A Janaúba e aos camponeses pobres do Norte de Minas, nossos sentimentos e revolta

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A tragédia das mortes de crianças em uma creche em Janaúba chocou pelas tenras vidas ceifadas e despertou a solidariedade imediata das massas da região e de todo o país.

Da redação do AND manifestamos nossa solidariedade às famílias das crianças e da professora mortas no incêndio na creche de Janaúba, a todos camponeses pobres do Norte de Minas, e declaramos mais uma vez nosso ódio ao velho Estado burguês-latifundiário serviçal do imperialismo, em última instância o causador e responsável por estas e por tantas outras mortes de crianças principalmente pobres. E afirmamos que, pelo fato de que estas mortes poderiam ter sido evitadas, são crimes premeditados. E não pela loucura de Damião Soares.

Fomos informados pelos companheiros da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) do Norte de Minas e Sul da Bahia que nossa mensagem chegará às famílias e ao povo da região. E foram estes companheiros e companheiras, pelo telefone, que revelaram ao AND o que toda essa cobertura intensa, farsante, demagógica e mentirosa do monopólio da imprensa tenta esconder.

A LCP do Norte de Minas e Sul da Bahia foi fundada em um Congresso pertinho desta creche na década de 1990. Certamente essas mães e pais, então ainda crianças, saíram às ruas para ver as pessoas que passavam com faixas, carros de som e fogos de artifício anunciando uma nova organização para os camponeses pobres, convocando-os para tomar suas terras ancestrais que haviam sido roubadas.

O hospital que hoje, menos de 20 anos depois, está caindo aos pedaços, estava com sua estrutura construída, mas não havia sido inaugurado por falta de dinheiro e equipamentos. Se este hospital estivesse pronto e funcionando com um mínimo de decência, as vidas das crianças da creche teriam sido salvas. Crime premeditado.

Se Damião Soares tivesse sido tratado de sua doença, talvez a tragédia não acontecesse. Mas, existe no Brasil, existe no imenso território rural brasileiro, tratamento de saúde para esses casos? Respondam, senhores, vocês que cortam verbas da saúde e educação, vocês que antes de acabar com os direitos trabalhistas se utilizavam da “alta programada”1 para não afastar do trabalho pessoas doentes, vocês que querem legalizar a política do “barracão”2 na legislação trabalhista, vocês que querem a reforma trabalhista e previdenciária; respondam, senhores, quantos Damiões temos por aí? Crime premeditado!

Não exageramos em afirmar que o velho Estado matou as crianças pelas mãos de Damião.

No comércio de Janaúba, o que se paga em média é meio salário mínimo, sem carteira assinada. Muitas dessas crianças, particularmente as meninas, lá pelos seus 10 anos, talvez fossem para alguma casa de família de classe média de Montes Claros ou Belo Horizonte, e em troca de cuidar de crianças pequenas, lavar, passar, fazer compras e cozinhar, poderiam ali morar e talvez estudar à noite. Este seria o “melhor cenário”, se comparado à realidade da pedofilia ou à prostituição infantil.

Mas o monopólio da imprensa não gasta uma vírgula, um segundo, para mostrar a realidade. Se algum observador fizer um estudo, vai notar que mais de 90% das imagens do monopólio são com a câmera fechada para não mostrar toda a realidade de pobreza que assola o povo da região.

E ainda vêm os gerentes regionais e nacionais do velho Estado, Pimentel/PT e Temer/PMDB, fazer demagogia. São esses os mesmos políticos que promovem os cortes de verbas da saúde e educação que promovem a morte do povo nas filas dos hospitais. O próprio hospital que atendeu as vítimas em Janaúba não tinha condições básicas mínimas de atender as crianças: faltavam luvas, soro, agulhas, pomada e medicamentos como dipirona e morfina. Muitas poderiam ter se salvado se não fossem a completa precariedade e falta de estrutura de saúde básica na cidade. As famílias desesperadas foram obrigadas sair em busca de medicamentos e insumos básicos para o tratamento de seus filhos. Já em abril deste ano, a população de Janaúba denunciava as dificuldades para encontrar medicamentos: “Isso é pra quando mesmo? Já se passaram 4 meses e nada, nem dipirona tem nas farmácias, vergonha descaso com a população

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