Aos eleitos o Inferno

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Cumprindo seu papel diversionista, o monopólio da imprensa, com seus analistas de meia tigela, tem atuado para dar sentido diverso do real resultado da última farsa eleitoral.

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Povo incendeia a prefeitura de Coari (AM) durante revolta popular em 2015

Após o susto com o acachapante rechaço à farsa eleitoral e vitorioso boicote, passaram a badalar a ideia de que houve uma virada à direita. Afirmativa tão inconsistente que uma articulista do jornal O Estado de São Paulo teve que afirmar que não era bem assim, uma vez que o Brasil nunca teria sido de esquerda. Observação lúcida para este meio que dorme acordado para não sonhar com o comunismo. Na verdade, só os imbecis incuráveis e reacionários de carteirinha consideram que os treze anos de gerenciamento petista, com sua política populista e de subjugação nacional, tinham algo de esquerda.

Partindo deste sofisma, derivaram para cacifar o PSDB, não só como o grande vitorioso do processo recém concluído, mas também como aquele com maiores chances de ganhar as eleições de 2018. Se é verdade que nas eleições presidenciais de 2014 o PT ressuscitou o PSDB já bastante debilitado, ao escolher Aécio para o confronto do segundo turno, centrando ataques demolidores em Marina para criar a falsa polarização entre “esquerda e direita”, também é verdade que as recentes eleições municipais foram a última chance dada a este monturo da politicalha (todas as siglas partidárias do processo eleitoral) pela maioria de um eleitorado, cada vez mais reduzida e cada dia mais incrédula. Então vejamos:

Municípios quebrados

A imprensa diária tem nos relatado situações jamais vistas nas administrações municipais, tais como fechamento de hospitais e postos de saúde, atraso no pagamento de servidores chegando a três ou quatro meses, serviços de limpeza pública paralisados, fornecedores em atraso de até seis meses e outras mazelas derivadas da crise que se abate sobre o conjunto da economia nacional.

Esta situação, inclusive, levou à derrota grande quantidade de prefeitos que tentaram a reeleição, outros, nem tentaram. Em declaração ao jornal Folha de São Paulo o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, referindo-se à recente encenação da farsa eleitoral, afirmou que “neste ano estar com a máquina pública derrotou ‘e não ajudou’ quem concorreu, que precisou lidar com o desgaste de um período de receitas públicas em queda.”

Teto dos gastos

Ainda o Presidente da Federação dos Município, analisando a situação sob a ótica da proposta de Temer de limitar os gastos públicos, ressalta que “não há perspectiva de aumento de receitas e a situação deve se agravar com a proposta do teto de gastos públicos, em tramitação no Congresso.”

O quadro que se delineia para 2017 é que a imensa maioria dos prefeitos terá seu primeiro ano à frente do Executivo com orçamento de receitas menores, corte de investimentos e gastos com dívidas mais altos. Uma situação que tende a piorar diante da profunda crise de desemprego e queda de renda da população que provocam a migração de muitas famílias que utilizavam serviços de saúde, educação e transporte particulares para o setor público.

Como, além dos municípios, os estados e a própria União estão quebrados, a falta ou a baixa qualidade de seus serviços repercutem, sem dúvida, no município onde o cidadão mora.

Veja-se o caso do estado do Rio de Janeiro com o pacote de maldades do gerente de turno Pezão buscando jogar nas costas do funcionalismo e da população mais pobre o peso da crise.

Cobrança das promessas

Como vaticinou o presidente da Confederação dos Municípios: o discurso da “mudança” foi marcante nessa eleição. “Ocorreu em cima de propostas que não vão ser cumpridas. Vai haver uma decepção de novo dentro de um ano ou dois.” Premida por suas necessidades imediatas, a população rural e urbana, de cada município tende a cobrar de maneira enfática as promessas de campanha dos gerentes municipais. Muitos deles chegarão à conclusão de que sua eleição foi uma verdadeira “vitória de Pirro”.

Aumento do protesto popular

Como já anunciou o secretário de Fazenda do gerenciamento Pezão, o ano de 2017 será pior do que o de 2016. Ora, se as massas marcaram o seu protesto em 2016 com a vitória do boicote à farsa eleitoral, no próximo ano elas não deixarão por menos. Como já tivemos uma demonstração por parte da juventude com a ocupação das escolas, as massas tenderão a responder com ações cada vez mais radicalizadas de norte a sul do Brasil. E aí já está, a votação do pacote na Assembleia Legislativa só fez atiçar mais o ódio dos funcionários penalizados que invadiram e tomaram de assalto essa casa de corruptos. O movimento se ampliará, o povo não ficará calado e intimidado com a chantagem de que todas estas medidas draconianas são necessárias para que a situação não fique pior. Vai partir para as formas de luta cada vez mais violentas. E os prefeitos eleitos, se achavam que haviam entrado no paraíso, se depararão com um verdadeiro inferno.

A situação revolucionária seguirá se desenvolvendo

Projetando este quadro para 2018 é de se indagar: nesta situação de penúria e descrédito, diante da população o que estes prefeitos poderão transferir de votos aos candidatos a deputado, senador, governador e presidente da República? A pabulagem dos analistas de meia pataca de que a união do PSDB com o PMDB, maiores detentores de prefeituras, garantirá o sucesso de sua chapa naquele pleito, pelo visto é puro desejo, pois não se assenta sobre os fatos da realidade.

A luta entre os vários grupos de poder, representando os interesses do imperialismo e das burguesias compradora e burocrática e do latifúndio, não consegue confluir para um projeto de dominação como antes. Daí o desespero das classes dominantes para contornar a crise que só se aprofunda a cada medida tomada.

Por outro lado, para as massas populares do campo e da cidade vai ficando cada vez mais claro que, do jeito que está não pode ficar. Que este velho e podre sistema político brasileiro nada tem a oferecer a elas a não ser injustiças, abusos, exploração, repressão e falsas promessas. Ao nível da consciência média destas massas vai se condensando a ideia de que só lhes resta, como já vem ocorrendo de forma isolada e cada vez com maior frequência e quantidade por todo o país, como recurso a revolta. Ou seja, aquilo que ela ainda não sabe exatamente como é, a Revolução, que é papel da vanguarda proletária apontar-lhe e dirigir sua organização.

De fato, só uma revolução democrática, uma Revolução de Nova Democracia poderá mudar a vida do povo em todos os aspectos de seu viver, mas ela não acontecerá por obra e graça do espírito santo. Ela virá na grande onda da aliança operário-camponesa organizando em torno de si todos os setores oprimidos e explorados da sociedade; ela virá sob a direção do partido revolucionário do proletariado: o verdadeiro e autêntico partido comunista gestado em suas lutas mais combativas contra o velho Estado de grandes burgueses e latifundiários, serviçais do imperialismo, principalmente ianque e contra o revisionismo e todo tipo de oportunismo.

Que tremam todos reacionários, revisionistas e oportunistas de toda laia.

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