes públicos. Tudo isso contrastando com as obras olímpicas, ditas a princípio que seriam construídas com recursos privados, mas que foram absorvendo cada vez maiores quantidades de verbas públicas. Veja-se, por exemplo, os três bilhões destinados por Temer para garantir o setor de segurança nas Olimpíadas.

Setores das massas foram empregadas para dar brilho popular ao espetáculo, porém, o legado principal ficará para os patrocinadores olímpicos: Coca-Cola, Atos, Bridgestone, Dow, GE, McDonald’s, Omega, Panasonic, P&G, Samsung, Visa, Bradesco, Bradesco Seguros, Correios, Embratel, Claro, Nissan, mais as empreiteiras, a especulação imobiliária, o setor hoteleiro, a segurança privada, a corja dos políticos propineiros e os meios de comunicação.

Ao povo e aos revolucionários cabe tirar lições para impulsionar cada vez mais o protesto popular, denunciando os massacres, a repressão, o genocídio continuado e a hipocrisia olímpica, repudiando a farsa eleitoral, propagandeando e preparando a Revolução Democrática.

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