Golpes da reação e do revisionismo: a ‘operação capitulação’ no PCdoB

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A bandeira da luta armada, que empunharam tão heroicamente e pela qual se sacrificaram os camaradas do Araguaia, deve ser erguida ainda mais alto. Se conseguirmos de fato nos ligar às grandes massas do campo e das cidades e ganhá-las para a orientação do Partido, não importa qual seja a ferocidade do inimigo, com toda certeza a vitória será nossa

Trecho do balanço de Pedro Pomar a propósito da luta no Araguaia apresentado na reunião do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil – dezembro de 1976

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Em dezembro de 1976, numa casa de segurança localizada na rua Pio XI, no bairro da Lapa, em São Paulo, era realizada uma reunião do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil. Se cumpria a seção de conclusão dos debates iniciados em julho daquele ano que tinha como tarefa central realizar o balanço sobre a Guerrilha do Araguaia. Neste debate se batiam os principais quadros dirigentes do partido, entre eles Angelo Arroyo, enviado pela Comissão Militar como emissário ao Comitê Central - antes do cerco e ataque final do exército reacionário contra os guerrilheiros - o qual apresentou um relatório pormenorizado da Comissão Militar das Forças Guerrilheiras do Araguaia.

Foi com base nas informações contidas no relatório de Arroyo que o grande dirigente comunista Pedro Pomar formulou o balanço apresentado nesta reunião do CC.

Em seu balanço do Araguaia, Pomar ressaltou a correta decisão do partido de levar a cabo a preparação da luta armada revolucionária e o devotamento e heroísmo dos militantes que não pouparam esforços e sacrifícios para aplicar tal decisão. Contudo, rigoroso na análise e crítica, afirmava que a derrota não fora de caráter exclusivamente militar e temporária como apontara Arroyo em seu relatório, mas sim completa, e que a sua principal causa não se devia aos erros e falhas circunstanciais e militares, mas sim a erros de concepção sobre a guerra popular. Ou seja, que o que se aplicou no Araguaia não correspondia essencialmente à concepção e teoria da guerra popular e à sua linha estabelecida nos documentos partidários.

Pomar defendeu a justeza da guerra popular e a necessidade de compreender as lições desta experiência. Em suas conclusões enfatizara que se a direção levasse até ao fundo o balanço crítico destes erros seria capaz de retirar grande aprendizado para levar adiante a Revolução Brasileira através da guerra popular.

 

É importante ressaltar que, embora apresentassem conclusões divergentes, tanto o relatório de Angelo Arroyo e o documento da Comissão Executiva quanto o documento redigido por Pedro Pomar são enfáticos em afirmar a necessidade de o partido dedicar-se à maior preparação ideológico-política e militar, e retomar o mais breve possível a luta armada revolucionária.

Pedro Pomar transbordava otimismo revolucionário em seu balanço. Apesar da duríssima cota de sangue derramado pelos militantes comunistas tombados no Araguaia, incluindo seu comandante e veterano dirigente comunista Maurício Grabois, ademais das massas camponesas. Pomar estava convencido de que os debates no CC avançavam para uma compreensão mais profunda sobre a experiência do Araguaia, do pensamento mao tsetung (como era designado à época o maoísmo) e da guerra popular.

As atas das reuniões, disponíveis em alguns meios na internet para consulta, mostram como a luta de duas linhas na direção do Partido Comunista do Brasil apontava para um importante salto se esta não fosse sabotada pela camarilha hoxhaista de Amazonas.

Cerco e aniquilamento seletivo

Mas esse balanço foi violenta e tragicamente interrompido na manhã de 16 de dezembro de 1976. As tropas do II Exército, numa operação conjunta com outros órgãos da repressão do regime militar-fascista, cercaram a casa de segurança onde ocorria a reunião, a qual já haviam localizado por meio da delação de traidores. Alguns dirigentes já haviam se retirado e foram um a um seguidos pelas forças de repressão e presos. João Baptista Franco Drummond, jovem e promissor quadro da direção do partido, foi assassinado sob brutais torturas.

O convicto comunista Joaquim Celso de Lima, encarregado da tarefa de zelar pela casa e de transportar os membros do CC, realizou verdadeiras proezas ao volante para tentar despistar os militares que o seguiam quando identificou a presença dos esbirros em seu encalço. Preso, resistiu às mais brutais torturas.

Após a reunião, sem saber que estavam completamente cercados, Pedro Pomar e Angelo Arroyo permaneceram na casa para seguir debatendo e esclarecendo suas divergências. Ambos foram covardemente assassinados pela fuzilaria descarregada pelas forças de repressão. Tombaram varados por mais de 50 disparos neste episódio que ficou conhecido como “Massacre da Lapa”.

Para tentar ocultar a cena de massacre, os gorilas do regime militar-fascista montaram uma cena para simular resistência dos dirigentes comunistas. Espalharam documentos e colocaram armas próximas aos seus corpos sem vida.

O “Massacre” e a liquidação do PCdoB como partido revolucionário

Com o assassinato seletivo e prisão dos dirigentes revolucionários que mais profundamente assimilaram o marxismo-leninismo e o pensamento mao tsetung, abriu-se o processo de sabotagem e soterramento da linha revolucionária da guerra popular e, passo a passo, impuseram a linha revisionista que conduziu à gradual e completa liquidação do PCdoB enquanto partido comunista revolucionário. Renegando a linha revolucionária da guerra popular, esta direção revisionista e oportunista, através do retorno ao caminho eleitoreiro e reformista, deu origem a mais um partido revisionista, sob a continuidade da sigla PCdoB.

Amazonas assentou uma sinistra pedra tumular sobre o assunto da reunião da Lapa impondo a versão de que a queda do Comitê Central seria responsabilidade de Manoel Jover Teles, membro do CC, que preso e tendo entregado seu ponto para entrada na reunião, teria colaborado com as forças de repressão para guiá-las até a casa de segurança.

Em 1977, realiza-se, vergonhosamente, na Albânia, a VII Conferência Nacional do PCdoB. Amazonas e seu bando, apoiados no revisionismo albanês de Enver Hoxha como base ideológica, atacam furiosamente o pensamento mao tsetung e a guerra popular, dando fundamento teórico para sua vulgar capitulação.

‘O sangue não afoga a revolução, senão a rega’

No 40º aniversário do “Massacre da Lapa”, coloca-se ainda mais urgente e decisiva a tarefa dos revolucionários brasileiros de levar adiante e de forma mais profunda a luta de duas linhas por desmascarar e varrer o revisionismo e todo o oportunismo e erguer no mais alto cume a heroica bandeira dos guerrilheiros do Araguaia, dos seus combatentes e comandantes.

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