RO: velho Estado remove camponeses

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No dia 18/10, uma grande operação das forças policiais do velho Estado burguês-latifundiário despejou cerca de 300 famílias camponesas do Acampamento Jhone Santos, situado na Fazenda Santa Aline, no distrito de Rondominas, município de Ji-Paraná (RO).

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Megaoperação policial montada para reprimir os camponeses

A megaoperação, que evidencia a escalada fascista do velho Estado, contou com o 2º Batalhão da PM, a Companhia de Operações Especiais (COE) da Polícia Civil, o helicóptero do Núcleo de Operações Aéreas (NOA), do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar Ambiental, além de membros da Ouvidoria Agrária Nacional.

Na ação covarde, o Batalhão de Choque da PM lançou spray de pimenta e efetuou disparos de bala de borracha contra os camponeses, que não se intimidaram com o grande efetivo policial e o seu armamento. Com rostos tampados para evitar a identificação das forças policiais — considerando a grande participação destes em grupos de pistolagem —, os camponeses resistiram e recusaram-se a sair das terras, que alegam ser públicas.

Após horas de resistência, o mandado de reintegração de posse foi cumprido, sendo que todos os camponeses foram conduzidos para a delegacia do município, onde foram identificados e alguns camponeses foram presos, não sendo revelado o motivo da prisão.

A identificação dos camponeses é um fato agravante, pois permite a perseguição e o assassinato destes por pistoleiros a soldo de latifundiários da região.

Além disso, os policiais criminosamente queimaram documentos e pertences de centenas de camponeses, além de destruírem a roça coletiva, com mais de 5.000 pés de mandioca.

O Grupo Amaralina, do qual o dono vive no USA, pretenso proprietário da Fazenda Santa Aline, registra em documento que a área total é de 2.000 hectares, porém, ocupa uma área superior a 16.000 hectares, o que indica que ao menos 14.000 hectares foram grilados.

Novamente o judiciário, em conluio com a PM da gerência estadual de Confúcio Moura (PMDB) comandada pelo coronel Ênedy Dias de Araújo, realizou uma megaoperação militar para despejar camponeses no município de Ji-Paraná. Novamente o velho Estado responde ao anseio dos camponeses por terra com repressão, despejo e prisões.

Cabe destacar que, em 24 de maio, quatro estudantes e um professor foram injusta e arbitrariamente detidos por realizar uma panfletagem em apoio a luta dos camponeses pobres do Acampamento Jhone Santos, fato que foi repudiado nacional e internacionalmente por várias organizações democráticas e revolucionárias, obrigando a PM reconhecer o caráter ilegal das detenções.

Ademais, em junho deste ano, dezenas de camponeses dos Acampamentos Monte Cristo e Jaú haviam sido removidos e, também nestes dois casos existe a suspeita das terras serem de propriedade da União, mas que foram griladas por latifundiários.

Ameaça de despejo

No dia 09/09, o juiz agrário Jorge Luiz dos Santos Leal da 4ª Vara Cível de Porto Velho, estabeleceu um prazo de trinta dias ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e ao Programa Terra Legal para informar se há algum processo em andamento para a compra ou negociação da área, onde situa-se o Assentamento Canaã. Passado o período estabelecido e não havendo pronunciamento, será cumprido a reintegração de posse, o que consistirá na nona tentativa de despejar a comunidade camponesa.

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Camponeses preparados para resistir às provocações da PM

O juiz citado é o mesmo que determinou a sentença de remoção dos camponeses do Acampamento Enilson Ribeiro, no município de Seringueiras.

O Assentamento Canaã, localizado entre os municípios de Jaru e Ariquemes, conta com cerca de 120 famílias, que desde 2003, ocupam o latifúndio de 3.600 hectares, vivendo, produzindo em suas terras e lutando contra a ofensiva de latifundiários locais e seus bandos paramilitares.

O Assentamento Canaã apresenta uma das maiores produtividades de Rondônia, baseando-se na organização dos camponeses pobres, sem o apoio dos órgãos do velho Estado, com seu financiamento e assistência técnica.

Prisões políticas

Os cinco camponeses do Acampamento Enilson Ribeiro presos na “Operação Chave”, no dia 05/09, permanecem presos na Casa de Detenção de São Miguel do Guaporé. Ainda existe a possibilidade de novas prisões, inclusive contra a advogada que os defendeu, a Dra. Lenir Correa.

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As prisões têm por objetivo desqualificar e criminalizar a LCP, responsabilizando-a pela violência que ocorre na luta pela terra em Rondônia. Com isso, busca-se ocultar o papel nefasto dos latifundiários e seus bandos paramilitares, que ameaçam, perseguem, atacam e assassinam todos aqueles que lutam pela terra ou apoiam essa luta, o que explica o fato do estado apresentar o maior número de mortes em conflitos agrários do Brasil.

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