Notas internacionais

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USA: ataques a bomba e a guerra imperialista

Ataques no seio do imperialismo ianque foram realizados (principalmente a bomba) em Manhattan (Nova Iorque), Nova Jérsei e Minnesota entre os dias 17 e 18 de setembro. As motivações, embora não confirmadas, apontam para mais uma resposta de setores das massas de imigrantes pobres provenientes do Oriente Médio, sob direção do grupo Estado Islâmico, contra a guerra imperialista promovida pelo imperialismo ianque em toda aquela região, mas principalmente contra Síria e Iraque nos últimos anos.

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O principal ataque ocorreu às 20h30min, em Manhattan, Nova Iorque, em 17 de setembro, às vésperas da assembleia geral da ONU que ocorreu dois dias depois. Vidraças dos prédios e janelas dos carros foram destruídas e uma pessoa acabou gravemente ferida. O resultado poderia ter sido ainda maior, pois várias bombas foram encontradas pela polícia ianque antes de serem detonadas.

Um dia depois, o governador de Nova Iorque qualificou o ataque como um “ato terrorista”, mas mostrou-se reticente em ligá-lo às forças que atuam contra a guerra imperialista na Síria – o que eles chamam de “terrorismo internacional”.

Em 19 de setembro, o responsável por esse ataque foi detido pela polícia ianque após intensa troca de tiros, que resultou em dois policiais feridos, além do próprio. Seu nome é Ahmad Khan Rahami, homem de 28 anos, nascido no Afeganistão, mas com cidadania estadunidense.

Outros ataques

Em Nova Jérsei, horas depois do ocorrido em Manhattan, uma bomba explodiu dentro de uma lixeira. O local onde ocorreu o ataque seria palco de uma tradicional corrida anual em homenagem aos “veteranos de guerra”. Dado o atraso do evento, ninguém resultou ferido.

Em 17 de setembro, um homem atacou pessoas a facadas num shopping em Minnesota, deixando oito feridos. O Estado Islâmico assumiu a autoria do ataque e reivindicou-o como um ataque aos países da “coalizão internacional” — responsáveis por impulsionar a guerra imperialista no Oriente Médio.

Em 19 de setembro, em Elizabeth, localidade em Nova Jérsei, a 25 km de Manhattan, foi detonada uma bomba dentro de uma mochila que estava sendo analisada por um robô antibomba. Ninguém ficou ferido na ocasião.

Mais de 1.000 agentes policiais foram deslocados para Nova Iorque e operações policiais e interrogatórios hollywoodianos estão sendo preparados e realizados.


Ianques praticam guerra em casa

A polícia ianque voltou a ceifar vidas negras na última quinzena. Primeiro, em 15 de setembro, a polícia de Columbus, em Ohio, assassinou à queima roupa o menino negro Tyreen King, de 13 anos, enquanto ele brincava com uma arma de brinquedo. Tyreen chegou a ser levado a um hospital infantil, mas faleceu.

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Terence Crutcher

A família do menino rechaçou a falsa justificativa dada pela polícia — de que o jovem teria participado de um assalto e tentado surpreender os policiais com seu brinquedo —, que, para além de absurda tentativa de criminalizar a criança, também está “fora de contexto”.

“Ele era um cara mau”

Cinco dias depois (20), uma agente da polícia genocida de Tulsa, em Oklahoma, assassinou um homem negro desarmado. O homem, chamado Terence Crutcher, 40 anos,  havia parado na estrada por problemas mecânicos em seu carro, quando foi cercado pela polícia. Na abordagem, a policial, acompanhada por outros dois agentes e por um helicóptero, atirou à queima-roupa num momento em que Terence baixou os braços. Depois, o deixou perdendo sangue no chão até morrer.

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Marcus Peters ergue o punho durante execução do hino do USA

A irmã da vítima, em resposta a um policial que descreveu Terence como “um cara mau”, desabafou: “Estamos devastados, toda a família está devastada. Esse ‘cara mau’ era pai, era filho, estava matriculado na Universidade Comunitária de Tulsa para nos deixar orgulhosos...”. Tudo indica que, como de costume, a “justiça” ianque não será aplicada aos policiais assassinos com o mesmo rigor que ao povo.

Personalidades negras denunciam genocídio

Várias personalidades têm denunciado a seu modo o genocídio imperialista contra o proletariado mais profundo do USA, principalmente negro. O jogador de futebol americano Marcus Peters ergueu o punho durante a execução do hino ianque, enquanto vários jogadores do time Miami Dolphins ajoelharam para denunciar os assassinatos. Colin Kaepernick, também jogador, ajoelhou-se durante o hino e chegou a receber ameaças de morte, o que, segundo ele, “deixa claro o que ocorre [o problema racial no USA]… e fará crescer o movimento [contra o racismo] ainda mais rápido”.


Rebelião combate o genocídio

Um assassinato praticado pela polícia ianque em 20 de setembro, em Charlotte, Carolina do Norte (USA), fez transbordar o ódio de classe da juventude negra acumulado de tantas mazelas e desgraças impostas pelo imperialismo, convertendo-se em uma grande rebelião, tal como as várias outras que se produziram no decorrer deste ano pelas mesmas razões.

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Manifestante encara repressão em Charlotte

O homem friamente assassinado pela polícia ianque era negro, tinha 43 anos, e foi identificado como Keith Lamont Scott. Segundo os policiais assassinos, Keith estaria portando uma arma, versão desmentida pela irmã da vítima que estava presente no local. Segundo ela, no momento da abordagem Keith estava desarmado e apenas lia um livro enquanto esperava o ônibus escolar chegar com seu filho. Ela também narrou como foi a abordagem e afirmou que os policiais atiraram deliberadamente assim que saltaram da viatura. Vídeos divulgados mostram o momento da execução e confirmam a versão da família.

Revoltada, a juventude proletária bloqueou uma estratégica rodovia interestadual e entrou em confronto com a polícia numa rebelião que durou vários dias seguidos. Cartazes denunciavam o permanente genocídio da juventude e do proletariado — principalmente negro — pelo Estado, enquanto a multidão gritava a palavra de ordem “sem justiça não há paz”. Durante os dias de rebelião, mais de 19 policiais ficaram feridos pela juventude que destruiu viaturas e atacou os agentes da repressão com pedras, tijolos e o que tinha às mãos, buscando vingar o sangue derramado de Keith. Agentes do monopólio de imprensa no USA também foram rechaçados. Um hipermercado da rede imperialista Wal-Mart foi saqueado. Um homem que participava do protesto foi baleado pela polícia.

Em 21 de setembro, após mobilizar unidades “antidistúrbios” e grande contingente policial sem sucesso, a prefeitura foi além e decretou “estado de emergência” chamando a Guarda Nacional para reprimir a incontível e justíssima ação das massas.

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