Aprofunda-se a concentração da riqueza no Brasil

As seis pessoas mais ricas do Brasil concentram a mesma riqueza de 100 milhões de brasileiros, quase a metade da população. Se estes representantes da grande burguesia e do latifúndio gastassem um milhão de reais por dia levariam 36 anos para liquidarem os seus patrimônios. Estas informações foram reveladas pelo novo relatório da Oxfam Brasil, intitulado “A distância que nos une: um retrato das desigualdades brasileiras”, divulgado em 25 de setembro deste ano.

Apu Gomes/Oxfam Brasil
No Brasil, em 2016, seis pessoas concentravam a mesma riqueza que 100 milhões (Apu Gomes/Oxfam Brasil)
No Brasil, em 2016, seis pessoas concentravam a mesma riqueza que 100 milhões

‘Bolo’ na boca de poucos

A concentração da riqueza nas mãos das classes dominantes no Brasil é um problema estrutural, que é produto do capitalismo burocrático que se desenvolve no país. Capitalismo este engendrado pela dominação inglesa, seguida pelo domínio do imperialismo ianque e que perdura até os dias de hoje, mantendo o país em uma condição semicolonial. O país é conhecido internacionalmente por apresentar uma das piores distribuições de riqueza no mundo, situação que se agravou nos últimos anos.

A população 1% mais rica do país concentrou 48% da riqueza gerada em 2016. Ao se considerar os 10% mais ricos, o grau de concentração da riqueza alcançava o valor de 74%. Por outro lado, a metade da população detinha menos de 3% dessa riqueza produzida.

Nesse cenário, seis pessoas possuíam a mesma riqueza que o somatório de quase metade da população, algo próximo a 103 milhões de brasileiros. Este “G6” é composto por Jorge Lemann (AB InBev), Joseph Safra (Banco Safra), Marcel Telles (AB InBev), Carlos Sicupira (AB InBev), Eduardo Saverin (Facebook) e Ermírio Moraes (Grupo Votorantim).

Aliás, o número de bilionários no Brasil – em sua maioria grandes burgueses e latifundiários – aumentou de 10 para 31 entre 2000 e 2015. O patrimônio destes 31 bilionários foi estimado em R$ 424,5 bilhões em 2015.

Concentração da riqueza

A desigualdade na distribuição da riqueza, principalmente proveniente do trabalho, se manifesta nos diferentes rendimentos daqueles que estão no topo da pirâmide social e daqueles que estão na base. Os 5% mais ricos detêm a mesma riqueza que os 95% restante da população brasileira.

Em 2015, seis em cada dez brasileiros tinham uma remuneração domiciliar per capita média de até R$ 792 por mês. Cerca de 80% da população – aproximadamente 165 milhões de pessoas – viviam com valores per capita inferiores a dois salários mínimos mensais, que em 2015 equivaliam a R$ 1,5 mil. Já o 1% mais rico recebia em média mais de R$ 40 mil por mês.

Desigualdade sexual nas massas trabalhadoras

No Brasil existe uma persistente diferença de salários entre os trabalhadores no que diz respeito ao sexo. As mulheres se concentram nas atividades com remunerações mais baixas quando comparadas aos homens. Aqui vemos manifestado em termos econômicos o peso da quarta montanha de exploração enfrentada pelas mulheres de nosso povo, a opressão sexual. A esta quarta montanha de opressão e exploração somam-se as três primeiras: o imperialismo, o latifúndio e a grande burguesia.

O salário médio mensal de um homem era de R$ 1,5 mil em 2015, já de uma mulher era de R$ 938. Cerca de 65% das mulheres ganhavam até 1,5 salário mínimo, por outro lado, 52% dos homens ganhavam esta quantia. Apenas 1,5% das mulheres ganhavam mais do que dez salários mínimos, enquanto que 3% dos homens se enquadravam nesta faixa salarial.

A desigualdade salarial se manifesta mesmo quando as mulheres apresentam o mesmo grau de escolaridade do que os homens. Em 2016, as mulheres sem instrução apresentavam salário médio mensal de R$ 908, enquanto os homens também sem instrução tinham salário de R$ 1.258. As mulheres com ensino fundamental completo tinham um salário médio mensal de R$ 1.066 e os homens de R$ 1.575. As mulheres com ensino médio completo tinham um salário médio mensal de R$ 1.338, já os homens de R$ 2.033. As mulheres com ensino superior incompleto tinham um salário médio mensal de R$ 1.490, enquanto os homens de R$ 2.447. As mulheres com ensino superior completo tinham um salário médio mensal de R$ 3.022 e os homens de R$ 4.812.

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