Companheiro Moreira, pioneiro de AND

Companheiro Moreira, pioneiro de AND
Companheiro Moreira, pioneiro de AND

Faleceu no último dia 19 de julho o jornalista e comunista José Moreira Chumbinho, fundador e diretor do jornal A Nova Democracia de 2002 a 2007.

Moreira, como conhecido na redação, era bastante reservado quanto à própria história, o que complica a tarefa desta modesta homenagem.

Sabe-se que nasceu em Ubá, Minas Gerais, em 9 de dezembro de 1947. Mudou-se ainda criança para o Rio de Janeiro, onde foi criado no bairro do Cachambi, na Zona Norte.

No Rio de Janeiro, conheceu a luta revolucionária na resistência ao regime militar fascista instalado com o golpe de 1964. Participou das batalhas ideológico-políticas contra o revisionismo prestista na direção do PCBrasileiro, luta essa que culminou na ruptura dos militantes e quadros marxistas-leninistas que viriam a reconstruir o Partido Comunista do Brasil sob a sigla PCdoB. Tempos depois, fruto de intensa luta de duas linhas dentro do próprio PCdoB, surgiria a Ala Vermelha, organização que contou com José Moreira Chumbinho entre seus quadros durante esse período.

Uma publicação de autoria de militares, de 2012, coloca José Moreira Chumbinho em uma reunião no início de fevereiro de 1969, junto com Diniz Cabral Filho, Élio Cabral de Souza, Devanir José de Carvalho e outros, na qual o grupo passou a se chamar, oficialmente, Ala Vermelha.

Perseguido pela repressão, Moreira se estabeleceu no Acre, onde desenvolveu atividades no Sesc. Foi jornalista e trabalhou no serviço público.

Em 2002 aceitou a tarefa de fundar e dirigir o jornal A Nova Democracia, e teve atuação destacada para o surgimento e desenvolvimento do jornal. Mudou-se para o Rio de Janeiro, deixando no Acre sua esposa e filha Júlia — a quem ele dedicava imenso carinho — ainda criança. Tamanha a dimensão de sua grande dedicação para a construção da Imprensa Popular e Democrática!

A linha editorial e política de AND, um completo e importante documento da imprensa popular e democrática, foi elaborada sob sua redação pessoal e permanece vigente até hoje, com impressionante atualidade.

O trabalho na redação, com poucos recursos, não era tarefa fácil, e Moreira era intransigente com o rigor no tratamento científico de todos os assuntos. Por vezes, a edição, que deveria ser mensal, se transformava em bimestral. Para ele, tudo tinha que estar “perfeito” para ser publicado. Esse método era demorado, porém, foi importante nesse período para a formação de um núcleo de companheiros capazes de dar continuidade ao trabalho e dar outros saltos de qualidade, num progresso que continua até hoje.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

No trabalho diário da redação era por vezes irredutível, tanto por seu temperamento, problemas de saúde e a distância da família. Mas isso não macula a grande tarefa cumprida pelo companheiro Moreira durante todo seu período na direção do jornal, deixando um firme caminho pavimentado para seus continuadores.

Em setembro de 2007, deixou a direção do jornal A Nova Democracia e retornou ao Acre. Seu distanciamento da redação impôs-nos um contato irregular.

Soubemos do seu falecimento já após seu sepultamento, justamente no mês em que o Jornal A Nova Democracia completa 15 anos.

Enviamos, desde a redação do AND, nossa solidariedade e nossos mais sinceros sentimentos a seus familiares, companheiros e amigos.

Transmitimos também a saudação de Nova Democracia de nossos fundadores e colaboradores com quem o companheiro Moreira lutou e atuou durante sua atividade no jornal.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

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