Homenagens a Alípio de Freitas, um homem de grande firmeza

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Conforme registramos em artigo e homenagem publicados na última edição de AND (nº 190), o incansável militante da causa da libertação dos povos, Alípio Freitas, faleceu no dia 12 de junho, deixando-nos o seu legado de lutas e sua obra.

LCP homenageia Alípio de Freitas no Norte de Minas
LCP homenageia Alípio de Freitas no Norte de Minas

No dia 13 de junho, na Basílica da Estrela, em Lisboa, Portugal, familiares e amigos despediram-se de Alípio. Na manhã seguinte, foi realizado seu funeral no cemitério do Alvito, em Alentejo, onde viveu uma parte dos seus últimos anos.

Embora tivesse perdido completamente a visão nos últimos anos de sua vida, como membro do Conselho Editorial de A Nova Democracia, Alípio continuava zeloso ao desenvolvimento do jornal, ouvindo atentamente a leitura feita por colaboradores. E, sobretudo, continuava a ser uma presença constante em movimentos de solidariedade internacional e protestos populares, sempre guiado pela sua companheira Guadalupe.

Na despedida de Alípio, com cravos vermelhos nas mãos, familiares e amigos cantaram Grândola, Vila Morena, canção composta e cantada por Zeca Afonso, seu grande amigo e símbolo da Revolução dos Cravos. 

Familiares e amigos se despediram com ‘Grândola, Vila Morena’
Familiares e amigos se despediram com ‘Grândola, Vila Morena’

As homenagens ao combatente internacionalista repercutiram amplamente. No Brasil e em Portugal inúmeros eventos saudaram sua memória de uma vida dedicada às lutas dos povos. A notícia de seu falecimento e homenagens foram registrados nos jornais portugueses Diário de Notícias, Público, Correio da Manhã e em diversos blogs e sítios internacionais.

A RTP, rádio e TV pública de Portugal, da qual foi jornalista dos anos 1980 até 1994, exibiu, em 13 de junho, um documentário em sua homenagem.

O blog galego Diário Liberdade publicou a matéria In Memoriam: Alípio de Freitas por ele próprio, no qual reproduz palavras escritas pelo próprio Alípio, que conta em traços largos a sua própria vida no livro Palavras de Amigos. Livro este com mais de uma centena de depoimentos, publicado no início deste ano como homenagem e evocação do lutador incansável que foi.

A Associação José Afonso, da qual foi presidente e membro do conselho consultivo, organizou uma Homenagem Nacional em forma de concerto no Fórum de Lisboa, no dia 17 de junho, em homenagem e celebração de sua vida. “O seu saber, seu exemplo, sua vida de combate continuarão a ser, para nós um caminho a seguir continuadamente”, dizia o convite. O evento contou com a participação de vários músicos e artistas.

O Professor da PUC-Rio, João Dornelles, Coordenador-Geral do Núcleo de Direitos Humanos da PUC-Rio, publicou no conhecido blog O Cafezinho o texto Alípio de Freitas, presente!!!, no qual relata a longa trajetória de luta de Alípio em defesa dos povos do mundo. Dornelles conclui seu texto afirmando: “A vida de Alípio de Freitas foi marcada pela coragem, pelo compromisso com a liberdade e a emancipação dos povos. A encarnação dos grandes revolucionários, daqueles que não se intimidam com o opressor, daqueles que sabem fazer a história e que deixam as suas marcas para as próximas gerações”.

Na Universidade Federal Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro, Alípio também foi homenageado durante o Colóquio Internacional sobre Violência Política no século XX, no dia 27 de junho. E, também, no dia 1º de julho, durante um ato de repúdio ao regime militar fascista realizado em frente a antiga sede do DOPS, no Centro do Rio.

No dia 27 de junho, no Norte de Minas Gerais, durante a Celebração dos 50 anos da Heroica Resistência dos Posseiros de Cachoeirinha, militantes da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) prestaram uma bela homenagem à Alípio de Freitas. Na plenária do evento, um grande cartaz com a foto de Alípio foi estendido junto às imagens de Jader e Seu Sula, históricos dirigentes camponeses da Heroica Resistência de Cachoeirinha.

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Durante a celebração, a Coordenação Nacional das LCPs prestou honras ao histórico combatente, rememorando seu histórico de militância, desde sua chegada ao Brasil entrando em contato com Francisco Julião e fundando as Ligas Camponesas — na qual teve importante papel de organização, tornando-se posteriormente secretário-geral e ajudando o movimento camponês a alcançar uma nova etapa de luta — até o encontro com a LCP, em 2008, da qual tornou-se Presidente de Honra em maio deste ano.

“O Alípio, dentre esses líderes, foi a pessoa que mais se colocou pronta para lutar. E o Alípio, se juntando com a LCP, colocando o seu nome na nossa bandeira, era como se a luta de todos os camponeses brasileiros, os camponeses que resistiram em Canudos [...], depois Caldeirão, Pau de Colher e todas lutas camponesas brasileiras tiveram seu ponto mais alto antes da LCP, foi com as Ligas Camponesas e o Alípio era a expressão disso. Então, com o Alípio aceitando ser o nosso Presidente de Honra, ele passa para nós a bandeira que estava em suas mãos, a bandeira de todos camponeses que lutaram antes no Brasil”, afirmou a LCP na vibrante homenagem.

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