Turismo escravocrata

O portal de notícias The Intercept Brasil publicou recentemente matéria sobre uma antiga fazenda de café no município de Valença, no sul fluminense, chamada “Santa Eufrásia”, que oferece um tipo de turismo bastante peculiar: sua principal “atração” consiste em que os visitantes podem vestir-se como os aristocratas do Brasil Imperial e ser atendidos por mulheres negras trajadas como escravas[1].

A proprietária, bisneta dum tal Coronel Horácio José de Lemos, que teria comprado a fazenda em 1895, não vê racismo nas suas práticas: “Racismo? Por causa de quê? Por que eu me visto de sinhá e tenho mucamas que se vestem de mucamas? Que isso! Não! Não faço nada racista aqui. Qual é o problema de ter… não!”, respondeu ao ser questionada pela repórter. Sentiu-se injustiçada a mulher, imaginem.

Evidentemente que tal episódio, grotesco, não pode deixar de indignar qualquer pessoa dotada de um mínimo de bom senso. O mais importante, contudo, é refletirmos sobre a sociedade que gera tais práticas – não só uma proprietária teve semelhante ideia, como centenas de visitantes pagaram para “divertir-se” com ela. Trata-se, na verdade, de um caso extremo de uma realidade social típica.

Antes de tudo, salta aos olhos o problema da propriedade: é uma verdade histórica reconhecida que a “Abolição”, ao não mexer na estrutura fundiária, conservando o monopólio da terra, manteve de fato o trabalho gratuito dos negros pobres e a ideologia que o naturaliza. Em nossa literatura abundam relatos que exemplificam isso em pleno século XX. No clássico ‘Menino de Engenho’, por exemplo, de José Lins do Rêgo, lemos:

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