A bancarrota do revisionismo cubano

Em 13 de agosto, Fidel Castro completou 90 anos. Devido ao seu papel proeminente durante  largo período na direção do processo inconcluso da Revolução Cubana e de seu regime, além de sua forte influência para os processos revolucionários na América Latina e no mundo, publicamos, nesta ocasião, o resumo-adaptação preparado pela redação do AND do artigo Bancarrota del revisionismo cubano, de autoria do Partido Comunista do Equador – Sol Rojo (Puka Inti). Este documento elucida, sob a luz da ciência do proletariado, o caráter da Revolução Cubana e a posição de classe de sua direção.

Nossas saudações ao companheiro Lúcio Jr. pelo seu trabalho de tradução do artigo para o português e seu envio a nossa redação. O texto na íntegra pode ser acessado no Blog da Redação de AND (andblog.com.br).

http://www.anovademocracia.com.br/176/20.jpg

Introdução

Nos últimos tempos o cenário internacional foi marcado pelas aparentes mudanças que estão sendo imprimidas na estrutura econômica, política e social de Cuba. A esquerda revisionista e oportunista tem manifestado as “mudanças” como “oportunas”, considerando a virada que tem tomado a humanidade e que podem ser levados adiante, “sem que se perca a essência da revolução”. Os [revisionistas] mais radicais falam que as mudanças que estão ocorrendo em Cuba representam “um passo atrás na revolução”.

Nem um, nem outro

O alcance da revolução cubana desde que ela foi proposta até nossos dias esteve marcado por seu caráter democrático-burguês, com a particularidade de que no processo se incorporou ao discurso democrático uma linguagem socializante, pseudo-marxista, que por sua natureza arrastou o dito processo a transitar ao caminho revisionista. De nenhuma maneira isso nos coloca em posição de negar alguns avanços democráticos da revolução cubana, mas é imprescindível esclarecer que esses avanços definitivamente estavam muito distantes de ter fundamentos socialistas como torpemente estão sustentando seus dirigentes.

Dizer que a “Revolução” tenha dado “um passo atrás” é igualmente falso já que a revolução cubana jamais deu um salto “adiante” em torno da construção do socialismo nas condições históricas de sua aplicação, manifesta em primeira instância como Ditadura do Proletariado para seguir mais adiante o caminho ao Comunismo.

O Programa da revolução cubana, em nenhuma parte se encontra alusão alguma ao Socialismo. O proletariado como concepção ideológica e política é totalmente inexistente. O Manifesto [da revolução] se refere a uma “Frente Cívica Revolucionária”, que não concebe a sociedade dividida em classes e que entre elas existem antagonismos irreconciliáveis que se manifestam como luta de classes, motor das sociedades.

O programa não se refere a uma classe específica que administre o novo governo em função de criar um novo Estado. Pelo contrário, referindo-se basicamente a uma “figura”, um indivíduo que mais pareceria ser sacado de desígnios religiosos ou messiânicos. Obviamente, o Messias era inevitavelmente ele, Castro.

É evidente que o caráter dessa revolução não passava de reformismo burguês, não compreendiam — porque não eram marxistas — a diferença substancial entre sistema de governo com sistema de Estado. Pretendiam separar o exército do político, desde sempre, por desconhecimento do que é o Estado e a que classe ele serve. Qual é o rol político do mesmo, de seus instrumentos, como entre outros, é o caso do aparato repressivo.

Foi uma revolução democrático-burguesa dirigida pela pequena-burguesia intelectual [portanto, revolução democrática de velho tipo], para posteriormente essa revolução adaptar-se a um discurso pseudo-marxista e mudar de revolução democrático-burguesa dirigida pela burguesia à revolução democrático-burguesa dirigida pelo revisionismo, este último que nutre — e sustenta até a atualidade — a ditadura burguesa burocrática.

O marco internacional em que se desenvolveu em seus primeiros tempos a revolução cubana e particularmente a maneira de como reagiu, em segunda instância, ante ao imperialismo ianque sob o estímulo da URSS [social-imperialista], fez aprofundar alguns aspectos da revolução tais como a reforma agrária, a expropriação de importantes meios de produção da burguesia e dos latifundiários, ademais de algumas atitudes anti-imperialistas (direcionadas basicamente contra o USA) e sua “adesão verbal” ao marxismo-leninismo. Em seguida, Cuba se inscreveu na nova divisão internacional do trabalho que imprimiu a URSS e virou butim estratégico na disputa entre as potências imperialistas de então.

Posteriormente, a direção cubana representada por Fidel Castro acudiu ao chamado dos revisionistas soviéticos e assistiu à conferência da direção mundial revisionista em Moscou (1965) para planejar a divisão do Movimento Comunista Internacional em benefício da corrente revisionista soviética e em detrimento ou a busca por “debilitar” a fração correta que elaborava o Partido Comunista da China. Foi o próprio quem aproveitou a reunião de numerosos dirigentes revolucionários e a atenção do mundo sobre a Conferência Tricontinental para caluniar a República Popular da China e seus dirigentes encabeçados por Mao Tsetung.

Fidel sustentava que “as condições subjetivas em Cuba antes da revolução eram 7.010 fuzis” (e as massas? E as contradições de classe? E o aspecto ideológico?) e, arremetendo contra todo o critério marxista, sustentava que “eu, sozinho, sou capaz de fazer a revolução no Brasil”, afirmações que refletem em síntese sua arrogância e concepção pequeno-burguesa da história, do papel do proletariado, da luta de classes e das perspectivas da revolução.

Tem sido a direção cubana a que se tem apoiado cada vez mais nos pequenos proprietários do campo e da cidade sem preocupar-se com as repercussões políticas que tem este predomínio, base material do revisionismo. Não é raro que agora “tirem a máscara” e abertamente sustentem o projeto de “dar passo ao capitalismo” uma vez que nunca saíram dele, pelo contrário, o fizeram evoluir às condições particulares de sua revolução.

Caído o revisionismo soviético, era questão de tempo para que a direção cubana entrasse também em bancarrota arrastando as massas desse país para viverem no esquecimento e na miséria que hoje vivem. Não é raro que desde a bancarrota revisionista da URSS os mandatários cubanos vaguem pelo planeta buscando novos imperialismos ou países capitalistas desenvolvidos a quem entregar-se para pretender argumentar condições para sustentar a ditadura burocrática na ilha.

Enquanto a hiena Alan García assassinava o povo peruano e massacrava de maneira mais vil e matreira os camaradas do Partido Comunista do Peru nas Luminosas Trincheiras de Combate, a direção cubana o recebia com todas as honras de “chefe de estado” avalizando desta maneira seus comportamentos.

Vale mencionar que o processo cubano manejado desde 1959 até a atualidade pela direção burocrata do hoje Partido Comunista de Cuba tem jogado um negro papel nas forças revolucionárias do mundo e muito particularmente da América Latina, visando afastar as massas dos corretos exercícios revolucionários que apontem ao projeto histórico do proletariado e seus aliados.

Nós maoístas sempre valorizaremos em sua verdadeira dimensão o esforço e a luta estoica do povo cubano, no entanto, não podemos perder a perspectiva de quanto daninha e anti-histórica tem sido a condução de suas lutas nas mãos do revisionismo castrista.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de Apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro

E-mail: [email protected]om
Reuniões semanais de apoiadores
todo sábado, às 9h30

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda (licenciado)
Victor Costa Bellizia (provisório)

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão (In memoriam)
Henrique Júdice
Matheus Magioli Cossa
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação
Ana Lúcia Nunes
João Alves
Taís Souza
Gabriel Artur
Giovanna Maria
Victor Benjamin

Ilustração
Victor Benjamin