Povo iraquiano não se renderá às hordas ianques

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Declaração, por telefone, do Embaixador do Iraque, Sr. Jarallah, para a redação de A Nova Democracia, face aos crescentes perigos que ameaçam o povo iraquiano e seu país. A campanha bélica de Bush, ao mesmo tempo em que reflete uma necessidade interna da administração ianque, relacionada com as próximas eleições para o Congresso, em novembro, visa impulsionar as novas medidas de segurança, com o retorno ao macarthismo, como patenteia a criação de um Ministério da Segurança. 

"Há muitas razões para que a administração Bush mantenha a escalada militar, declaradamente insistindo na destituição de Saddam Hussein.Entre essas razões, fica evidente o completo fracasso, no caso palestino, da política sionista.

Há, para a administração dos EUA, a necessidade de distrair a atenção mundial sobre a situação da Palestina e os crimes que alí estão sendo cometidos pelos governos sionistas.Depois, há que considerar o desejo da administração Bush de acobertar os sucessivos e recentes escândalos das grandes companhias ianques.

Enfim, é importante para os EUA ter o domínio completo do Iraque para apropriar-se do nosso petróleo. O Iraque é o único país na região que se opõe aos Estados Unidos, e para o orgulho imperial, é impossível compreender que um pequeno país, como o nosso, enfrente as suas pretensões de dominação.

É preciso salientar que cada país exposto a um perigo reagirá. Assim o povo iraquiano, corajoso, se baterá, mesmo ao custo de suas vidas, contra qualquer controle estrangeiro. Nossa dignidade passa, antes de tudo, pela resistência e autodeterminação. Ela é preciosa e justificará qualquer sacrifício que for imposto à nossa economia pelos esforços da guerra justa contra a agressão imperialista.

Contamos, ainda, seguramente, com a amizade de todo o mundo árabe. Sabemos da importância que representam as forças que se levantam na França, na Itália, na Espanha, na Rússia, na China, entre outras, sem esquecer as vozes norte-americanas que se elevam insatisfeitas com a política de guerra contra o povo iraquiano".

Até o fim de agosto, os aviões ianques haviam atacado 31 vezes o norte e o sul do Iraque. Os Estados Unidos não precisam mais de qualquer álibi para justificar a sua política de infinita agressividade e sua sangrenta guerra contra o Iraque. Não tivesse havido o 11 de setembro qualquer outro pretexto teria sido usado, já que nada melhor que as vantagens de uma guerra para socorrer uma economia em longa recessão.

No Oriente Médio, essa lógica de gangster prevalece sobre qualquer razão e mesmo sobre o fato de que um álibi não seja mais necessário para iniciar o massacre, aterrorizar e dizimar populações: o povo palestino está sendo esmagado pelos tanques de Israel fascista. Nem governos, nem populaçôes estão seguros nessa rica região petrolífera. Palestinos são apontados como "terroristas", Síria e Líbia são estados "de ferro"; Iraque e Irã são declarados membros do "eixo do mal". O Líbano está dividido entre pro-sionistas e facções da sua reacionária classe dominante. Reis e monarcas dos reacionários estados do Golfo são elevados a mais alta posição, a de agentes imperialistas. O Egito, a Turquia e a Jordânia são perseguidos como se escravos fossem. Tudo gira em torno de um só ponto: a área tem que continuar com seu ininterrupto fluxo de petróleo como suprimento aos imperialistas ianques. Os "demônios" e os "duros" são aqueles que ousam se opor à dominação imperialista, ou podem se constituir em desafio potencial aos interesses imperialistas quando adquirem a menor estabilidade e algum poderio. Quando um governo da região começa a demonstrar o menor sinal de "infidelidade" a lógica de ferro imperialista se abate sobre ele.

É bom recordar que o imperialismo colocou suas esperanças em Saddam, como ele o fez com os mujaidim que lutavam contra os soviéticos, para que o iraquiano desse uma lição de regras islâmicas ao povo iraniano, propiciando uma guerra sangrenta, longa de 9 anos, ao fim da qual o Irã ficou exaurido e o Iraque sairia demasiado fortalecido aos olhos de seus mandantes, já que esses gostariam que tivessem ambos sido destruídos. À época, Kissinger, Secretário de Estado, lamentou-se: "Pena que ambos não pudessem ser perdedores".

O maior jogo sujo de nosso planeta veio quando, servindo-se do Oriente Médio, os ianques encorajaram o Iraque a invadir o Kuait. Então, os intrigantes, eles próprios, intervieram em favor do Kuait, dizendo ao mundo que o faziam para a "salvaguarda da soberania de uma nação". Alinharam, nessa farsa sangrenta, 43 estados reacionários pelo mundo afora, para rechaçar a "agressão" iraquiana e começar o que ficou notoriamente conhecido como a Guerra do Golfo, em 1991. Mas, a despeito da extensa devastação do Iraque e o dizimar de suas forças armadas, Saddam continuou no poder, tornando-se um grande incômodo aos olhos do imperialismo, tanto ianque como britânico. Agora, ele tem que ser abatido, a qualquer preço, mesmo ao custo de milhares de vítimas.

Contudo, nem mais fiéis lacaios do imperialismo no Oriente Médio (Turquia, Egito, Jordânia e Arábia Saudita) ousam alinhar-se à lógica de Bush júnior. No caso do episódio Iraque-Kuait, podiam falar de "justificativas", mas, desta vez, não. Além do mais, esses países estão temerosos com as reações de seus povos, já sensibilizados pelos crimes de Israel e dos EUA na Palestina. Desta vez, nenhum estado no Golfo ousaria apoiar as insanas ações ianques.

Mesmo nos países europeus a oposição aos planos de Bush cresce pelo fato de que vários governos europeus, inclusive a França e a Alemanha, vêm desenvolvendo estreitas relações de comércio com o Iraque, a despeito de todos estes anos de sanções econômicas e não desejam uma desestabilização. Mas, todos eles apoiam a "guerra anti-terrorismo", dizem que Saddam é um "demônio" e timidamente advogam que não haver quaisquer provas de ligação do Iraque com o 11 de setembro ou com o al-Qaeda. Esses países, contudo, tentam acalmar os ataques do imperialismo ianque sobre o Iraque, tendo em vista seus próprios interesses econômicos. Permanecem, assim, "prudentes" e após terem se colocado ao lado dos EUA, no passado, quando da altamente tecnológica agressão de 1991, agora acham os argumentos ianques "não convincentes", ou então que as ações bélicas dos Estados Unidos deveriam "ser decididas sob os auspícios da ONU".

Sabem eles muito bem que toda a venda do petróleo iraquiano está nas mãos da ONU, que deu ao Iraque o direito de trocar petróleo por alimentos e medicamentos, depois de dura discussão sobre o fato de que o Iraque estaria ou não cooperando com os inspetores da ONU e de outras agências sobre os estoques de armas iraquianas. Sabem eles que a maioria do Conselho de Segurança da ONU foi de opinião que as sanções teriam que acabar assim que o Iraque tivesse cumprido com suas obrigações. E o Iraque só recusaria inspeções ulteriores depois de sete anos, quando o chefe da missão deu por terminado o seu trabalho e revelou em seu relatório que inspetores estavam espionando o Iraque sob o disfarce das inspeções e a mando dos Estados Unidos.

Tendo conhecimento disso, é pelo menos ingenuidade dizer que a ONU decida sobre se o Iraque deva ser atacado, como dizem França e Alemanha.

Trata-se meramente de providenciar legitimidade aos bombardeios ininterruptos? Nada, no entanto, justificará o imenso crime que está por ser perpetrado para uma simples mudança de regime: esta é tarefa do povo iraquiano. Somente a ele cabe decidir se quer, ou não, Saddam Hussein como seu dirigente.

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