Semicolonialismo amedalhado

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Ao contrário da expressão latina “mens sana in corpore sano” (“uma mente sã em um corpo são”), com que a antiga Roma exaltava a combinação das qualidades físicas e intelectuais do ser humano, as classes dominantes do velho e podre Estado brasileiro primam por impor ao país uma cultura degenerada sob a consigna de “mentes corrompidas em corpos depauperados”.

O massacre olímpico que permitiu garantir a infraestrutura para a realização dos jogos ao lado do total descaso na preparação de nossa juventude só poderia ter como correspondência o massacre olímpico sofrido pela delegação brasileira com seu mirrado número de medalhas.

Não se trata apenas do fato de que, sabendo há sete anos da realização dos jogos no país, o gerenciamento Dilma/Temer optou por investir em “estranhas catedrais”, mas de que a política de subjugação nacional impede as semicolônias de desenvolverem uma cultura nacional, científica e de massas.

Pra gringo ver

A festa no Brasil não foi do Brasil. O cenário, o palco, os salões, a segurança, feriados, transportes e vias exclusivas, tudo foi zelosamente cuidado para impressionar a gringalhada e possibilitar o melhor ambiente para o desfrute de suas medalhas, ademais de curtir as belezas naturais do Rio de Janeiro.

Para completar o quadro de subserviência e de mentes colonizadas, os comentaristas da Globo condenaram o lutador egípcio de judô, Islam El Shehaby, que recusou-se a apertar a mão do israelense Or Sasson, com o qual acabara de lutar, por solidariedade ao povo palestino. Repreenderam a torcida brasileira que vaiou um arrogante atleta francês e, ainda, conclamaram a mesma  a vibrar com atletas estrangeiros, na falta de nacionais, criando a categoria “globalizada” de “atletas do mundo” para Michael Pheps, Usain Bolt, Simone Biles e outros.

Expressão da contradição principal no mundo

O quadro dos ganhadores de medalha não representa uma mera coincidência, mas a absoluta expressão da principal contradição no mundo, desde que o capitalismo galgou sua fase apodrecida, o imperialismo, dividindo o mundo entre um punhado de nações opressoras, imperialistas, e a imensa maioria de países explorados, coloniais ou semicoloniais.

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De todos os 206 países participantes, os dez mais agraciados, quase todos são países imperialistas, que ficaram com cerca de 517 medalhas das 968 distribuídas, enquanto as demais 451 foram distribuídas para 76 países em sua absoluta maioria coloniais ou semicoloniais.

Ganha expressão, também, o fato de 120 países não ganharem nenhuma medalha. Além do fato de serem países explorados, coloniais ou semicoloniais, salta aos olhos o fato de que, apesar de ser um evento internacional, a maioria dos jogos são de esportes desenvolvidos no ocidente, num proposital desprezo pela cultura dos povos da Ásia, África e da América Latina.

Na colônia pode

Junta-se a tudo isso o grotesco episódio envolvendo quatro atletas de natação do USA que denunciaram à imprensa terem sido vítimas de um assalto que, na verdade, não aconteceu. O imbróglio, após tomar dimensão internacional, foi devidamente apurado como uma fraude, logo confirmada pelos autores. Mas, o ocorrido é bem uma amostra da mente imperialista desses jovens, educados que foram numa concepção de que o USA é a grande potência mundial e tudo pode. Para eles o Brasil não passa de uma colônia na qual se destaca o carnaval, o futebol, a prostituição e a violência. Tanto é assim que os cidadãos americanos tiveram, diferente dos demais países, um esquema todo especial de proteção e acompanhamento no período da realização dos jogos. Na cabeça deles, aqui um gringo pode “pintar e bordar” sem sofrer qualquer admoestação. Daí a palhaçada que aprontaram, saindo praticamente impunes do Brasil.

Exaltação do individualismo

Do ponto de vista das nações opressoras, imperialistas, mais que a Copa “do Mundo” de Futebol, as Olimpíadas têm um profundo caráter ideológico por se tratar de um exibicionismo, primeiro, de suas marcas famosas e depois de sua aparente superioridade cultural, educacional e desportiva. Exibem suas medalhas numa demonstração acintosa, como se afirmassem: “Explorados de todo o mundo, recolham-se à sua insignificância”.

E, desfraldando a ideologia do individualismo, apresentam de maneira extrema o esforço individual de atletas, quase sempre negros, que seriam exemplos de superação e prova de que o indivíduo pode tudo, só depende dele. Mesmo que venha de origem humilde, que seja filho de mãe drogada e de pai alcoólatra, que more em favela, o que conta é sua vontade e seu esforço particular. Neste particular, a Rede Globo supera todas as demais em buscar em cada medalhista uma obscura vida pregressa para daí exaltar o esforço para o sucesso individual.

Lucros e perdas

A vulgarização de bilhões embolsados nos casos de corrupção no país nos faz perder a dimensão dos reais valores e dos gastos praticados. A conta total de quase R$ 40 bilhões relacionada aos gastos com a realização dos jogos, tudo indica não foram suficientes. Durante o próprio evento corria também a discussão sobre quem pagaria cerca de duzentos e cinquenta milhões para possibilitar a realização dos jogos paralímpicos. Contudo, tanto o Comitê Organizador quanto o Comitê Olímpico Internacional insistem na falácia de que o custo foi baixo e que orçamento dos jogos não estourou e não contou com dinheiro público.

Ora, para um evento promovido para transferir renda do país para meia dúzia de grupos econômicos estruturados para tal fim, tudo ainda é pouco. Mas, para uma população carente das mínimas condições de alimentação, vestuário, habitação, saneamento, transportes, educação, saúde, lazer, feitas as contas, R$ 40 bilhões poderiam muito bem ser aplicados para solucionar, em parte ou no todo, algumas destas deficiências como merenda escolar, hospitais e centros de saúde, saneamento, habitação, etc.

Não esqueçamos, porém, que o orçamento público tem um caráter de classe. Enquanto o poder estiver nas mãos do latifúndio e da grande burguesia serviçais do imperialismo, as reais necessidades do povo só servem para demagógicos discursos eleitoreiros e reformistas de fancaria.

Só a Revolução Democrática, Agrária e Anti-imperialista pode prometer e cumprir a aplicação da arrecadação dos impostos democraticamente definidos pelas massas populares na solução de suas reais necessidades.

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