Luta dos Povos Indígenas

MA e BA: Escalada de violência contra os indígenas

Com informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi)

Os povos indígenas no Brasil têm sofrido nos últimos anos com a escalada de violência perpetrada pelo conluio entre latifundiários e instituições do velho Estado, que tem se expressado no aumento de agressões, despejos, ameaças de morte e assassinatos, principalmente das lideranças – fato este denunciado edição a edição de AND. A isto, o movimento indígena nacional tem respondido com o aumento de sua mobilização, politização e organização para fazer frente aos ataques das classes reacionárias contra os seus direitos.

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Indígenas assassinados em 2016

No estado do Maranhão, pelo menos doze indígenas foram mortos ao longo de 2016, sendo que metade destas mortes ocorreram nos últimos três meses. As suspeitas são de que as mortes estão relacionadas à luta pela retomada e/ou manutenção das terras tradicionais dos povos indígenas.

A morte mais recente ocorreu no dia 26/11, com o assassinato de José Colírio Oliveira Guajajara, cacique da Aldeia Travessia, na Terra Indígena (TI) Cana Brava, situada entre os municípios de Barra do Corda e Grajaú. O cacique foi executado com um tiro à queima roupa na frente da família. José era a principal liderança da aldeia na luta contra os invasores das terras do seu povo.

Um dia antes, o corpo de Hugo Pompeu Guajajara foi encontrado com a língua decepada e a pele do rosto arrancada em Barra do Corda. Hugo era morador de uma das aldeias que constituem a TI Cana Brava.

José Dias de Oliveira Lopes Guajajara também foi encontrado morto no Rio Mearim no dia 21/11. O corpo do indígena, que vinha recebendo ameaças de morte nos últimos meses, apresentava sinais de estrangulamento, além de parte de sua pele ter sido arrancada.

No dia 05/11, Lopes de Sousa Guajajara, de 16 anos, foi encontrado morto no Rio Grajaú, com partes de seu corpo decepadas. O jovem habitava a TI Morro Branco, no município de Grajaú.

Segundo relatos dos Guajajara ao Cimi, o ato de decepar membros dos corpos têm sido uma característica comum nos últimos assassinatos, sendo um modus operandi dos grupos paramilitares que atuam na região.

Estes crimes bárbaros são uma tentativa de expulsão compulsória dos Guajajara das suas terras tradicionais por parte de latifundiários e madeireiros, com o auxílio de seus grupos armados de pistoleiros, que contam ainda com a conivência dos órgãos do velho Estado, seja por não demarcar as terras indígenas ou por não investigar e punir os responsáveis por estes crimes.

Os Guajajara, assim como os Gamela e os Ka’apor, monitoram e fiscalizam os seus territórios – não mais aguardando a atuação de órgãos ambientais do velho Estado como Ibama e ICMBio –, buscando coibir a ação de invasores, que tentam extrair os recursos naturais das suas terras, principalmente os madeireiros.

Ka’apor expulsam invasores

No dia 05/12, os Ka’apor da Aldeia Zé Gurupi, que compõe a TI Alto Turiaçu, situada entre seis municípios ao norte do estado, expulsaram pistoleiros que buscavam invadir o seu território, chegando a imobilizar um dos invasores. Dias antes, os indígenas já haviam expulsado madeireiros, que atuam ilegalmente dentro da terra indígena.

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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