PA: Laudos comprovam execução em Pau D’Arco

A- A A+
 

Os policiais civis e militares executaram barbaramente os dez camponeses em Pau D’Arco (PA) no dia 24/05. Esta foi a constatação dos investigadores que apresentaram o resultado da perícia realizada na fazenda Santa Lúcia em julho. Os laudos periciais foram divulgados pela Polícia Federal e pela Secretária de Segurança Pública do Pará na tarde de 28/08, em Belém.

Mario Campagnani/Justiça Global
Acampamento Jane Júlia, local da chacina, em 24/05
Acampamento Jane Júlia, local da chacina, em 24/05

A falsa tese de que teria ocorrido um confronto entre camponeses e policiais foi mais uma vez desmentida, agora pelos resultados da perícia. Mas já em 24/05, mesmo dia em que ocorreu a sórdida Chacina de Pau D’Arco, a Comissão Nacional da Liga dos Camponeses Pobres e a LCP do Pará e Tocantins declaravam: “As mentiras começam com a DECA informando que os policiais foram recebidos a tiros e reagiram! Mentirosos! Assassinos! Canalhas!”. E denunciavam: “A DECA, outras polícias, pistoleiros e seguranças particulares estavam na área para fazer segurança para o latifundiário. E fizeram a chacina para vingar a morte de um suposto pistoleiro que teria morrido na região. A DECA foi a Pau D’Arco para matar camponeses. A companheira Jane, presidente da associação dos camponeses que lutava pela área foi assassinada. Sete camponeses de uma mesma família também o foram”. A nota intitulada ‘Chacina de Pau D’Arco no Pará é crime de Estado!’ concluía ainda apontando os culpados pelos vis crimes contra os camponeses no Pará: “A culpa é do governo do Estado, Simão Jatene, PSDB! A culpa é da DECA!  A culpa é do latifúndio! A culpa é da quadrilha de Temer, Meirelles e desse congresso de bandidos!”.

No dia 06/07, 1 mês e meio antes da divulgação do resultados da perícia, um representante da Comissão Nacional da Liga de Camponeses Pobres declarava em entrevista exclusiva ao AND:

— Todos os elementos comprovam que não houve aquela resistência. Agora nós perguntamos o seguinte: será que quando a DECA foi fazer a operação, não sabia o que ia encontrar? Sabia! Porque se é uma delegacia especializada em conflitos agrários, a DECA sabia que iria encontrar camponeses os quais ela poderia assassinar. Porque sabia que não havia nenhuma organização daqueles camponeses para resistir a esses ataques armados.

Crime de Estado

As conclusões da perícia divulgadas pela Polícia Federal e pela Secretária de Segurança Pública do Pará comprovam que a ação criminosa das forças policiais do velho Estado foi premeditada, planejada e possivelmente encomendada por pessoas não identificadas. Os policiais invadiram o acampamento dividido em grupos, sendo que um seguiu a pé e os outros em veículos, buscando cercar e encurralar os trabalhadores que ocupavam a fazenda Santa Lúcia, no município de Pau D’Arco.

Os peritos não encontraram vestígios de pólvora nas mão dos trabalhadores assassinados. Nenhum policial saiu da ação ferido e os seus coletes não tinham marcas de tiros. Os veículos utilizados na operação também não apresentavam marcas de balas.

Ainda segundo os dados divulgados, nesse crime hediondo praticado pelo velho Estado, ao menos seis armas foram utilizadas pelos policiais para assassinar os camponeses. Nove vítimas foram alvejadas no peito e a presidente da Associação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Pau D’Arco, Jane Júlia de Almeida, foi executada com um tiro à queima-roupa na cabeça. Cinco camponeses foram assassinados por uma pistola .40 que não foi entregue à perícia. Alguns trabalhadores foram mortos após serem torturados.

As necropsias revelaram que alguns camponeses apresentavam ferimentos nos braços devido às algemas, outros receberam golpes na cabeça e tiveram costelas quebradas, compatíveis com ferimento de chute ou uso de espingarda ou fuzil.

Policiais soltos

Apesar dos laudos atestarem que os policiais civis e militares executaram os camponeses, em um crime com fortes requintes de crueldade, o Judiciário mantém os 29 policiais soltos (21 policiais militares e oito policiais civis). No dia 08/08, o juiz substituto da Vara Criminal da Comarca de Redenção, Jun Kubota, havia suspendido a prisão preventiva de 11 policiais militares e dois policiais civis envolvidos na chacina, que estavam detidos desde o dia 10/07.

Camponeses prosseguem a retomada

Durante debate sobre a questão agrária do dia 04/09, no Rio de Janeiro, a Comissão Nacional da Liga de Camponeses Pobres expôs a agudização da luta camponesa no país e, particularmente, no Sul do Pará e em Rondônia.

O dirigente camponês frisou que em contraposição a todo o terror do latifúndio e do velho Estado, os camponeses do Acampamento Jane Júlia seguem ocupando as terras da fazenda Santa Lúcia desde o dia 13/06.

— Em Redenção, no Pará, a sede da Liga parece um formigueiro de gente, todo mundo querendo saber como vai ajudar o pessoal de Pau D’Arco, como é que vai entrar na terra também.

E prosseguiu:

— Nós temos 39 camponeses presos em Rondônia hoje, fruto de uma ocupação. Ou seja, não basta reprimir, não basta matar liderança, não basta prender liderança, tiveram que prender massa para tentar parar a luta pela terra. Ao mesmo tempo tem pessoas ocupando terras no Nordeste, em Cachoeirinha no Norte de Minas Gerais, os indígenas e os quilombolas vão retomando os seus territórios. Nada que esse Estado possa fazer, nenhum banho de sangue, consegue parar essa luta.

LEIA TAMBÉM

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond
Sebastião Rodrigues
Vera Malaguti Batista

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja