A resistência palestina é também a luta em defesa da Humanidade

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De agora a quase uma década, o mundo tem discutido os méritos e faltas do processo de paz do Oriente Médio. O mundo inteiro concordou que, com o sucesso do processo, os povos do Oriente Médio, especialmente Palestina, Síria, Líbano e Israel, poderiam finalmente viver a vida de paz, dignidade, e segurança que eles merecem. Porém, no furor de semântica do "processo de paz", muitos negligenciaram o cerne deste processo que é a realização do Povo Palestino de seu direito inalienável para liberdade e autodeterminação. 

Discussões neste processo às vezes ficaram quase irrelevantes às vidas dos povos envolvidos. Elas soaram mais como discussões de partes que falam uma linguagem estrangeira uma à outra e assim são incapazes de se comunicar, do que uma discussão civilizada entre partes que tiveram o temível dever de fazer justiça sobre um povo que sofreu incomensuravelmente durante quase um século inteiro.

Olhando para trás agora, deve estar claro que o Povo Palestino esperava, e com razão, que este "processo" fosse de libertação e não de uma ocupação renovada sob pretextos diferentes, como evoluiu para ser.

O Povo da Palestina nunca soube como se submeter a qualquer coerção ou aceitar qualquer intrusão estrangeira. Para este simples, contudo crucialmente importante fato histórico, deveria ter estado claro aos patrocinadores do agora vacilante "processo" que qualquer tentativa para mudar as últimas metas deste "processo" só resultaria na renovação da eterna e retumbante demanda da Palestina para ser livre. Ainda, estes patrocinadores não foram tão atentos quanto deveriam ter sido à sabedoria simples da História. Em vez disso, eles decidiram desafiar estes fatos ululantes e apoiar um "processo" que serviu para escravizar a nação palestina e submetê-la. Por isso, eles falam agora deste "processo" como se fosse uma reconciliação entre dois vizinhos amargos que tiveram uma discordância insignificante no passado. Sua recusa de ver a verdade do que é a última ocupação no mundo, e sua insistência em apaziguar, em vez de pressionar, aqueles condenados pela história e pela humanidade, nos conduziu à catástrofe humana que as famílias da Palestina agora vivem.

O governo direitista atual de Israel está inventando maneiras de assassinar, humilhar, oprimir e deslocar ainda mais famílias palestinas. Conduzido por um criminoso de guerra que está entre os mais notórios da História Moderna, Israel está fazendo o imaginável e o inimaginável em suas tentativas para deslocar os palestinos, destruir suas vidas e sustento, e erradicar qualquer esperança que eles acalentavam em um futuro de dignidade e liberdade. Depois de invasões militares repetidas e incontáveis ataques aéreos a alvos palestinos civis e governamentais, Israel deixou a infra-estrutura palestina em ruína absoluta.

A ideologia racista por trás da qual está a prática de Israel de punição coletiva dos civis palestinos nunca foi tão vivamente clara. Cercos contínuos, toques de recolher prolongados e brutalidade chocante são apenas algumas categorias nas quais as ações de ocupação militar de Israel contra civis palestinos se encaixam. Talvez a prática mais perpetradamente dolorosa que persiste contra civis palestinos é demolição de casas. Desde 1967, sucessivos governos israelenses ordenaram a demolição de pelo menos 9.000 casas palestinas como punição por resistirem à ocupação. Somente nos últimos dois anos, Israel ordenou e executou a demolição de 2.000 casas palestinas. Ativistas de paz israelenses, como Jeff Halper, estão horrorizados por esta prática. Recentemente, no dia 09 agosto, escreveu o Sr. Halper: "demolições de casas permanecem tão proeminentes (em Israel)... Porque no fim, este processo de reocupação é de deslocamento".

Não pode ser possivelmente aceitável que na atual conjuntura da história, a Israel ainda seja permitido discutir se podem ser usadas civis palestinos, inclusive crianças, como escudos humanos. A beligerância de Israel em assassinar os civis palestinos e desafiar volumes de resoluções internacionais que proclamam sua desprezível ocupação como nula e vã, não deveria ser permitido continuar. Proteção internacional é uma necessidade que o mundo já não deveria negar ao Povo Palestino. Eu apelo para que a comunidade internacional se lembre das crianças palestinas e da morte que as cerca toda vez que rezarem. Eu peço exigir em nome delas a proteção internacional até a paz, com o fim da ocupação israelense, ser atingida.

Qualquer regime que seja tão cruelmente desafiante ao direito internacional e aos direitos humanos deveria ser pressionado à redenção para que então possa lavar a vergonha que, de outro modo, os marcaria como uma cicatriz pela eternidade. Dado os níveis insuportáveis de violência que infestam a Terra Santa, é incumbência de cidadãos internacionais intervir. Israel deve ser isolado de forma que possa entender que seu sistema de Apartheid não é mais aceitável no mundo livre. E assim como o apartheid da África do Sul desintegrou-se quando a cidadania internacional tomou a decisão inabalável de boicotar o regime de apartheid , seus produtos e atividades, assim deveria acontecer com o regime de ocupação de Israel.

Está na hora de Israel entender, através do pressionamento da comunidade internacional, que já não pode permanecer como um estado acima da lei internacional e da vontade da comunidade internacional. Deveria chegar a termos com sua ocupação brutal e tomar uma firme e real decisão para termina-la de uma vez por todas, de forma que as sementes de paz possam ser plantadas em uma terra fértil onde possam crescer e prosperar entre ambos os povos livres.

Paz não é um comprimido que a liderança palestina possa dar a seu povo. Mais exatamente, é uma realidade que deve ser percebida e deve ser vivida. E uma realidade que não pode e não coexistirá com ocupação e supressão. A paz seria alcançada pondo-se um fim nas razões de sua ausência: a luz não pode existir com a escuridão e assim a paz não pode se misturar com ocupação e ausência de justiça. Até a liderança política e militar israelense enfrentar a realidade de que são uma força de ocupação ilegal, imoral e brutal e que o seu dever é pôr um fim a esta realidade vergonhosa, a paz continuará sendo crucificada nas ruelas da Palestina Histórica.

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