Guerras Populares ao redor do mundo

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Comunistas apontam o caminho aos povos do mundo

Mapa: guerras populares em curso no mundo

As guerras populares em curso no mundo são importantíssimas. Primeiro, porque avançam na conquista do Poder para o proletariado e os povos destes países, alcançando vitórias uma após a outra. Segundo, porque apontam o caminho que devem seguir os povos do mundo que lutam por seus direitos pisoteados e pela libertação de suas nações, em ambiente de crescente reacionarização, no qual todas as reivindicações são atacadas com a violência brutal da repressão dos velhos Estados ou dos invasores imperialistas.

Conforme sintetizou o artigo Guerra Popular e Revolução (Revista O Maoista, nº 1), a guerra popular é necessária “Exatamente porque, nestas condições concretas que representam o desenvolvimento e decomposição do imperialismo, só um caminho pode levar o proletariado, os povos e nações oprimidas à sua libertação: o caminho da luta armada revolucionária, e desta como concepção e direção proletária, a Guerra Popular”.

Nesse sentido, as lutas armadas empreendidas por Exércitos Populares e dirigidas por Partidos Comunistas no Peru, Índia, Filipinas e Turquia seguem avançando e lutando por cumprir sua missão histórica e internacionalista.

Trataremos aqui brevemente sobre o desenvolvimento destas guerras populares.

Peru

A Guerra Popular no Peru, iniciada em 17 de maio de 1980, foi a primeira luta armada revolucionária dirigida por um partido marxista-leninista-maoista, em um país com aproximadamente 31 milhões de habitantes. Quem a dirige é o Partido Comunista do Peru (PCP), fundado em 7 de outubro 1928, guiado pelo pensamento gonzalo (aplicação criadora do maoismo à realidade concreta do país) e sob chefatura do Presidente Gonzalo.

A guerra foi iniciada na região de Ayacucho, no povoado de Chuschi, com ação de sabotagem e boicote às eleições e queima de urnas.

Em dez anos de guerra popular (1990), o PCP estimou que havia realizado 120 mil ações armadas, alcançando o equilíbrio estratégico e chegando a realizar greves gerais armadas nas cidades.

Hoje, o PCP passa por uma Reorganização Geral em meio da guerra popular, desde que seu Comitê Central foi explodido com a queda do então responsável Feliciano, em 1999, e logo usurpado pela ratazana revisionista José.

A luta concentra-se na região do VRAEM (Vale dos Rios Apurímac, Ene e Mantaro), entre os estados de Ayacucho, Junín, Huancavelica, Cusco e Apurímac. Ali localiza-se o Comitê Regional Principal (CRP) do PCP, chave para a reorganização total dos demais comitês partidários.

O Movimento Popular Peru (Comitê de Reorganização), na introdução da entrevista da camarada Laura publicada na internet, destacou que a luta é “contra a Linha Oportunista de Direita (LOD)” encabeçada pela ratazana Miriam, e especialmente “contra a LOD, disfarçada de esquerda, da ratazana José” que usurpou o CRP.

Nos dias 8 e 09/10, o EPL aniquilou mais dois soldados da reação em Huanta, em Ayacucho. De julho para cá, foram noticiadas ao menos 16 baixas impostas pelo Exército Popular de Libertação (EPL) contra as forças policiais do velho Estado peruano.

A Guerra Popular no Peru trouxe aportes de validez universais. A Chefatura do PCP assinalou a necessidade de um partido militarizado para dirigir a guerra; que se construa no centro do Exército Popular e da Frente Única, dirigindo-os e nutrindo-se destes; guiado por um pensamento-guia e chefatura que materialize e solidifique a direção maoista. Hoje, os comunistas do mundo estão se unificando em torno destes aportes.

Índia

A Guerra Popular na Índia teve início em 1967, com um grande levante armado de camponeses contra o velho Estado e o latifúndio na zona de Naxalbari, em Siliguri, distrito de Darjeeling, no estado de Bengala. O levante, dirigido pelo então Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista), tinha como principal dirigente o comunista Charu Mazumdar.

De Naxalbari, o levante camponês se espalhou para Andhra Pradesh, Bihar, Uttar Pradesh, Bengala, Punjab, Kerala, Tamilnadu, Odisha e outras regiões.

Após dura repressão que se seguiu até início da década de 1970, que deixou mais de 10 mil mortos, o Partido foi fracionado. Após anos de luta de duas linhas, que percorreu até 2010, as várias frações maoistas concluíram a unificação no PCI (Maoista), levando a guerra popular a novos patamares.

Hoje, os comunistas têm atuação em várias regiões e dominam um terço do território indiano, onde há o chamado “Corredor Vermelho”. Os maoistas estão em mais de 60 distritos, desde as fronteiras com o Nepal, incluindo a costa ocidental do estado de Karnataka, até o mar da Arábia, conforme apuração do blog Odio de Clase. Os estados de Chhattisgarh, Maharashtra, Jharkhand, Andhra Pradesh e Odisha concentram a ação dos comunistas.

Segundo o Departamento de Estado ianque, em estudo publicado em 2015 pelo “Consórcio Nacional para o Estudo e Respostas ao Terrorismo”, o PCI (Maoista) realizou 343 ações armadas naquele ano, aniquilando 176 agentes policiais, mercenários a serviço da reação e informantes.

Essa luta armada revolucionária ocorre em um país com 1,2 bilhões de habitantes, a maioria localizada em aldeias no campo.

Neste ano de 2017, o PCI (Maoista), as massas revolucionárias da Índia e do mundo celebram os 50 anos do levantamento armado camponês de Naxalbari com grandiosas mobilizações e ações armadas.

Filipinas

Em março de 1969, meses após sua reconstituição, o Partido Comunista das Filipinas organizou o Novo Exército do Povo (NEP) e iniciou a guerra popular no distrito de Tarlac. O país, composto por três arquipélagos, tem 100 milhões de habitantes, a maioria deles localizados em povoados rurais.

Com militantes espalhados por várias regiões do país para organizar o campesinato, sob o Plano de Ação Nacional, a guerra tomou proporções nacionais já em 1970, alcançando saltos em 1971 e 1972 com maior incorporação das massas.

Segundo o documento Um breve histórico do Partido Comunista das Filipinas na ocasião do 20º aniversário de sua reconstituição (1988), “as unidades do NEP – operavam naquele ano – em pelo menos 60 frentes guerrilheiras abrangendo 12 mil aldeias, ou porções significativas de 800 municípios e 63 províncias das Filipinas”.

Hoje, a região onde concentra-se a atuação dos revolucionários filipinos é no arquipélago de Mindanao.

Turquia

Na Turquia, país com 79 milhões de habitantes, a guerra popular é dirigida pelo Partido Comunista da Turquia/Marxista-leninista (TKP/ML).

O TKP/ML foi fundado em 1972 após a ruptura dos comunistas com o revisionismo, no qual aqueles assumiram o pensamento mao tsetung (maoismo entendido à época). Seu principal dirigente foi Ibrahim Kaypakkaya.

Passando por dificuldades políticas e partidárias, o TKP/ML hoje segue travando luta em torno de persistir e vencer com a guerra popular. Em julho de 2016, declarou em comunicado que a tarefa consiste em levar adiante a revolução democrática com as massas populares “sustentando a guerrilha e a guerra popular”.

Hoje, a região com maior atuação dos comunistas é Dersim, no centro-leste do país.

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