Protesto operário contra demissões

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Belo Horizonte - Em 8 de setembro, ocorreu um ato na região do Barreiro, em frente à portaria da Vallourec (antiga Mannesmann) por motivo da falta de pagamento e dos direitos rescisórios de 94 operários da terceirizada Urb Topo. Na ocasião, os operários estavam há mais de 45 dias sem receber seus salários e cestas-básicas, além de terem sido sumariamente demitidos sem aviso prévio, o que é ilegal.

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Operários protestam em frente a Vallourec

A demissão de 94 trabalhadores é o resultado da continuada política de submissão em curso em nosso país. Isso porque essa multinacional produtora de tubos de aço sem costura que chegou ao Brasil através do capital alemão da Mannesmann, e hoje pertence ao grupo Vallourec, de capital francês, está encaminhando a desativação da histórica unidade de produção na região do Barreiro. A unidade será transferida para Jeceaba, no interior de Minas Gerais, em parceira com outra transnacional japonesa, a Sumitomo Metals, que tem previsão de produção de 10 milhões de toneladas por ano.

A localidade para instalação da planta industrial foi escolhida por ter proximidade com a Mina de Pau Branco, de onde virá a matéria-prima, e com a ferrovia que liga os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Esse deslocamento aumentará ainda mais os lucros da multinacional.

O senhor Ademar de Pádua, que trabalha na indústria há 29 anos e 8 meses, e sequer teve como retirar seus pertences após ser barrado por seguranças, afirmou: “Estão nos tratando pior que cachorro”. O trabalhador afirma que não tem dinheiro nem para se alimentar.

Já o pintor Elson Moreira Dias, com 23 anos de trabalho na empresa, relatou com indignação:  “As contas estão chegando e vão acumulando, já estou devendo mais de 3 mil reais e a empresa colocou a gente pra fora sem dinheiro, sem nada”. Ele paga a prestação de sua casa e é pai de três filhos.

Wilson Feliciano, também pintor, protestou: “Estou indignado por que a empresa está nos tratando feito cachorros e nós estamos fazendo essa manifestação na esperança de resolver a nossa situação, por que já fomos para o Ministério Público e a empresa só fica enrolando. Estou tendo dificuldades para manter a minha família”.

O oficial de linhas férreas Carlos Roberto, 16 anos de empresa, também relatou sua situação: “A Vallourec prendeu a cesta-básica, o pagamento está atrasado e eu tenho que pagar a passagem do bairro Terezópolis,em Betim, do meu bolso. Aí pesa, R$4,90 ida e R$4,90 volta. A minha revolta é que eles estão demorando com o acerto e o pagamento que era pra ter agora não vai ter”.

O sindicato Marreta acompanha a luta dos 94 operários e realizou duas manifestações na portaria da Vallourec nos dias 6 e 8 de setembro. No protesto do dia 8, o ato contou com o apoio de representantes da Federação Democrática dos Metalúrgicos e da Liga Operária, além da presença de todos os operários, inclusive os da administração da Urb Topo. Eles percorreram a Av. Olinto Meirele saindo da portaria 1 e foram pela Via do Minério até a portaria 5. A polícia tentou impedi-los de prosseguir, mas em vão, pois os operários estavam decididos e mostraram isso quando foram ameaçados com escopetas e bombas de efeito moral. Também há denúncias de que o chefe de segurança da Vallourec é um policial reformado. Para alguns operários, isso explicaria o número do efetivo que compareceu para tentar intimidá-los.

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Na manhã de 8 de setembro a comissão de negociação dos operários e o vice-presidente do Marreta foram para o Ministério Público Federal, para denunciarem os abusos cometidos pelo velho Estado através de seu braço armado e também cobrar providências junto ao Ministério, para que enquadre a Vallourec e a Urb Topo para pagarem os operários. A luta segue e os operários estão decididos a realizarem atos contínuos como principal forma de cobrar e fazer com que a empresa pague seus direitos.

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