Servir ao povo através da arte

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Forma de expressão da cultura popular que não apenas retrata a mais dura realidade de vida do povo, mas, principalmente, propõe mudanças, o grupo de Teatro Servir Ao Povo é uma realidade dentro do universo de Nova Cultura. Formado em sua maioria por camponeses, militantes do Movimento Feminino Popular (MFP), da Escola Popular e da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), o grupo propõe a construção de um novo mundo onde haja uma vida digna para todos.

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Grupo se apresenta no 8º Congresso da LCP do Norte de Minas e Sul da Bahia, em Januária (MG)

— O grupo teve início quando surgiu a Escola Popular em Varzelândia, Minas Gerais. Recebemos a visita de uns companheiros do Chile e veio a ideia de fazer uma apresentação para prestigiar a chegada. Então pegamos uma peça de teatro, A Aldeia Tachai, e em questões de horas ensaiamos e conseguimos apresentar — conta Alice, integrante do grupo.

— As companheiras da Escola Popular propuseram montar um grupo de teatro com os jovens que participaram do espetáculo. Com esse grupo fizemos estudos relacionados ao Presidente Mao Tsetung, que foi nossa principal base. O grupo sempre leu o editorial e algumas matérias do jornal A Nova Democracia para poder fazer a discussão política — continua.

— A peça que apresentamos no início, 2009, era bem simples, depois é que readaptamos. O coletivo foi construindo aos poucos A Aldeia Tachai, até chegar na estrutura que temos hoje. Fomos fazendo atividades para poder levantar recurso e montar o figurino etc. — diz.

O grupo fez sua primeira apresentação formal, como Servir Ao Povo, no 5º Congresso da LCP do Norte de Minas e Sul da Bahia, em Minas Gerais.

— O nome surgiu dos debates que fizemos sobre A Aldeia Tachai, e pelo grupo ser constituído com filhos de camponeses que eram alunos da Escola Popular. Ela já vem com uma formação principalmente política dos companheiros, e os nossos jovens vão sendo inseridos nessa nova política, nova forma de ver o mundo — explica Suely, também integrante do grupo.

— E para que iríamos querer um grupo de teatro, se não fosse com novos valores, novas ideias e nova ideologia? Sabemos para que essa cultura capitalista podre que tem aí incentiva a juventude, e nós queríamos um grupo que resgatasse essa juventude camponesa para o caminho da luta, principalmente pela terra, pela construção de um novo país onde todos pudessem viver com dignidade — continua.

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— Então fizemos um debate muito importante com os jovens, uma discussão em torno da A Aldeia Tachai, porque a própria história já fala muito. Uma aldeia que foi destruída por uma catástrofe natural, onde as pessoas não tinham dinheiro, mas tinham a vida, a união e consequentemente conseguiram reconstruir tudo — acrescenta.

— A peça mesmo diz: ‘o fator mais importante e decisivo é o homem, o homem e a sua ideologia, é servir a uma classe, servir ao povo’. Então, teatro é para nós servir ao povo, porque realmente estamos servindo, levando uma Nova Cultura para ele e despertando um novo pensamento — complementa Alice.

Na estrada como ferramenta de mudanças

— Já são sete anos de existência do nosso grupo, e de lá para cá fizemos diversos estudos e montagens de peças. Por exemplo, fizemos uma peça trazendo a lembrança do assassinato do nosso querido companheiro Cleomar, contando como foi o assassinato e resgatando o que é mais importante: continuar sua luta — fala Suely.

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— Fizemos uma outra peça em homenagem ao dia dos pais, mas sempre colocando a política como forma principal de organizar as ideias. Porque fazemos nossos espetáculos com o objetivo de aproveitar o momento para levar nossa linha política e, de forma teatral, passar essa mensagem, essa ideologia — continua.

— E vários companheiros, tanto do movimento estudantil como companheiros revolucionários diversos, mandam ideias que ajudam nas nossas montagens — acrescenta.

— Normalmente nós nos apresentamos em nossos congressos, encontros diversos, festas de camponeses e temos várias apresentações em escolas. É interessante que mesmo as pessoas que não estão inseridas diretamente na nossa luta, dos povoados vizinhos e outros, recebem essas mensagens com tanto respeito — complementa Alice.

Diferente de muitos atores que se envolvem com causas democráticas através do teatro, os atores do Servir ao Povo se envolveram com o teatro para servir à luta popular.

— Somos militantes do Movimento Feminino Popular, da Escola Popular e da Liga dos Camponeses Pobres, e é difícil dizer que também não somos atrizes, acredito que somos sim. Não somos, é claro, atrizes ligadas ao estrelismo, mas atrizes militantes. Somos artistas do povo, fazemos teatro principalmente como militantes — expõe Alice.

— E temos que passar cultura para a nossa juventude. Ela está perdida no meio de um tanto de coisas ruins, sem perspectiva do que vai fazer no seu futuro, e quando recebe a  proposta de fazer teatro, sente-se útil e rapidamente se engaja, sentindo-se também um artista do povo — complementa Suely.

O grupo vive de doações e arrecadações entre amigos, não medindo forças para materializar suas ideias.

— Quando precisamos de figurino nos reunimos e vamos atrás, batendo de porta em porta. E as pessoas sempre nos apoiam, companheiros doam roupas etc. O que nos motiva é a perspectiva de um mundo novo, de construirmos nesse país uma sociedade que realmente seja digna, tanto para os trabalhadores do campo quanto da cidade — diz Suely.

— Hoje se fala nessa democracia, mas nós não temos isso, principalmente nós camponeses que somos privados de muitas coisas, trabalhamos como escravos e não temos direitos. Então não vamos construir um mundo novo através de eleição, e nem através de nenhum desses outros modos, é só fazendo uma revolução — continua.

— E nós vamos começar essa revolução pelo campo, através de uma Revolução Agrária. Essa revolução não pode ser feita só pelo campo ou só pela cidade, e, principalmente, nessa revolução tem que estar inseridas as mulheres e os jovens, se nós não tivermos trabalho para as mulheres e os jovens, a nossa revolução não vai ser de verdade — conclui.

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