RJ: A justa fúria contra o assalto aos direitos do povo

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Praça de guerra. Assim se define a situação que tomou conta do Centro do Rio de Janeiro durante toda a tarde deste 6 de dezembro. Servidores públicos se reuniram aos milhares e enfrentaram a tropa de choque da PM e da Força Nacional durante pelo menos seis horas seguidas. Nesse dia, a Assembleia Legislativa (Alerj) iniciou as votações do pacote de medidas antipovo da gerência Luiz Fernando Pezão/PMDB.

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Durante o protesto, a repressão lançou uma verdadeira chuva de bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral, mas foi respondida pela fúria popular, que atirou pedras, garrafas e muitos fogos de artifício contra os agentes policiais. Soldados da PM invadiram a Igreja São José e, da janela do edifício, atiraram nos manifestantes. Muitas pessoas ficaram feridas com balas de borracha atiradas pelos esbirros da repressão.

Após os enfrentamentos na frente da Alerj, a tropa de choque da PM avançou e o confronto se estendeu para as ruas adjacentes até a Avenida Rio Branco. Camelôs e muitos trabalhadores que passavam pela região se somaram ao protesto e incendiaram inúmeras barricadas, principalmente no Buraco do Lume (movimentada praça pública localizada no centro). Bombas de gás foram atiradas aleatoriamente atingindo pessoas que não participavam da manifestação. A polícia usou carros blindados para dispersar a multidão, mas em vão, pois a cada investida policial a revolta popular aumentava.

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De fato, assim como haviam prometido, os servidores fluminenses (entre eles professores, bombeiros, profissionais da saúde e até mesmo agentes das “forças de segurança”) não vão deixar barato as propostas de cortes de direitos e vão radicalizar os seus protestos contra os desmandos do “governo” estadual. Essa é a “democracia” brasileira: o povo tem seus direitos assaltados de forma covarde e quando vai protestar é reprimido pela polícia. Os deputados que estavam dentro da Alerj, bandidos inimigos do povo, lançaram, no dia 14, uma moção de agradecimento à PM.

No dia 12 de dezembro, uma nova e grande manifestação foi realizada com concentração na Alerj. Um enorme aparato policial cercou a região e fez “corredores poloneses” para “controlar” a entrada de manifestantes no local. Muitos que iam para o ato eram revistados. Nesse dia, assim como durante todo o mês, o prédio da Assembleia ficou completamente cercado por grades. Temendo mais enfrentamentos entre manifestantes e a repressão, as “autoridades” adiaram a votação, inicialmente marcada para ocorrer no dia 12, para o dia 20 de dezembro. Fato este que não desmobilizou os trabalhadores.

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Após a concentração, os milhares de servidores saíram em passeata pelas ruas do Centro, indo até o aeroporto Santos Dummont, no Aterro do Flamengo, e retornando à Alerj. Um enorme trajeto debaixo de sol escaldante, mas nada que impedisse a disposição de luta dos servidores, que entoaram palavras de ordem exigindo seus direitos e vaiaram o Ministério Público quando o ato passou em frente ao prédio da instituição.

Um bloco composto por ativistas de organizações como o Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), o Movimento Feminino Popular (MFP), a Unidade Vermelha – Liga da Juventude Revolucionária (UV-LJR), o Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação (Moclate) e o Movimento Classista em Defesa da Saúde do Povo distribuiu milhares de panfletos conclamando: Greve geral contra as medidas antipovo de Temer/Pezão! e O Brasil precisa de uma Grande Revolução!

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— O clima que se tem visto nos últimos atos é de amplo apoio da população que, além de comparecer, se solidariza nas ruas de uma forma como não víamos antes. O povo fluminense tem que continuar nas ruas exigindo seus direitos de forma combativa como o tem feito e denunciando as políticas de assalto de direitos de Pezão, de Michel Temer e sua quadrilha. Temos que denunciar também o oportunismo eleitoreiro e suas frentes pelegas que tentam impedir a radicalização e cavalgar a insatisfação das massas. Da mesma forma, combatemos a criminalização das lutas populares por parte do velho Estado, do judiciário e do monopólio da imprensa — afirmou um ativista do MEPR.

No Rio de Janeiro, assim como em diversos outros estados, os ataques dos gerenciamentos estaduais e federais têm intensificado a insatisfação popular e lançado cada vez mais o povo às ruas em massivas manifestações. 

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Quando fechávamos esta matéria, na noite de 13/12 , um novo protesto estava sendo realizado no Centro da cidade como parte da mobilização nacional contra a PEC 55 da gerência Michel Temer/PMDB. No dia seguinte, uma nova manifestação estava marcada na Alerj contra o pacote do “governo” estadual do Rio de Janeiro. As informações desta e das novas manifestações, bem como os resultados das votações na Alerj, serão divulgados na próxima edição do jornal e as novidades serão postadas em nosso blog da Redação: andblog.com.br.

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