VI Seminário Internacional sobre Capitalismo Burocrático - Entrevista com Prof. Amit Bhattacharyya

A equipe de AND entrevistou durante o VI Seminário Internacional sobre Capitalismo Burocrático o professor indiano do Departamento de História da Universidade de Jadavpur, Calcutá, Amit Bhattacharyya. Destacado intelectual, democrata e defensor dos direitos dos povos na Índia, o professor Amit nos falou sobre a heróica resistência do povo indiano, sobre a Guerra Popular dirigida pelo Partido Comunista da Índia (Maoísta), a repressão do velho Estado contra os democratas e revolucionários da Índia, além do cinquentenário do levante de Naxalbari.

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Sobre Naxalbari, o professor nos explicou resumidamente a história e a  importância deste levante para o processo revolucionário indiano:

— Naxalbari é o nome de uma vila no distrito de Darjeeling, no norte de Bengala, Leste da Índia. Esta área, que ficou registrada na história, cobre de três a quatro delegacias de polícia, e se localiza no pé das montanhas do Himalaia, onde as plantações de chá são abundantes. Nesta região, Charu Mazumdar, seguindo o caminho traçado por Mao Tsetung, organizou os trabalhadores das plantações de chá e camponeses contra as forças feudais. Eles formaram comitês de camponeses e se revoltaram contra a liderança revisionista do Partido Comunista da Índia (Marxista) — PCI(M). Oito artigos conhecidos como os “Oito Documentos”, escritos por Charu Mazumdar durante 1965-67, formaram as bases ideológicas do movimento Naxalbari — explicou o professor Amit.

— Nos “Oito Documentos”, Charu Mazumdar resolveu algumas questões cruciais da estratégia e tática da revolução na Índia. Primeiramente, sustentou a teoria marxista de que a violência é parteira da velha sociedade grávida de uma nova. Foi rejeitado o caminho do pacifismo e parlamentarismo para o socialismo e expôs a teoria revisionista da “transição pacífica” que dominava o movimento comunista na Índia. Em segundo lugar, guiado pelo pensamento mao tsetung, Charu Mazumdar sustentou que a revolução na Índia deveria ser prolongada. Afirmou que, devido ao desenvolvimento desigual econômico, social e político, o poder não poderia ser conquistado através de insurreições urbanas, mas somente através da Guerra Popular Prolongada — com a criação de bases de apoio (áreas libertas) no interior culminando na tomada do poder completa do país. Terceiro, ele também enfatizou o papel dos camponeses na revolução indiana, cujo principal conteúdo seria a Revolução Agrária, e apontou que com a liderança do proletariado os camponeses seriam a força principal da revolução. Ele também salientou que a intelectualidade pequeno-burguesa poderia cumprir um papel revolucionário integrando-se às massas trabalhadoras.

— Em 24 de maio de 1967, um grande contingente policial, sob o governo da recém-formada Frente Unida WB, composta pelo PCI(Marxista), PCI, congresso de Bengala e outros tentaram entrar em uma vila que estava empreendendo uma nova luta. Os camponeses resistiram com arcos e flechas. Após a morte de um oficial de polícia, as forças policiais retornaram ao vilarejo e atiraram contra uma reunião de mulheres quando os homens estavam afastados e mataram onze pessoas, incluindo oito mulheres e dois bebês. Após este acontecimento a mensagem do movimento Naxalbari espalhou-se por toda parte e levantou ondas de lutas — tanto nos campos ideológico e prático — através do país.

O professor explicou ainda o grande impacto do movimento Naxalbari sobre o movimento comunista da Índia, mostrando o caminho da Revolução Agrária como necessário. E que este se desenvolveu e avançou todo tempo em feroz luta contra o revisionismo.

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