Japão prepara nova expansão imperialista

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Tóquio - O novo primeiro-ministro do Japão, Junichiro Koizumi, comanda uma reforma na Constituição japonesa que permitirá deslocar o exército para fora de suas fronteiras, exercendo funções defensivas, como também realizando "ajuda a outros países", ainda que uma ampla maioria de japoneses se oponham a tais medidas.

A exemplo da Alemanha, após a rendição que pôs fim à Segunda Guerra Mundial, o Japão firmou acordo, no sentido de não dispor de tropas em países estrangeiros. Em ambos os casos, cinco décadas depois, uma nova rivalidade imperialista rompe os acordos de paz do pós-guerra, impõe o rearmamento e obriga às grandes potências imperialistas a uma luta desapiedada pela hegemonia.

O rearmamento do Japão (um país com 126 milhões de habitantes) coincide com a profunda crise econômica em que mergulhou há dez anos, acelerando a perda de terreno para os competidores.

O Japão vem retrocedendo em sua renda per capita, no incremento da produção, nos intercâmbios comerciais, a ponto de revelar um crescente nervosismo na disputa por mercados, particularmente na costa asiática do Pacífico, desde a arriscada tentativa de criar, em janeiro último, uma comunidade econômica de países do Extremo Oriente, a ASEAN, incluindo a Austrália e a Nova Zelândia, para qual Koizumi declara oferecer garantias militares. À ASEAN pertencem Brunei, Cambojda, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Myanmar (Birmânia), Singapura, Tailândia, Vietnam, alguns dos quais Koizumi visitou recentemente.

Empobrecimento da classe operária

A bancarrota japonesa vem eliminando boa parte dos direitos trabalhistas, há décadas conquistados nas lutas operárias, entre eles, a garantia de emprego e salários a cada cidadão. Agora, é chegada a vez do desemprego que atingiu mais de meio milhão de trabalhadores, sobretudo afetando a faixa etária de 45 a 54 anos, enquanto que a população ativa foi reduzida a 64 milhões. Como resposta, os percentuais de greves sobem de forma descontrolada.

Decrescem também o outrora mais elevado "índice de educação" entre as potências imperialistas, surge o trabalho por tempo determinado, a dispersão geográfica e funcional.

Acompanhando a crise econômica, a distância social se amplia sempre mais, enquanto que sentidas reivindicações não encontram eco nas diferentes instâncias oficiais, tornando iminente o período de comoções. As oligarquias que detêm em suas mãos os assuntos públicos, tornam-se prestigiadas nos círculos mais corruptos. Milhares de empresas fecham suas portas e a discreta baixa do poder aquisitivo da população transforma-se numa aberta recessão. A dívida pública supera 130 do PIB japonês, a mais alta entre as potências.

Nos últimos anos tem aumentado os suicídios e as depressões, assim como os roubos de objetos pessoais e a delinquência juvenil.

Mais de 10 anos de bancarrota econômica

Outro problema que agrava a situação do país é o déficit das empresas. Apenas 45 empresas acumulam dívidas que somam a 306 bilhões de yens e nos últimos doze anos o Estado transferiu 312 bilhões de yens tentando reduzir o endividamento das corporações públicas.

É insignificante a crise Argentina se comparada com a japonesa. O desmonte do sistema bancário japonês é uma das principais incertezas para a estabilidade financeira mundial. A crise bancária japonesa é das mais severas, mas a explosão de uma bolha especulativa, imobiliária, no final dos anos 80, conduziu a uma baixa dos preços da terra e da habitação que constituiu um grande golpe para todo o sistema bancário, salvo de uma quebra generalizada, graças aos cofres públicos, e os USA pressionam no sentido de desvalorizar o yen e aproveitar-se dos preços baratos no mercado.

Além disso, o Japão necessita retirar os 47.000 soldados ianques plantados em seu território.

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