Maxixe na praça

Apaixonados por maxixe — dança urbana criada no Rio de Janeiro por volta da década de 1870, uma fusão de ritmos com grande influência de elementos africanos — um grupo de músicos se reúne em uma roda todos os sábados, em uma praça no Flamengo, Zona Sul do Rio de Janeiro, para praticar e divulgar o gênero, além de muito choro e samba. Responsável pela roda, a clarinetista Valere Farias procura levar para muitas pessoas a herança cultural que recebeu de seu pai.

Iuri Lima
Grupo se apresenta em bloco de carnaval no Grajaú, 2016
Grupo se apresenta em bloco de carnaval no Grajaú, 2016

— A roda surgiu depois do carnaval. Somos integrantes do bloco Fantasma do Maxixe, que se apresenta no domingo antes do carnaval, no Grajaú. O bloco nasceu em 2014, fundado pelo meu pai, Sr. Edeltrudes Marques da Silva, musicólogo autodidata que tinha uma vasta cultura musical — conta Valere.

— Colecionador de vinil, ele montou vários estúdios de gravação no Brasil, entre eles os da Rádio Transamérica. Foi gerente da RCA Victor, e trabalhou no Level, Polygran, Tupi, Sony Music. Abracei a ideia de preservar o ritmo que deu origem ao samba: o Maxixe, e depois do carnaval os integrantes continuaram se encontrando — continua.

O maxixe foi o gênero dançante mais importante no Rio até o surgimento do samba, e surgiu aproximadamente no mesmo lugar, a Cidade Nova, região central, com grande concentração de descendentes de escravos africanos. A forma rítmica do maxixe influenciou obras de Donga e Sinhô, pioneiros compositores do samba.

— Foi ideia do meu pai criar um bloco de carnaval, como antigamente, que tocava maxixe, para resgatar a história interessante desse gênero, bem carioca, brasileiro, que a nova geração não sabe que existiu. Tocar maxixe resgata e preserva, então tocamos o repertório do bloco — diz Valere.

— A roda é o lado informal, lúdico, dos integrantes do bloco que não aguentam esperar fevereiro para tocar maxixe. Escolhemos a Praça José de Alencar, no Flamengo, e na roda, além de maxixe, tocamos choro e samba, bem carioca e informal. Temos flauta, clarinete, baixo, pandeiro, cavaquinho, violão, e às vezes caixa e surdo — relata.

— Temos composição de Henrique Martins e uma música dele deu nome ao bloco e conta a história dos ritmos no Brasil. Temos composição de Alzyra Mad, que fala do grupo e da praça José de Alencar — convida.

Valere afirma que se trata de uma roda tradicional, que toca choro, samba e muito maxixe.

— O maxixe nasceu como dança e logo veio a música. Nasceu da influência da dança/música europeia, a polca e a dança/música africana lundu. Essas influências deram aos negros cariocas uma nova maneira de dançar, junto, rebolando, sensualizando. Logo veio a discriminação — conta.

— Era chulo dançar e tocar maxixe, não se sabe, talvez seja essa a origem do nome maxixe, rasteiro, vulgar, e em todo lugar toca como a expressão coqueluche. Assim mesmo, Chiquinha Gonzaga compôs, Ernesto Nazareth compôs, com a denominação de Tango Brasileiro, com tempo forte marcado pelo som grave da mão esquerda no piano— continua.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de Apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro

E-mail: [email protected]om
Reuniões semanais de apoiadores
todo sábado, às 9h30

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda (licenciado)
Victor Costa Bellizia (provisório)

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão (In memoriam)
Henrique Júdice
Matheus Magioli Cossa
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação
Ana Lúcia Nunes
João Alves
Taís Souza
Gabriel Artur
Giovanna Maria
Victor Benjamin

Ilustração
Victor Benjamin