Sobre a economia política do Brexit e outras questões (conclusão)

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Concluímos aqui a publicação iniciada em AND nº 175 da profunda análise produzida pela Associação de Nova Democracia (Hamburgo, Alemanha) sobre o Brexit.

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Rebelião de negros e imigrantes que estremeceram as ruas de Londres em 2011

Repetimos, a nível do povo, da massa que é arena de contenda não somente entre revolução e contrarrevolução, mas também entre democracia burguesa reacionária (com absolutismo do executivo) ou fascismo, esta política burguesa está representada pelos social-chauvinistas (oportunistas, revisionistas, etc. no movimento operário) e os social-chauvinistas de filiação fascistas (social-fascistas), por um lado, e os representantes e grupos pequeno-burgueses que creem na possibilidade da “paz” e “democracia” na época do imperialismo, isto é, os que seguem a orientação kautskiana ainda que não a conheçam ou recordem e que, ao final, terminarão como o mesmo Kautsky: defendendo a sua “pátria” e votando os créditos de guerra, isto é, como social-chauvinistas (socialdemocratas ou social-fascistas).

No resto da UE, esta mesma divisão política se dá entre os representantes da política burguesa com o reclamo de “mais Europa e menos Bruxelas”, de “defesa da nação”, etc. e por outro lado, com “ampliar e aprofundar a UE”, etc. Isto é, “chauvinistas” e “europeístas” e, a nível do proletariado e povo, entre, por um lado, “social-chauvinistas” e “social-fascistas” e, pelo outro lado, toda classe de elementos pequeno-burgueses, anarquistas, revisionistas e oportunistas que em definitivo cerram fileiras com uma UE sob domínio alemão. Todos eles se situam no campo de seguidores da política burguesa e pretendem arrastar a massa atrás dessa política, atrás da guerra imperialista em definitivo.

Por isso, para nós, a única possibilidade de levar a cabo uma política independente do proletariado e lutar para que este dirija realmente a revolução proletária nestes países, é planteando que a questão não é entre democracia burguesa e fascismo ou a favor ou contra a UE, ou a favor desta aliança imperialista ou sua ruptura, ou de tal ou qual regime de governo e, portanto, estamos contra os chamados da “frente antifascista”. Pois todos estes chamados, por mais inocentes que pareçam, não buscam outra coisa do que defender ou mudar, segundo seja o caso, um regime ou forma de governo como expressão da mesma ditadura burguesa.

Não estamos por simples mudanças ou defesa de nenhum governo da burguesia senão que por derrubar a ditadura burguesa e estabelecer a ditadura do proletariado.

Para nós, uma vez mais, a contradição é entre revolução e contrarrevolução, entre proletariado e burguesia, entre ditadura do proletariado e ditadura da burguesia e a forma principal de luta é a guerra popular oposta à guerra contrarrevolucionária. A isso nos referimos quando dizemos que há que partir da economia política ou há que fazer a economia política do Brexit.

Em toda a Europa existem uma infinidade de organizações de toda coloração que se autodenominam como “antifascistas” e são financiadas e até organizadas pelos estados imperialistas, estes estados financiam e dão apoio organizativo a organizações fascistas e antifascistas. Ter em conta isto para entender melhor para onde apontam os interesses em conflito. Fazendo um salvo, pois também há muitas organizações antifascistas que são realmente honestas e seus membros lutam permanentemente ao lado do proletariado e povo.

Claro, na exposição anterior faltava falar sobre o tema da imigração como o “principal” motivo (leiv motiv) para os partidários e contrários do Brexit e também no resto da Europa. Diremos que este tem sido tomado para mobilizar e ganhar as massas por um ou outro lado, uns brandindo o “perigo dos imigrantes”, dos trabalhadores do leste da Europa “que nos tomam os postos de trabalho”, etc. que um setor da “aristocracia operária” sempre move, para o que tem sido agregado o perigo “muçulmano”; e os outros assinalam “a importância dos imigrantes à economia”, etc.. Isto é, uns a favor e outros contra imigração.

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O certo é que a onda migratória é um fato e não vão poder pará-la, senão que os imperialistas a agravaram com a guerra e a exploração e opressão dos países oprimidos e são seus diretos beneficiários desta “tragédia humanitária”. Ademais, como sempre tem sido na história do capitalismo e pior em sua fase imperialista, e em última etapa de afundamento e varrimento, eles necessitam explorar esta mão de obra barata que lhes proporciona mais-valia extraordinária e superlucros, não somente em seus países, senão nos mesmos países imperialistas, [por exemplo] o caso da Irlanda assinalado por Marx e logo por Lenin em relação a Inglaterra.

A Alemanha necessita 500 mil trabalhadores imigrantes por ano e a Inglaterra 180 mil. Não basta a reforma das pensões, isto é, suprimindo o direito à jubilação aos 65 ou menos nestes países e alargar a vida laboral em 4 anos mais, e baixar os índices das pensões; não basta incorporar ao mercado de trabalho milhões de mulheres que não trabalham; com isso poderiam cobrir suas necessidades de nova força de trabalho só até 2030, mas os imperialistas pensam a longo prazo, e dizem, necessitamos a cada ano um tanto de imigrantes para cobrir as necessidades de mão de obra até 2060.

Os grandes empresários (a própria oligarquia) através de gritaria dizem necessitamos imigrantes, etc., mas ao mesmo tempo, propalam através da imprensa o perigo do “terrorismo” ou da grande quantidade de imigrantes para “a identidade nacional”. Isto é, desatam uma verdadeira histeria chauvinista. Outro deles: da política, os ministérios do interior, da polícia, criam opinião pública contra a imigração e os operários imigrantes: “o perigo terrorista” semeando o chauvinismo imperialista nas massas, levantando racismo e o nacionalismo como componentes deste, e ajudando a organizar-se com homens, treinamento, dinheiro e meios materiais de diverso índole aos grupos de ação fascista ou neonazis e seus partidos e organizações. Assegurando-lhes impunidade legal para seus crimes.

Esta dupla política serve a dividir a classe entre trabalhadores nativos e trabalhadores imigrantes para conjurar a ação unificada classista do proletariado, para que este não se organize como classe única, com interesses únicos e ideologia, política e partido comunista. Em um só partido, de uma só classe e com uma só ideologia. Por isso a contradição será neste aspecto entre revolução e contrarrevolução e não entre fascismo e democracia de “esquerda” ou de “direita”, o problema não é o regime político ou forma de governo ou de que forma se exerce a ditadura burguesa, senão que acabar com esta ditadura da burguesia sobre o proletariado e o povo nestes países imperialistas mediante a revolução socialista, que se faz também mediante guerra popular e estabelecer a ditadura do proletariado e marchar ao comunismo, mediante sucessivas revoluções culturais, também com guerra popular, até que todos entremos ao comunismo.

Ficam, como se disse, muitas coisas no tinteiro sobre o que foi dito ou se vem dizendo sobre o Brexit e outras coisas conectadas, mas a deixamos para outra oportunidade.

Para terminar chamamos todos a apoiar a luta do proletariado e povo do Brasil contra o massacre olímpico, conforme o chamamento da Frente Revolucionária de Defesa dos Direitos do Povo - Brasil “Abaixo o Massacre Olímpico!”.

Associação de Nova Democracia, Hamburgo.

Julho de 2016

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