A pequena burguesia na revolução democrática

A- A A+
 

O espetacular fracasso do gerenciamento PT/Pecedobê, após 14 anos na condução do velho Estado brasileiro, foi mais uma demonstração da falência da ideia pequeno-burguesa reformista e oportunista de transformar a sociedade através da utilização das estruturas do Estado burguês.

Perú21
Greve dos professores do Peru deu exemplo de combatividade dos setores proletarizados (Perú21)
Greve dos professores do Peru deu exemplo de combatividade dos setores proletarizados

Por tal via concretizaram sua aliança com o latifúndio e a grande burguesia, e consequentemente se submeteram ao imperialismo através da subjugação nacional, confirmando a natureza oportunista de sua ideologia.

‘Fulanizar’ para não politizar

A cúpula petista, tentando de tudo para barrar uma condenação de Luiz Inácio e, assim, livrar a possibilidade de apresentar a sua candidatura como a salvação da lavoura, faz “ouvidos de mercador” aos reclamos dos trabalhadores e do povo contra o pisoteio pelo quadrilhão peemedebista sobre os direitos duramente conquistados. Para tentar angariar essas massas pisoteadas, promovem caravanas e gastam o tempo de TV para cultuar a figura de Luiz Inácio.

Utilizando-se do artifício de “fulanizar” a campanha em torno de Lula, com o mesmo projeto político, só que desta vez mais para a direita ainda, o PT acredita que o cenário de crise dividirá novamente a direita tradicional, e com o voto das massas enganadas com os programas assistencialistas e a repulsa popular ao PMDB e PSDB, acabarão vencendo. O que o PT despreza, tal como as demais siglas do Partido Único, é que as massas aprendem com seus revezes e, portanto, o boicote à farsa eleitoral será grande como nunca visto em nossa história.

Situação revolucionária

A crise geral do capitalismo, em sua fase imperialista, portanto, de decrepitude na economia e reacionarização na política, repercute no Brasil de forma onímoda. Desmascara todas as siglas do Partido Único e mostra de corpo inteiro os grupos de poder das frações das classes dominantes em sua guerra intestina para ver qual delas detém hegemonia no seu velho Estado.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

Não podendo mais suportar tamanha exploração, as classes dominadas pelejam por botar abaixo o jugo das classes dominantes e preparam a sua revolução, não como alternativa, mas como única saída imposta pela luta de classes: A Revolução Democrática, Agrária e Anti-imperialista.

A passagem do capitalismo de livre concorrência ao dos monopólios (o imperialismo) e início da era da revolução proletária fez a burguesia perder a capacidade de encabeçar um projeto nacional-democrático nos países de capitalismo tardio, portanto, capitalismo burocrático (países dominados pelo imperialismo, coloniais/semicoloniais e semifeudais), logo a pequena burguesia tem se apresentado com simulacros de projetos que nada mais são do que variantes da subjugação nacional.

No caso brasileiro, continua válido o que escrevemos para a terceira edição do AND no artigo O fim da história da democracia burguesa e a época da democracia popular: “Da tentativa de defender uma democracia apodrecida e em decomposição deriva a tática geral dos oportunistas em todo o mundo, centrada no reconhecimento desse sistema, portanto legitimando-o, em nome de ser esse o caminho para negá-lo. Em nossa realidade e para ficar apenas em um exemplo, no PT, não na sua camada dirigente aburguesada e declaradamente oportunista, mas no que seria o grupo de intelectuais mais à esquerda e que reivindica-se marxista, expressa plenamente esse oportunismo. Vejamos Wladimir Pomar, que em seu livro ‘A Revolução Democrática e Socialista no Brasil’, justificando o projeto petista, chega a uma conclusão surpreendente. Deduz afirmando que: ‘Uma organização que não se prepara para disputar no terreno imposto pelo inimigo está fadada à capitulação ou a ser aniquilada.’ A experiência da luta dos povos por sua libertação social e nacional é patente em demonstrar que aqueles que não se preparam para obrigar o inimigo a lutar no terreno dos revolucionários capitulam fatalmente e se transformam em instrumentos do inimigo para seguir perpetuando sua dominação”.

Parcela radicalizada

Como vimos no artigo A classe operária na Revolução Democrática, da edição nº 196 de AND, tanto no caso da Rússia como na China, Lenin e Mao Tsetung destacaram o papel dirigente do proletariado na revolução democrática, reservando à pequena burguesia o papel de aliada. Mas nas condições de desenvolvimento e decomposição do imperialismo, a pequena burguesia, principalmente dos países dominados, possui vários estratos dos quais alguns se proletarizam crescentemente. É o caso da extensa massa de professores.

A radicalizada greve dos professores no Peru neste ano de 2017, assim como a greve dos professores no Rio de Janeiro em 2014 e a do Paraná em 2015, unidas às greves com ocupações de escolas lideradas pela juventude combatente, são demonstrações vigorosas do potencial revolucionário das parcelas radicalizadas da pequena burguesia. Este potencial cresce quando esta parcela aceita lutar sob a direção do proletariado através de seu partido revolucionário, o autêntico Partido Comunista.

Revolução Agrária

As tomadas de terra que nunca pararam, apesar do boicote de direções oportunistas, têm recebido dos comitês de apoio à Revolução Agrária excepcional ânimo, através de doações de alimentos e infraestrutura arrecadados em campanhas desenvolvidas em escolas e universidades. Além disso, destaca-se a transferência de pessoas ao campo para colaborar na educação ou em orientações técnicas nas Áreas Revolucionárias.

A revolução democrática, em sua fase agrária, cobra direção do proletariado em aliança com o campesinato como força principal.

A maior experiência de revolução democrática de novo tipo, ou seja, dirigida pelo proletariado, ocorrida na China e dirigida pelo Presidente Mao Tsetung, nos ensinou que para a sua concretização seria necessário construir os três instrumentos fundamentais da Revolução, isto é, o Partido Comunista, o Exército Popular e a Frente Única Revolucionária.

Composta pelas classes exploradas pelo latifúndio, pela grande burguesia e pelo imperialismo, a Frente Única (frente das classes revolucionárias) liderada pelo partido do proletariado, tomando como base a aliança operário-camponesa, compõe-se também com a pequena burguesia e, em determinadas condições, com setores da média burguesia que, embora vacilante, é parte do espectro de classes submetidas pelo capitalismo burocrático.

Saber dar tarefa a todos: esta é uma lição do grande Lenin, que o Presidente Mao incorporou no funcionamento da Frente Única Revolucionária, com o fito de levar à vitória a Revolução Democrática, Agrária e Anti-imperialista ininterrupta ao Socialismo.

LEIA TAMBÉM

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond
Sebastião Rodrigues
Vera Malaguti Batista

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja