IV Marcha Internacional contra o genocídio do povo preto

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Cai, orvalho de sangue do escravo,
Cai, orvalho, na face do algoz.
Cresce, cresce, seara vermelha,
Cresce, cresce, vingança feroz.

Castro Alves, Bandido Negro

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Manifestantes repudiam o genocídio do povo preto

Em 29 de agosto, centenas de filhos e filhas do povo preto tomaram as ruas de Salvador em protesto na IV Marcha Internacional Contra o Genocídio Preto, convocada pela organização Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto (Reaja!). O ato denunciou veementemente o sistema prisional e o extermínio de pretos, pobres e jovens nas masmorras do velho Estado. Também foi levantada bem alto a bandeira de boicote à farsa eleitoral sob a consigna: Não Vote, Reaja!

A preparação da marcha foi precedida por mobilizações, resistência popular contra a repressão, debates, trabalho com as massas como a construção coletiva de espaços de solidariedade em vilas, favelas e presídios e solidariedade às massas que são alvo permanente das políticas antipovo do Estado Policial.

Nenhum passo atrás!

Assim seguiu a Marcha do início ao fim. Sem dar um passo atrás. Com elevada moral, compromisso e realizando grande agitação para as massas.

“Nós não estamos aqui para reivindicar algo do nosso inimigo, nós estamos aqui pra marcar a nossa presença nessa cidade. Estamos reagindo por que nós vamos continuar vivos e vivas, orgulhosos e orgulhosas”, declarou Hamilton Borges, coordenador da Reaja!, para a população enquanto a marcha avançava.

Durante o protesto foram lembrados os 13 pretos chacinados no bairro do Cabula, na capital soteropolitana no ano passado, acontecimento marcado por declarações do gerente Rui Costa (PT) que revelou todo o seu fascismo afirmando que os policiais assassinos agiram como “um artilheiro em frente ao gol” [fonte: Correio da Bahia de 6/2/2015].

Os discursos dos ativistas denunciaram a condição de semicolônia imposta à Nação e enalteceram a necessidade de organização do povo sem nada esperar dos oportunistas que só aparecem em época de eleição.

Pessoas de outras cidades e estados do Brasil vieram até Salvador e engrossaram a marcha trazendo suas denúncias, rompendo o silêncio e o anonimato, denunciando o caráter genocida do Estado brasileiro e seus gerenciamentos de turno de norte a sul do país que, independente da sigla, promovem a política de guerra contra o povo.

Durante a marcha, um politiqueiro oportunista infiltrado foi identificado e rechaçado, expulso pelas massas sob gritos e vaias.

A marcha combativa foi exitosa, fez elevar o grito de revolta de Dallas (USA), dos subúrbios da Europa, onde milhões de imigrantes da África, América Latina e do Oriente Médio resistem ao terror imperialista.

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Não Vote! Reaja!

A Campanha Não Vote, Reaja! é resultado e expressão do crescente rechaço das massas em todo o país à farsa eleitoral e às diversas frações do Partido Único das classes dominantes que, mesmo com suas atuais brigas internas para decidir quem melhor irá servir à grande burguesia, latifúndio e aos interesses do imperialismo, se conciliam em seus banquetes tingidos com o sangue do povo preto.

A ideia de um povo “festivo” e “pacífico” não condiz com a realidade das massas na Bahia e em todo o país, em especial quando falamos do povo preto. Povo heroico que carrega o gene da rebelião contra a opressão, contra o cativeiro, contra o latifúndio e toda a exploração. Desde o criminoso rapto nada pacífico dos povos africanos transladados a ferro e fogo da África para as terras brasileiras até os dias atuais, o povo preto protagonizou levantes, revoltas e insurreições. Nunca cedeu. Combateu os opressores, vingou seus mortos, combateu os traidores.

A Campanha Não Vote, Reaja! tem promovido grande agitação e mobilização propondo que o povo se organize sob princípios do classismo e da combatividade e, nesse sentido, tem cumprido importante papel de combate a todo o oportunismo eleitoreiro, desmascarando aqueles que com discurso de “esquerda” (oportunistas, revisionistas) tentam iludir as massas e arrastá-las para o pântano do eleitoralismo.


De revolta em revolta

Esta foi a marcha de um povo forjado na resistência à escravidão, destruindo engenhos e incendiando plantações do latifúndio em todo recôncavo baiano. Povo que erigiu os quilombos para combater os senhores latifundiários e seus capitães do mato, expedindo seus guerreiros para resgatar os escravos e arrasar os latifúndios. A Revolta dos Alfaiates (1798), a Revolta dos Malês (1835) fizeram crepitar as fogueiras da rebelião popular. Foi a intrépida resistência do povo preto que obrigou as classes dominantes a encaminharem o processo conhecido como “abolição da escravatura”. Nenhuma das conquistas do povo preto ao longo de sua história foi obtida por gestos de bondade dos seus algozes.

Com o advento do imperialismo e o aprofundamento do capitalismo burocrático em nosso país, a escravidão sob o chicote deu lugar à escravidão assalariada. Após a “abolição”, os pretos rebelados deixaram de ser considerados mercadorias, mas continuaram a ser explorados e oprimidos pelo latifúndio. As classes dominantes que detém o poder político em nosso país, continuaram em seus postos explorando e oprimindo as massas. Os poucos direitos e conquistas alcançados foram frutos de muita luta e sangue. No entanto, todos os poucos direitos conquistados com luta são passivos de serem retirados quando não se tem o Poder, hoje nas mãos do velho Estado de grandes burgueses e latifundiários serviçais do imperialismo, principalmente ianque.

Mesmo com o fim do regime militar, o povo preto segue atacado de forma atroz. No campo, são milhões de camponeses pobres sem terra ou com pouca terra que resistem às hordas assassinas a soldo do latifúndio e tropas de repressão do velho Estado. Nas cidades, diuturnamente, a juventude preta, as massas proletárias, os moradores dos subúrbios e das favelas são alvo das balas assassinas e da mais venal repressão. Nos marcos do massacre continuado das massas empobrecidas de nosso país que tem no povo preto sua maior parcela, correm verdadeiros rios de sangue.

Romper os grilhões

Nos marcos da resistência do povo preto elevam-se gigantes como Zumbi dos Palmares, Dandara, o poeta maior Castro Alves, o Almirante Negro João Cândido, Zeferina, Marighella, o comandante guerrilheiro do Araguaia e militante comunista Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão, e tantos outros.

Em sua luta, o povo preto sempre teve que enfrentar seus opressores e, nesse combate, também os oportunistas que tentaram desviar sua luta. Assim também é nos dias atuais. Hoje vivemos a democracia para latifundiários e grandes burgueses e ditadura para mais de duzentos milhões dos filhos do nosso povo.  Durante os 14 anos, o oportunismo de nome PT – mais uma sigla do gerenciamento de turno do Estado semicolonial-genocida – presidiu a repressão contra o povo preto sob o manto de práticas assistencialistas, corporativistas e intensa propaganda mentirosa de “inclusão” e “governo dos pobres”, aplicando de forma brutal e ininterrupta sua política de remoções de comunidades inteiras e forte repressão, militarização de favelas, criação da Força Nacional de Segurança. No campo, durante os dois mandatos de Lula, a área dos latifundiários, conforme já noticiado na edição 170 de AND, cresceu absurdos 62,8%, quase o dobro da concentração de terras durante o regime militar e cinco vezes mais do que a gerência FHC.

É preciso ter bem claro quem são nossos aliados fundamentais e nossos inimigos para podermos ter êxito em nossa luta.

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