Líder comunitário é preso no Juramentinho

No dia 21 de março, policiais civis invadiram a casa do presidente da Associação de moradores do Morro do Juramentinho, em Vicente de Carvalho, Zona Norte do Rio de Janeiro. Sebastião Jorge Fortunato, de 52 anos, foi arrastado para fora de casa na presença de sua esposa e levado pela polícia sob a acusação de “associação para o tráfico de drogas”. Isso porque Fortunato, além de um grande mobilizador, sempre lutou contra os abusos cometidos pela polícia nas operações que acontecem na favela e sempre rejeitou o apoio de políticos e candidatos, alertando sempre os moradores para os interesses obscuros desses falastrões.

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Piscina construída para crianças da comunidade

Recentemente, a equipe de reportagem de AND conversou com a esposa de Fortunato, Gilda da Silva, de 48 anos, que denunciou a arbitrariedade e falou como a prisão do presidente da Associação de moradores desmobilizou a população do Morro do Juramentinho. Depois de seis meses de luta pela liberdade de seu companheiro, Gilda se disse desacreditada diante da negativa do velho Estado ao pedido para que Fortunato respondesse ao processo em liberdade.

— Nós estávamos dormindo quando a polícia entrou na nossa casa gritando, torceram o meu braço e algemaram o Fortunato. Falaram para ele colaborar e se dar por satisfeito porque a ordem era levar ele morto. Ele foi acusado de associação para o tráfico por conta de uma piscina que ele construiu no Morro do Juramento junto com os moradores em um mutirão. A imprensa disse que a piscina é do tráfico, mas todos sabem que não é e, até hoje, as crianças brincam naquela piscina — conta Gilda.

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— O Fortunato mobilizava a favela para resolver seus problemas em mutirão. Assim ele agitou os moradores para fazerem o asfaltamento, a distribuição de água por bombas, um campo de futebol, tudo através de trabalho coletivo. Mas o que incomodava mesmo era a atuação dele para inibir a violência da polícia, porque todos nós sabemos que quando a polícia entra na favela, os policiais não respeitam o morador, arrombam portas e até subtraem objetos das casas. O Estado não faz nada por nós e quando nós mesmos metemos a mão na massa, sem políticos, e fazemos nossas coisas, nossa liderança é presa. Colocaram ele em um processo como traficante com duas pessoas que ele nunca viu na vida e negaram até o direito de responder em liberdade. Um absurdo — protesta a esposa de Fortunato.

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