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Camponeses resistem às ameaças do latifúndio

Os camponeses dos Acampamentos Monte das Oliveiras e Fidel Castro II, nos municípios de Espigão D’Oeste e Mirante da Serra (RO), respectivamente, vêm resistindo bravamente a investida criminosa da Polícia Militar do gerente estadual Confúcio Moura/PMDB e do comandante geral Ênedy Dias de Araújo, em conluio com o latifúndio.

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A PM tem realizado constantes blitzes nas estradas nos entornos dos acampamentos, sendo algumas à noite, parando moradores, exigindo documentos, fotografando-os e retendo-os ilegalmente por horas.

Em Espigão D’Oeste, no início de dezembro, policiais militares tentaram intimidar um camponês devido a uma nota da LCP, que denunciava a conivência e participação da PM nos crimes de pistolagem do latifúndio no município. Os policiais acusaram a LCP de “extorquir dinheiro” dos camponeses para obter um pedaço de terra.

Conforme nota da LCP, estes fatos evidenciam como “as polícias caluniam, criminalizam e perseguem lideranças e movimentos de luta camponesa combativos. Mas o fato é que a polícia militar faz segurança privada para os latifundiários, reprime e cria um clima de terror nas áreas no entorno de acampamentos”.

O Acampamento Monte das Oliveiras, que conta com 32 famílias, iniciou o Corte Popular do latifúndio e em breve serão distribuídos os lotes e se iniciará a produção. Segundo a nota citada, a etapa da distribuição dos lotes ainda não foi iniciada porque o latifundiário Sebastião Cardoso da Silva, pretenso proprietário das terras, recusa-se a sair desta, chegando a contratar pistoleiros para atacar as famílias, além de contar com a conivência da PM, que não atua contra estes bandos paramilitares.

O acampamento situa-se em terras pertencentes à União, mas que havia sido griladas por um latifundiário narcotraficante. Como noticiado na última edição de AND: As terras estão sob litígio na justiça federal, mas na justiça estadual o pretenso proprietário das terras conseguiu um mandado de reintegração de posse, que está para ser cumprido.

No Acampamento Fidel Castro II, os camponeses estão sob o risco de serem removidos, tendo em vista o cumprimento de uma ordem de despejo emitida pela justiça estadual.

As 170 famílias que ocupam uma área próxima à fazenda Boi Oitenta, área reivindicada para a “reforma agrária” por estes, sofrem há meses com ações arbitrárias e ilegais cometidas por policiais que realizam patrulhamento na região. Os camponeses resistem ainda às ameaças e ataques de pistoleiros.

Em denúncia protocolada no Ministério Público Estadual, no dia 06/01, na sede da Promotoria de Justiça, em Ouro Preto do Oeste, os camponeses relataram que o responsável pelo latifúndio, identificado como Geraldo Rodrigues Filho, vem há meses ameaçando-os e atacando-os. A pretensa proprietária das terras reside no Espírito Santo.

Este homem, segundo os camponeses, seria policial, contando com pistoleiros fortemente armados, que têm efetuado revistas ilegais e disparos de arma de fogo contra as famílias acampadas. Geraldo Rodrigues receberia apoio de policiais e até de agentes da Força Nacional na “segurança” do latifúndio.

No documento relata-se ainda que, no dia 05/01, homens do Grupo de Operações Especiais (GOE) da PM agiram de maneira truculenta contra camponeses durante o patrulhamento na área.


Ato em memória de Nicinha

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A ativista Nicinha no lago da Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia

No dia 21/12, ativistas do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e familiares da pescadora Nilce de Souza Magalhães, a Nicinha, realizaram um ato político em sua memória, na capela de Santo Antônio, em Porto Velho.

No ato ocorrido nas margens do Rio Madeira, os ativistas denunciaram os projetos de multinacionais em conluio com o velho Estado para a construção de mais duas hidrelétricas neste rio, que tendem a aumentar o número de pessoas removidas e prejudicar a economia local, principalmente a agricultura e a pesca.

Também foi denunciada a escalada de violência nos conflitos pela terra no estado de Rondônia, que resultou em mais de 20 mortes em 2016, das quais os mandantes e executores desses crimes sequer foram identificados e saíram impunes.

Nicinha era conhecida na região pela sua militância em defesa dos direitos do povo contra os ataques cometidos pelo conluio do consórcio Energia Sustentável do Brasil (ESBR), responsável pela Usina Hidrelétrica (UHE) de Jirau, com o velho Estado. A usina foi planejada e construída dentro do contexto das grandes obras de infraestrutura do “Programa de Aceleração do Crescimento” (PAC) dos gerenciamentos oportunistas de Lula e Dilma/PT.

Nos últimos anos Nicinha vinha denunciando em audiências e manifestações os graves impactos causados pela usina, tais como a remoção da população e a mudança no curso do rio Madeira, que afetou o abastecimento de água potável e a atividade pesqueira. As denúncias da pescadora podem ser vistas no documentário “Jirau e Santo Antônio: relatos de uma guerra amazônica”, produzido pelo MAB, que descreve os impactos perversos das hidrelétricas na vida do povo.

A suspeita é que a morte de Nilce esteja relacionada à sua luta contra as usinas de Jirau e de Santo Antônio, ambas no Rio Madeira.

No dia 13/12, a Polícia Técnico-Científica (Politec) de Rondônia havia anunciado que o corpo encontrado no dia 21 de junho último, no fundo do lago da UHE de Jirau, era de Nicinha. O corpo da liderança foi encontrado com marca de um tiro e suas mãos e pés estavam amarrados com uma pedra. Nicinha foi barbaramente executada em 7 de janeiro de 2016.


Apoiador da luta camponesa é assassinado

http://anovademocracia.com.br/183/08b.jpgNo dia 25/12, Elias de Oliveira, valoroso apoiador da luta camponesa, foi assassinado quando chegava em sua moradia no centro de Jaru. Segundo testemunhas, Elias estacionava a sua caminhonete quando uma pessoa chegou de moto e efetuou vários disparos de arma de fogo contra ele, que chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.

Segundo nota da LCP, Elias era um grande apoiador da luta camponesa e da própria LCP. Transportava ativistas, emprestava e consertava os veículos, fosse noite ou feriado, chegando a não cobrar pelo serviço como forma de apoio à luta dos camponeses.

Tio Elias, como era conhecido popularmente, participou da luta dos camponeses do então Acampamento Lamarca – hoje Área Revolucionária Lamarca –, no município de Theobroma. Em 2000, mais de 100 famílias ocuparam as terras públicas griladas e iniciaram o Acampamento Lamarca. Os camponeses realizaram o Corte Popular, dividiram os lotes e iniciaram a produção. Atualmente, vivem e produzem nas terras conquistadas com árdua luta.

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