Notas internacionais

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Inglaterra: Aprofunda-se a crise do velho Estado

No dia 8 de julho, o governo da arquirreacionária Theresa May sofreu dura derrota na farsa eleitoral convocada pelo seu próprio Partido Conservador para ampliar sua legitimidade e apoio. A eleição que seria realizada somente em 2020 foi antecipada por pressão da mesma legenda que terminou diminuindo sua influência no parlamento.

O tiro saiu pela culatra: na intenção de ampliar suas posições e conquistar maioria absoluta no parlamento, onde já tinham maioria, Theresa May e seu Partido Conservador saíram derrotados, com 12 cadeiras a menos.

Como resultado desatou-se ainda uma profunda crise política interna, pedidos de renúncia e aumento de chantagens das forças políticas reacionárias de oposição que obrigou o governo a fazer alianças com o igualmente reacionário Partido Unionista Democrático para levar adiante seu programa antipovo.

Questão central

O Brexit é sinal do enfraquecimento da própria condição do imperialismo inglês — que está debilitado e sairá ainda mais devastado das mesas de negociações (AND nº 187).

A crise política tem como seu centro o problema do Brexit. Os grupos de poder da burguesia monopolista inglesa se digladiam para decidir os termos do rompimento da “União Europeia” (UE), criando ainda mais instabilidade no intento de se impor cada qual o seu programa.

Isso porque o Brexit debilita profundamente o já débil imperialismo inglês: o rompimento de centenas de acordos comerciais com a “UE”, as multas e condições são duros fardos. No entanto, manter-se na “União Europeia” é cada vez mais submeter-se à direção da Alemanha, que impôs sua hegemonia através dos seus bancos e inversões de capitais. É o dilema que perturba politicamente os grupos de poder no seio da burguesia inglesa e causa crescente distúrbio econômico.

No primeiro semestre de 2017, a economia da Grã-Bretanha desacelerou-se acentuadamente, registrando crescimento de 0,3%. A inflação, desde a afirmativa do Brexit, golpeou o consumo interno.

Crise atiça revolta

Como consequência da crise política e econômica que se agravam mutuamente, aumenta-se a superexploração e opressão do proletariado, composto principalmente por migrantes ou descendentes de migrantes que fogem da guerra imperialista movida no Oriente Médio.

Essas massas são ainda açoitadas pelo chauvinismo e histeria racista fomentadas pelos governos e forças políticas da burguesia, contra a figura do “inimigo muçulmano”.

Assim, em resposta ao crescente empobrecimento e opressão, as massas resistem como podem e, frequentemente, de maneira desesperada, resultando em ações armadas desorganizadas, o que o monopólio chama de “terrorismo”.

Os recentes ataques em Londres que tomaram as páginas dos monopólios de imprensa certamente tiveram influência no fracasso eleitoral do governo, que se elegeu assentado na promessa de “acabar com o terrorismo”, bradando a odiosa retórica chauvinista.

No dia 22 de maio, um homem já havia atropelado dezenas de pessoas na ponte Westminster e esfaqueado um agente da polícia nas imediações do parlamento reacionário. Cinco pessoas morreram.

No dia 3 de junho, duas outras ações foram desatadas em London Bridge, cartão-postal da cidade, e no Borough Market, com atropelamentos e ataques à faca. Ao menos 7 morreram e 48 ficaram feridos. Os atacantes foram mortos e seus nomes e naturalidade absurdamente omitidos pelas “autoridades”. Nenhum grupo reivindicou a autoria do ataque.

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