Venenos na Agricultura: resultado da subjugação semicolonial do Brasil

A- A A+

http://anovademocracia.com.br/180/11.jpg

Recentemente uma notícia veiculada pelos monopólios de imprensa fez com que as atenções se voltassem para a indústria química: a compra, por 66 bilhões de dólares, da Monsanto (estadunidense) pela Bayer (alemã). Foram meses e meses de negociações, até que, em 14 de setembro, o anúncio foi feito. Com essa compra, a Bayer passa a dominar mais de um quarto do mercado mundial de sementes e agrotóxicos.

Em dezembro de 2015 outras duas gigantes, Dow Chemical e DuPont (ambas estadunidenses) fecharam acordo para uma fusão de 130 bilhões de dólares.

Em fevereiro de 2016 foi anunciada a venda da suíça Syngenta para a estatal chinesa ChemChina, por 46 bilhões de dólares.

Até o final de 2015, 6 empresas da indústria química controlavam o setor da agricultura (produção e distribuição de agrotóxicos, sementes transgênicas, etc.): Bayer, Basf, Syngenta, Dow, DuPont e Monsanto. As fusões, no entanto, fazem diminuir ainda mais esse número. As fusões são parte da fase imperialista do capitalismo, em que a livre concorrência é substituída pelo monopólio e as empresas alternam entre a pugna (luta por mercados) e conluio (cartéis, fusões, trustes).

A indústria química

Um pequeno grupo de empresas poderosas, transnacionais e multimilionárias produz e distribui agrotóxicos pelo mundo. Esse ramo industrial foi o maior herdeiro das tecnologias desenvolvidas nos períodos das grandes guerras imperialistas, quando diversos agentes químicos foram criados com um objetivo claro: matar. Terminada a guerra, mas não terminada a sanha pelo lucro, deslocaram a produção para outro mercado consumidor: as pessoas comuns, que cuidam de seus jardins e querem ver suas casas livres de insetos, e, principalmente, para os agricultores, que querem ver suas lavouras livres de pragas.

Em 1962, Rachel Carson, bióloga estadunidense, enfrentou o preconceito por ser mulher, por não ter título de doutorado, por não ser empregada de nenhuma grande indústria, e lançou o livro “Primavera Silenciosa”. Essa obra traz de maneira magistral uma compilação de todo o mal causado pelos venenos químicos, utilizados indiscriminadamente em todo o mundo. O livro causou escândalo, tendo a bilionária indústria química respondido com a desqualificação de Carson, a fim de desacreditar, em consequência, sua pesquisa.

Outra polêmica com a indústria química foi causada pela utilização do 2,4-D na produção de agrotóxicos, agente químico que compunha o Agente Laranja, herbicida bombardeado pelos USA no Vietnã de 1961 a 1971, visando desfolhar as florestas e que, ao longo dos anos, foi responsável por doenças e mortes de vietnamitas, cambojanos, outros povos da região e também de coreanos.

A Dow Chemical fez campanha para tentar dissociar os agrotóxicos utilizados hoje do Agente Laranja, afirmando que a dioxina (outro componente do Agente Laranja) que foi o responsável pelas doenças, malformações de crianças, câncer e mortes, e não o 2,4-D. Mas cientistas sérios, não comprometidos com os interesses da indústria química, afirmam que o 2,4-D, mesmo sem contato com a dioxina, é responsável sim por grande parte desses males.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

Brasil: campeão no consumo de agrotóxicos no mundo

Desde 2008 o Brasil assumiu a liderança mundial no uso de agrotóxicos. E nota-se que existe uma ascendente na utilização destes produtos no país: dados divulgados em abril de 2012 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) revelam que, nos dez anos anteriores, o mercado mundial de agrotóxicos cresceu 93%, enquanto o mercado brasileiro cresceu 190%.

Diversas pesquisas têm confirmado que os males causados pelo uso massivo de agrotóxicos na agricultura são muito grandes: no Brasil, de 1999 a 2009 houve, em média, 170 mortes por ano, causadas por intoxicação com agentes químicos; e o número de intoxicados foi, em média, de 5.600 por ano (uma intoxicação a cada 90 minutos). Pesquisa realizada no município de Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso, analisou amostras de leite de 62 nutrizes que se encontravam amamentando da segunda à oitava semana após o parto. Em todas as amostras foram encontrados pelo menos um tipo de agrotóxico analisado.

A semicolônia atende às ordens do imperialismo

Observa-se que essas empresas têm total abertura do mercado brasileiro e não teriam conseguido se enraizar tão bem no Brasil não fosse um conjunto articulado de medidas governamentais e legislativas, em particular o “crédito rural” subsidiado pelos gerenciamentos de turno.

Essa abertura foi iniciada no regime militar, quando, em 1965 foi criado o Sistema Nacional de Crédito Rural, o qual vinculava a obtenção de crédito agrícola à obrigatoriedade de compra de agrotóxicos. Em 1975, foi criado no âmbito do II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), o Programa Nacional de Defensivos Agrícolas, o qual garantiu recursos financeiros para a criação de empresas nacionais, mas principalmente a instalação de subsidiárias transnacionais de insumos agrícolas.

Além de medidas que obrigassem os agricultores a consumir os agrotóxicos e que facilitaram a abertura de subsidiárias das empresas de insumos agrícolas no país, é importante observar que a legislação brasileira permite a utilização de diversos agrotóxicos que são proibidos de serem utilizados na União Europeia, USA e Canadá. Assim, os insumos são produzidos nesses países, mas aplicados noutros como o Brasil. Os lucros vão para as potências imperialistas, os prejuízos ambientais, sociais, econômicos ficam nas colônias.

A partir desta análise, torna-se claro que a luta contra a imposição dos agrotóxicos é parte da luta dos camponeses, revolucionários, progressistas e democratas, contra o latifúndio e o imperialismo. O fato de o Brasil ocupar o 1º lugar de consumo desses produtos é expressão de sua condição semicolonial, assim como as estatísticas de recordes de produção de grãos só reforçam a condição de nosso país como exportador de commodities baseado na velha plantation colonial: monocultura voltada para exportação baseada nas mais atrasadas relações de produção, a serviço do aprofundamento da semifeudalidade e da dominação imperialista.

Coloca-se, mais que nunca, como justa e urgente, a tarefa de se defender e aplicar o “Programa Agrário de Defesa dos Direitos do Povo”, formulado no documento “Nosso Caminho” da LCP, para se promover uma transformação radical do campo em nosso país:

“O Programa Agrário Revolucionário da Liga dos Camponeses Pobres tem 4 (quatro) tarefas ou pilares fundamentais:

  1. Tomada das terras e destruição dos latifúndios pelos camponeses pobres organizados e distribuição das parcelas de terra para os camponeses pobres sem terra ou com pouca terra;
  2. Libertação das forças produtivas do campo através da eliminação de todas as relações de produção baseadas na exploração do homem com a adesão voluntária à Ajuda Mútua e outras formas de cooperação;
  3. Organização e exercício do Poder Político pelas massas nas áreas tomadas;
  4. Nacionalização e estatização das grandes empresas capitalistas rurais nas áreas tomadas e com o avanço da Revolução”.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja