Notas da América Latina

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Colômbia: gerente reconhece extermínio da UP

Jaílson de Souza

Após oficializar o “acordo de paz” e lograr a capitulação da direção das Farc frente ao caminho burocrático da farsa eleitoral — situação que passa por um contratempo dada a vitória do “não” na farsa do “referendo” —, o gerente de turno da Colômbia, Juan Manuel Santos, visando garantir a estabilidade com os setores resistentes à entrega das armas, assumiu a responsabilidade do velho Estado colombiano no extermínio da União Patriótica (UP). Santos afirmou: “A perseguição dos membros da UP foi uma tragédia que levou a sua desaparição como organização política e causou um dano indizível a milhares de famílias e à nossa democracia. [...] Me comprometo a tomar todas as medidas e dar todas as garantias para que nunca mais uma organização política volte a enfrentar o que sofreu a UP” (itálico nosso).

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Mais de 3000 militantes foram assassinados

O bom genocida

A União Patriótica (UP) foi uma sigla eleitoral surgida nos anos 1980 da capitulação de diversos grupos guerrilheiros colombianos ao velho Estado, que ofereceu em troca sua incorporação aos aparatos burocráticos. Quando depuseram as armas, foram aniquilados, parte por parte, pelas forças de repressão ou por paramilitares e traficantes de drogas a mando do velho Estado.

Enquanto pede “desculpas” e chora lágrimas de crocodilo, Santos, à frente do velho Estado, segue aplicando a mais sanguinária ofensiva militar às outras organizações guerrilheiras que também estão ou estavam em conversações de paz (principalmente o Exército de Libertação Nacional – ELN), resultando, no caso desta organização, em execuções sumárias e extrajudiciais de sete militantes nos últimos meses.

Tudo isso é mostra do desrespeito permanente e continuado do velho Estado para com sua própria “constituição” que, agora, hipocritamente, alardeia tanto honrar e tomar como mando; evidencia ademais que nada mudou na sua prática.

Essa é, tem sido e sempre será a política genocida de um velho Estado nessas situações: com uma mão aplica o terror genocida e, com a outra, oferece a capitulação completa. Cabe lembrar que, caso a capitulação — militar e também política — não seja cumprida a seu gosto, volta-se a aplicar o genocídio – tal como ensinou a história da União Patriótica.


México: protestos acuam gerente de turno

Atolado em escândalos de corrupção – que são inerentes ao velho Estado –, crise econômica e repressão contra as massas, o gerente de turno Enrique Peña Nieto é alvo de amplos protestos que pedem a sua renúncia, tendo as camadas médias tomado a dianteira.

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Mulheres protestam exigindo justiça

Em 15 de setembro, milhares saíram às ruas na Cidade do México e foram impedidos de seguir seu trajeto pela polícia.

A popularidade do atual gerenciamento está tão baixa que apenas dois em cada dez mexicanos aprovam sua gestão. Toda essa crise se materializa no rechaço à gerência de Peña Nieto, mas, ao fundo, é parte do rechaço das massas (inclusive suas camadas médias) ao velho Estado e aos efeitos da dominação imperialista no país. Não à toa, a crise se agravou quando o mesmo se sentou com Donald Trump, candidato à presidência do imperialismo ianque, e protagonizou um ridículo episódio de subjugação – conforme noticiamos em AND nº 177.

Caso dos 43 estudantes

Parte do desgaste do velho Estado está também na farsa de investigação sobre o brutal crime cometido contra 43 estudantes sequestrados e desaparecidos (certamente assassinados) por atuarem nas lutas populares, que completou dois anos dia 27. Eles eram alunos da Escola Normal de Ayotzinapa, no estado mexicano de Guerrero.

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Repressão policial arbitrária contra marcha

Milhares de pessoas, juntamente com os pais dos 43 estudantes, marcharam em 27 de setembro, na Cidade do Mexico, para denunciar este crime cometido pelo velho Estado mexicano e exigiram que os jovens fossem encontrados vivos. Em outro protesto em Chilpancingo, caminhões de transnacionais foram saqueados e os produtos distribuídos ao povo.

Antes, o chefe da investigação, Tomás Zerón, apresentou sua renúncia na tarde de 14 de setembro. Ele era chefe da Agência de Investigação Criminal da Procuradoria (promotoria) Geral da República (PGR) e estava sendo investigado por ligação (direta ou indireta) com os crimes.


Argentina: FMI chega para mandar

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O gerente de turno Mauricio Macri prossegue seu sinistro pacote de “ajustes” ditado pelo imperialismo para “recolocar a Argentina no mercado”, isto é, aprofundar ainda maior da subjugação ao imperialismo, principalmente o ianque.

Macri anunciou que a política econômica da sua gerência será submetida ao exame do Fundo Monetário Internacional (FMI), famigerado carrasco dos países de terceiro mundo, particularmente na América Latina, pelos desastres cometidos com seus pacotes de medidas econômicas.

Essa política externa do velho Estado argentino promete resultar numa potencialização ainda maior da luta popular no país, já que aplica as mais draconianas medidas antipovo sem nenhuma intenção de discursar à “esquerda” – tal como a última gerente de turno, Cristina Kirchner.

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