A atualidade de Cachoeirinha

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Os dias 12, 13 e 14 de junho marcaram os 50 anos da heroica resistência de Cachoeirinha, acontecimento que abalou o Norte de Minas no ano de 1967, em pleno regime militar.

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Em destaque, Jader e seu Sula, históricas lideranças camponesas de Cachoeirinha

Qualquer semelhança da luta dos posseiros de Cachoeirinha com a saga dos camponeses de Corumbiara, Eldorado dos Carajás, Colniza, Pau D’Arco e os massacres dos povos indígenas e quilombolas, não é mera coincidência. Isto para não falar do rosário de genocídios dos pobres do campo, indígenas, o povo preto escravizado e mesmo após a abolição oficial da escravidão e camponeses, que vara os 500 anos de nossa história. É sim, na realidade, a outra face da história da dominação secular colonial/semicolonial de nosso país, da exploração e opressão escravocrata/feudal/semifeudal de nosso povo desembocados nestes mais de 100 anos de existência do capitalismo burocrático no Brasil. Condição esta que só pôde se manter mediante o caráter burocrático-latifundiário do Estado, que entre outras prioridades garantiu o alargamento da fronteira agrícola a custa da expulsão a ferro e fogo dos posseiros de suas terras.

Desde a resistência camponesa de Cachoeirinha são 50 anos, durantes os quais se assistiu a uma tremenda migração campo-cidade pela expulsão do homem do campo, base do hoje incontrolável caos urbano combinado com o abandono das populações rurais submetidas às piores intempéries, aliadas à exploração semifeudal do latifúndio.

O país predominantemente rural, de repente, vê surgir a modernidade trajada de grandes complexos industriais, arranha céus, estradas pavimentadas, portos e aeroportos, centros comerciais, bancos, Universidades e laboratórios, tudo isso aninhado em espaços cujo preço do metro quadrado denunciava o seu caráter de classe.

Enquanto isso a miséria vestida com a mortalha da fome, da mortalidade infantil, do trabalho escravo, do analfabetismo, das doenças endêmicas, derivações da exploração latifundiária, retratavam e retratam a dura realidade nacional.

Como parte subjugada do imperialismo o nosso país de capitalismo burocrático repercute de forma potencializada as crises imperialistas uma vez que o enfrentamento da crise está no aumento do grau de exploração das nações oprimidas. Sob a falsa alegação de “modernização” e “globalização” o imperialismo contando com os gerenciamentos lacaios e economistas, domesticados em academias ianques, passaram a explorar o veio da desindustrialização, por um lado, e, por outro, o incremento da produção de commodities sob o pomposo título de “agronegócio”.

Requentando teses dos tempos coloniais de vocação agrária do país esta política submeteu o campo brasileiro à extrema dependência de máquinas, equipamentos, sementes, agrotóxicos, adubos e demais insumos dominados por transnacionais, também responsáveis pela manipulação dos preços a partir da Bolsa de Mercadorias de Chicago.

A política agrária adotada pelo Estado latifundiário ao lado de tudo ao “agronegócio” produtor de commodities manteve a existência de uma economia camponesa permanentemente arruinada produtora de alimentos e matérias primas. Esta política conduzida pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e pelo INCRA – Instituto nacional de Reforma Agrária levava ainda a outra parte do campesinato, acampados ou “assentados”, servirem como mão de obra de reserva para os latifúndios.

Como nos últimos anos, sob o gerenciamento Dilma Roussef, a situação se agravou mediante a aliança preferencial com o “agronegócio”, enquanto a crise econômica desbordava, as massas exploradas levantaram-se contra a velha ordem fazendo desenvolver a situação revolucionária.

A grilagem de terras públicas pelos latifundiários teve como contrapartida a tomada destas terras pelos camponeses sem terra ou com pouca terra. Em estados como Rondônia, Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná instalou-se uma verdadeira guerra da terra na qual o Estado atua como capanga do latifúndio.

A natureza genocida do Estado burocrático-latifundiário obrigou o campesinato a lançar mão da justa violência para garantir o acesso e a permanência na terra, expressando a lei universal do desenvolvimento social que afirma que onde há opressão há resistência. A resistência tem se tornado mais necessária quando se constata que os últimos gerenciamentos deste podre Estado executam deliberadamente a política do latifúndio numa ação combinada entre o executivo, o legislativo e o judiciário. São medidas provisórias, Emendas à Constituição, decretos, projetos de lei, sentenças de emissão de posse, interdito proibitorum e outras iniciativas como a ação direta da polícia militar ao lado de capangas na desocupação de latifúndios invadidos.

Especialmente a quadrilha de Temer encastelada nos ministérios e no Congresso nacional promove no momento uma avassaladora investida contra os movimentos camponeses, indígenas e quilombola sob a palavra de ordem de tomar tudo, saquear tudo, queimar tudo e matar a todos.

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Confiados em sua efêmera maioria nesta pocilga chamada de Congresso Nacional, tomam-na como garantia de vida longa. Se assim pensam estão redondamente enganados. Sua desastrada investida contra os direitos elementares do povo e da nação denota mais desespero do que tranquilidade.

Ao assistir ao vivo e a cores o desmoronamento político, ético e moral desta escumalha que domina o Estado burguês-latifundiário serviçal do imperialismo, ao tirar as últimas provas de que no Brasil a justiça tem lado e que o Estado se resume à violência das classes dominantes sobre o povo, mais se fortalece no proletariado, no campesinato, na juventude, nos intelectuais honestos, a disposição de por abaixo a velha ordem.

Por enquanto o povo está só lambendo a rapadura.

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