Luta pela terra

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RO: operação policial contra camponeses

Com informações da LCP e resistenciacamponesa.com

No dia 05/09, a polícia de Confúcio de Moura realizou a “Operação Chave”, visando cumprir mandados de prisão contra as lideranças camponesas do Acampamento Enilson Ribeiro, situado no latifúndio Bom Futuro, no município de Seringueiras, desocupado no dia 26/08.

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PMs na desocupação da fazenda Bom Futuro, em 26/08

Até o fechamento da presente edição, 5 camponeses foram presos (4 homens e 1 mulher), mas outras prisões ainda poderão ser realizadas. As prisões ocorreram no Distrito de Santana do Guaporé, no município de São Miguel do Guaporé, no município de Alvorada d’Oeste e no assentamento para onde foram as famílias após a desocupação, em Seringueiras.

Os mandados expedidos pelo juiz da comarca de São Miguel do Guaporé são de prisão temporária, com prazo de 30 dias, sendo prorrogáveis por igual período. As lideranças camponesas foram levadas para a Casa de Detenção de São Miguel do Guaporé.

Conforme notícia publicada no site da polícia de Confúcio, os camponeses do Acampamento Enilson Ribeiro teriam cometido uma série de “crimes”, tais como: “associação criminosa”, “incêndio”  e “crimes ambientais.

A própria notícia, reproduzida por toda a imprensa venal do latifúndio no estado, deixa claro que o objetivo principal é combater a Liga dos Camponeses Pobres (LCP), enquadrando-a como uma “associação criminosa” e, consequentemente, os seus integrantes como “criminosos”, o que denota o recrudescimento na criminalização e repressão a luta pela terra e aos camponeses e suas lideranças em luta pela destruição do latifúndio em Rondônia.

Não foram solicitados ou expedidos mandados de prisão para as pessoas que simplesmente estão acampadas, e sim para aqueles que foram identificados como suspeitos de serem líderes e ordenarem os crimes supracitados, frisa a Polícia Civil.

Cerco policial a acampamento

Desde o dia 24/08, os camponeses do Acampamento Jhone Santos, no município de Ji-Paraná, estão sendo cercados e perseguidos pela Polícia Militar (PM). O efetivo repressivo que antes se concentrava no Acampamento Enilson Ribeiro, em Seringueiras, agora se volta contra o acampamento citado acima.

Os PMs fortemente armados abordam as pessoas nas estradas de acesso ao acampamento de forma violenta, ameaçando ou agredindo, revistam e fotografam crianças nos ônibus escolares que circulam pelo local, além de sobrevoar a área com helicópteros.

O Acampamento Jhone Santos, situa-se na Fazenda da Agropecuária Amaralina – sobre a qual há suspeita de ser terra pública –, ocupada desde o dia 12/04, contando com 300 famílias. O local apresenta uma horta para a subsistência do acampamento, além de uma escola para reforço educacional, cozinha comunitária e um barracão para reuniões.

Em nota, os camponeses pobres do Acampamento Jhone Santos anunciaram que não irão sucumbir frente ao terror policial, prometendo resistência contra essas medidas injustas.

Ameaças à advocacia popular

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 A advogada popular que defende juridicamente os camponeses pobres que ocuparam o latifúndio Bom Futuro, Dra. Lenir Correia Coelho, vem sofrendo constantes perseguições e ameaças, inclusive de morte, por parte das forças policiais e do latifúndio, além do cerceio da sua prática jurídica. No dia 05/09, a advogada do povo recebeu um bilhete com ameaça direta a sua vida em sua residência e, dias antes, teve a sua casa invadida.

Prisão de pistoleiros

No dia 30/08, os pistoleiros Davi Teixeira de Souza e Jaime Edson Queiroz foram presos por porte ilegal de armas no município de São Miguel do Guaporé.

Os pistoleiros foram presos na RO-481 pela polícia de Confúcio, transportando em uma caminhonete 2 espingardas calibre 12, 2 revólveres calibre 38, munição e a quantia de 30 mil reais. Os órgãos de comunicação do latifúndio no estado logo noticiaram o fato de forma a vincular esses homens a LCP, em sua sanha criminalizadora.

Davi era foragido da “justiça” e contra ele havia 2 mandados de prisão, um deles pelo homicídio da adolescente Taisa Maria Buss, que seria namorada de Manoel Messias, do seu bando, e o outro por atear fogo no Acampamento Hugo Chaves do MST, em Cacaulândia, em abril deste ano.

Conforme o jornal Resistência Camponesa, Davi trabalhou para Jair Miotto, pretenso proprietário da fazenda Fluminense, e teria participado do desaparecimento do camponês Luiz Carlos, que residia no Acampamento Élcio Machado, em 28 de novembro de 2014, sendo que o seu corpo nunca foi localizado, assim como o de Taisa.

Davi comandaria um grupo de pistoleiros, com mais de 40 homens – o que sugere que o dinheiro seria utilizado para custear a pistolagem –, prestando “serviços” aos latifundiários da região, tais como a agressão, intimidação, remoção e execução de camponeses e suas lideranças e a segurança dos latifundiários.


AL: campo e cidade contra o latifúndio

Com informações da LCP Nordeste

No estado de Alagoas, os camponeses pobres da Área Revolucionária Renato Nathan, no município de Messias e do Acampamento Canoé II, no município de Rio Largo, com a LCP vêm conseguindo resistir às ofensivas do judiciário a serviço do latifúndio e se manter vivendo e trabalhando nas terras tomadas.

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Camponeses em bloqueio da BR-101

No processo de fazer avançar a Revolução Agrária, os camponeses vêm contando com o apoio decidido de estudantes e professores, principalmente da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), organizados em centros acadêmicos, coletivos e sindicatos, mas também agindo de forma independente. Tal apoio se expressa, por exemplo, na conformação do Comitê de Apoio aos Camponeses, com o objetivo de defender o justo direito de se rebelar na luta pela terra, que chegou a redigir uma Carta Aberta, solicitando apoio para a revogação da reintegração de posse, expedida pelo juiz Claudemiro Avelino de Souza.

No dia 10/08, a aliança entre o campo e a cidade mostrou na prática a sua força. Em Maceió, na frente do Fórum da Vara Agrária, o Comitê de forma combativa e vigorosa denunciou com cartazes, faixas e falas a tentativa de despejo dos camponeses. Enquanto isso, na BR-101, camponeses ergueram barricadas e bloquearam as rodovias por cerca de 6 horas. A ação combativa das massas resultou na suspensão temporária da reintegração de posse.

Em nota divulgada no jornal Resistência Camponesa, as comunidades destacaram: “esse fato novo para o movimento camponês em Alagoas não se resume nas manifestações conjuntas, mas se caracteriza, principalmente, no fato de estudantes, professores e camponeses erguerem a mesma bandeira em defesa do direito à terra para camponeses, indígenas e quilombolas que vivem e trabalham nela, a bandeira pela destruição da concentração de terra e o fim do latifúndio. Tendo, com isso, a defesa do caminho para superar a crise instalada no Brasil: tomar todas as terras do latifúndio”.

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