Venezuela: Pugnas e acordões revelam podridão ‘bolivariana’

A crise do capitalismo burocrático na Venezuela e a crise geral do velho Estado venezuelano tomou contornos mais agudos em fins de outubro e início de novembro deste ano. O crescimento da pugna entre grupos de poder potencializou a luta das massas, cujo temor da grande burguesia levou a um acordão entre gerência oportunista e “oposição”.

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Juventude engrossa protestos contra gerência oportunista; crise se aprofunda

Cresce a pugna

A situação testemunha um auge na pugna já em 23 de outubro, quando, numa sessão extraordinária conduzida pelo parlamento venezuelano dominado pela fração compradora da grande burguesia, foi aprovado a resolução que declara ter havido “uma ruptura da ordem constitucional” e “golpe de Estado” promovido por Maduro, encaminhando assim solicitação à “comunidade internacional” (leia-se imperialismo ianque) pedindo garantia “dos direitos do povo venezuelano”. Essa atitude se deu quando os órgãos da justiça eleitoral revogaram o prosseguimento do referendo que iminentemente removeria Maduro de seu posto.

Três dias depois (26), o mesmo parlamento decidiu pela abertura de um julgamento sobre a “responsabilidade política de Maduro”, descobrindo o caminho para solicitar seu alijamento do cargo. O parlamento chegou a ordenar a presença de Maduro na sessão.

No mesmo dia, a “oposição” da fração compradora reunida em torno da “Mesa de Unidade Democrática” (MUD), buscando agitar as massas para pressionar a fração burocrática, convocou uma greve geral de 12 horas e uma grande marcha a Miraflores que ocorreria em 3 de novembro, pela reativação do referendo. A greve, que acabou tendo baixa adesão, foi repreendida pelo gerenciamento que ameaçou intervir e ocupar as empresas que aderissem.

Conluio e podridão

Logo após a escalada da pugna entre as frações da grande burguesia, sucedeu-se o conluio entre elas. Em 30 de outubro, uma reunião em um Museu de Caracas abriu conversações que resultaram num acordão entre as duas bandas em briga, devidamente supervisionado pelo diplomata ianque Thomas Shannon e mediado pelo Vaticano. Desse acordão saiu a resolução da “oposição” por suspender o julgamento contra o Maduro e a marcha a Miraflores – marcha que envolveria grande quantidade de massas e alimentaria a sua mobilização.

Essa situação, reveladora da verdadeira essência do oportunismo na gerência de turno do velho Estado venezuelano, deu também sobrevida temporária à podridão “bolivariana”. Comprova, ademais, que não há uma verdadeira polarização entre revolução e contrarrevolução no meio dessa putrefata pugna entre frações da grande burguesia e que ambas servem aos ianques.

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