O álibi terrorista e a nova onda da revolução mundial

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Os acontecimentos de 11 de setembro de 2001, nas cidades de Nova Iorque e Washington, marcaram uma viragem na história contemporânea. Nunca a atenção de todo o mundo esteve tão voltada para um único acontecimento como ocorreu quando dos ataques de 11 de setembro. Não houve entre os bilhões de oprimidos da Terra quem não tivesse se regozijado diante dos ataques desferidos contra os Estados Unidos. Certamente, a mais moderada exclamação, naqueles momentos, devolveu ao arsenal dos "bons conselhos" ministrados ao povo para pacificá-lo, como aquele que diz: "Quem semeia ventos colhe tempestades"...

Como sede do imperialismo mais feroz de todos os tempos, os Estados Unidos tornaram-se objeto de um ódio latente, por tanto tempo represado, na imensa maioria da população da Terra. Por toda a parte, há um sentimento espontâneo de indignação e ódio dos seres humanos que sofrem sob a tirania e a arrogância do império ianque, a maior força reacionária hegemônica surgida em toda a História.

Desde que os Estados Unidos passaram à condição de superpotência mundial, nunca ocorrera em suas cidadelas fato tão inusitado, assombroso e impactante. Após um ano destes episódios, fica evidente como eles estão relacionados com a crise geral do imperialismo, em particular a crise no coração do império. Para conjurar esta sua crise, os ianques precisam, como nunca, da guerra pois os mecanismos econômicos, comerciais se esgotaram. Para o imperialismo ianque tornou-se imprescindível a espoliação ainda maior dos povos e nações oprimidas, indispensável tomar colônias e semicolônias de outras potências imperialistas, necessário ocupar militarmente todas as regiões de riquezas estratégicas. E isto só se faz com guerras de rapina e, inevitavelmente, com o aumento da exploração e opressão do próprio povo norte-americano. Por isto o imperialismo ianque lança suas hordas assassinas sobre o Afeganistão, sustenta o terrorismo sionista contra o povo palestino e agora ultima ataques covardes sobre o Iraque. Espolia como nunca a América Latina, como mostra a crise que atinge mortalmente a Argentina. Agora, seus tentáculos belicistas movem-se rapidamente em direção ao Brasil e se estendem por todo continente. Ao mesmo tempo, submete o povo norte-americano a uma ditadura fascista, que viola todos seus direitos, persegue combatentes do povo, negros e imigrantes, e aumenta brutalmente a exploração sobre os trabalhadores.

A crise desborda. Uma nova e mais profunda partilha do mundo começou

Como um ogro imenso e feroz, o império solta urros de ódio diante do colapso que o ameaça. Não há campanha publicitária, já nenhuma trama arquitetada pelos arautos da "Nova Ordem" capaz de esconder esta verdade: o monstro cambaleia, crivado de pedradas e tiros, e arrasta com ele todas suas lamentações, impropérios e falácias de um mundo de paz para os obedientes e subjugados. Há muito, a vida comprovou a veracidade das palavras de Lênin: "O imperialismo é a luta encarniçada das grandes potências pela partilha e repartilha do mundo, por isso deve conduzir ao reforço da militarização em todos os países, mesmo nos neutros e nos pequenos".

Dados objetivos esclareciam, há três décadas, sobre a incapacidade dos países mais industrializados, ou seja; os imperialistas, de conduzir a economia mundial. A taxa média de crescimento do PIB dos cinco maiores países — EUA, Japão, Alemanha, França e Grã-Bretanha — no período de 1973 a 2000, foi de 2,5%, portanto, inferior à taxa média de 2,7% do conjunto dos países nos dois últimos séculos. Isto é demonstração cabal da curva decrescente que apontava para a estagnação e a bancarrota.

A base sobre a qual se desenvolve a gigantesca crise expressa-se na vertiginosa supremacia do capital especulativo, cujas transações diárias já atingiram a cifra de mais de 300 trilhões de dólares, equivalente a 50 vezes todo o comércio mundial; a concentração da riqueza em mãos de 750 monopólios, com centenas de milhões de desempregados e cerca de um bilhão de seres humanos condenados à morte pela fome no mundo. A crise de superprodução empurra inexoravelmente para o plano militar a disputa entre os monopólios e países imperialistas. O centro da crise mundial localiza-se exatamente no coração do império.

Os imperialistas, após imporem sobre o conjunto dos países oprimidos — através de suas instituições internacionais (FMI, BIRD, OMC, etc.) — e de forma sistemática, os mais implacáveis programas econômicos de "ajustes", promovendo uma brutalidade jamais vista na eliminação dos mínimos direitos dos trabalhadores, depararam-se, agora, com a necessidade crescente de aplicar sobre as relações de trabalho, em seus próprios países, políticas similares de desregulamentação e "flexibilização". O crescimento do desemprego é constante e sistemático, o corte dos programas sociais também concorre para o empobrecimento crescente de vastas camadas da população trabalhadora. Os Estados Unidos já acumulam mais de 60 milhões de pobres, enquanto que a União Européia atinge a cifra de 50 milhões.

No último período, a exploração do Terceiro Mundo atingiu um grau extremo. Basta ver o salto da dívida externa que dos anos 70, em torno de 60 bilhões de dólares, passou, na atualidade, para mais de 2 trilhões de dólares. A recessão continuada, a quebradeira generalizada, a desnacionalização completa de suas economias, desemprego massivo de dezenas de milhões, fome, miséria, doenças, delinqüência e guerras, são o resultado da ação imperialista na busca para se desvencilhar da crise geral do sistema, nada mais fez que aprofundar a espoliação e a opressão colonial entre os povos, assim como entre as nações exploradas do mundo.

Após as guerras do Golfo, Somália, Ruanda, as guerras de fim do reparte do Leste Europeu — Bósnia, Kosovo — contra a Iugoslávia, da Tchetchênia, as potências imperialistas não puderam acomodar seus interesses e, menos ainda, impedir que a crise colossal estalasse.

De março de 2000 até agosto deste ano,
7,7 trilhões de dólares foram para o ralo
no mercado de ações norte-americano,
levando no rastro as bolsas do mundo inteiro

De março de 2000 até agosto deste ano, 7,7 trilhões de dólares foram para o ralo no mercado de ações norte-americano, levando no rastro as bolsas do mundo inteiro. Temerosos com o destino de seus investimentos na especulação financeira, os banqueiros têm provocado uma fuga em massa de capitais dos países do Terceiro Mundo que, apesar de pagarem sempre as mais extorsivas taxas de juros, os potentados transferem justamente para esses países todas as responsabilidades pelas crises, acusando-os de manterem "economias de alto risco".

A onda de escândalos e falências de grandes monopólios ianques iniciada com a Enron, e seguida pela Worldcom,, AOL, Time-Warner, American Airlines, etc., só confirma a gravidade da crise. A fraude nos balanços das grandes corporações é também indicativo de qual era a base do crescimento da economia norte-americana na década de 90 enquanto o resto do mundo estagnava ou entrava em recessão.

Os ianques buscam se antecipar ao colapso

A iminência de um colapso geral da economia norte-americana movimentou os altos círculos do imperialismo ianque para que não se repetisse a surpresa do crash de 29. Violaram sem pejo as regras elementares da aritmética, assim como a propalada "democracia americana" para empossar na presidência o candidato menos votado, George W. Bush. Ligados aos complexos industriais militar e petrolífero, Bush filho e Dick Cheney foram escalados para comandar a defesa dos interesses dos monopólios ianques. Tropas de paz da ONU, acordos e fóruns multilaterais, tribunais internacionais, todos símbolos de um "mundo novo" construído no contexto da fantasiosa "vitória definitiva do capitalismo sobre o socialismo", são hoje um empecilho para a superpotência hegemônica. A soldadesca ianque, espalhada por bases em todo mundo, não pode mais ser instrumento de defesa dos interesses gerais do sistema imperialista, mas dos interesses particulares do imperialismo ianque.

Os acontecimentos do dia 11 de setembro podem ser entendidos apenas dentro deste contexto. Com eles, desencadeou-se uma luta prolongada, tal como os próprios imperialistas ianques têm prometido, porém, não pela "liberdade duradoura" ou "justiça infinita", mas uma luta prolongada, de vida e morte, para todo o sistema imperialista. Por isto mesmo eles são um fato político de viragem da história, pois preparam o terreno para a disputa entre as potências imperialistas num novo patamar, para a inevitável nova partilha do mundo.

Guerra imperialista para conjurar a crise imperialista

O 11 de setembro não passou de um engendro. Uma grande provocação maquinada a partir de dois objetivos: l) de passar a guerra por uma nova partilha do mundo ao primeiro plano da situação mundial; concretamente a guerra destinada à implantação de novas bases militares dos Estados Unidos para o controle de regiões ricas em petróleo em disputa com a Rússia e, 2) de encobrir as contradições (cada vez mais agravadas com a crise) entre o imperialismo ianque e as outras potências imperialistas, entre o imperialismo e o Terceiro Mundo e entre burguesia e proletariado.

A um determinado grau da crise geral do sistema imperialista, somente uma nova e colossal concentração e centralização de capital, uma nova e colossal destruição de forças produtivas e a expansão do domínio de uma ou mais potências através da eliminação entre si, pode "salvar" o sistema. Tal situação conduz a uma luta ainda mais feroz entre duas coligações de potências que se formam na fase anterior para decidir a favor de quem se dará uma nova partilha. Os imperialistas ianques já tinham compreendido que a situação interna da economia dos Estados Unidos ameaçava estalar e finalmente conduzir toda economia do mundo ao colapso geral. Ao fim e ao cabo, é a sua hegemonia mundial que se acha em cheque.

A guerra de rapina e a falácia da luta contra o terrorismo

Em maio desde ano, a imprensa ianque divulgou que George Bush sabia, com antecedência, dos ataques ao World Trade Center, em Nova Iorque, e que em 9 de setembro de 2001 já tinha pronto o plano de ataque militar ao Afeganistão. Consumado o engendro, tão característico do modus operandi da CIA, George Bush desencadeou o plano dos ianques e precisou a definição binária da Nova Ordem Imperialista: "Ou está com Estados Unidos ou está com o terrorismo". Em seguida despachou forças-tarefas, porta-aviões, caças, bombardeiros, tropas de milhares de soldados, contingentes de oficiais, marines e comandos de forças especiais para a região da Ásia Central, Oceano Índico e outras partes do mundo.

Com esse tom, os imperialistas ianques definiram o "terrorismo" como o grande inimigo da Humanidade, obrigaram os demais países imperialistas e governos lacaios de todo o mundo a marcharem com ele e declararam, contra o "terrorismo", uma guerra sem quartel, sem fronteiras e por tempo indeterminado.

No momento em que se agravam todas as contradições no mundo, resultado da crise geral do sistema capitalista monopolista mundial, a existência dos imperialistas ianques como força hegemônica é, portanto, a maior responsável pelo acirramento das contradições com o resto dos países do globo, a que mais arma maquinações e provocações. Desta vez concentram tudo contra o "terrorismo" para justificar suas agressões aos demais países e a estupenda contra-propaganda para encobrir o agravamento das suas contradições em cada país do planeta. Todos os meios de comunicação encontram-se fortemente concentrados em suas mãos, utilizados para justificar, de mil maneiras, que o "terrorismo" é o mal dos tempos, é o grande perigo que ronda a Humanidade, que assola a economia mundial, a liberdade e a democracia.

Assim, a grande peste não é a exploração e a opressão com que os imperialistas e os reacionários de cada país submetem a esmagadora maioria da população da Terra, as guerras de rapina movidas pelos imperialistas contra os países e povos oprimidos, as guerras de partilha do mundo, a imposição de um sistema anacrônico que degrada e esmaga milhões e milhões de seres humanos, mas o "terrorismo". Tudo isto é apresentado como pretexto para oprimir ainda mais o próprio povo norte-americano, aprofundando a fascistização do Estado, como nunca, e expandir seus domínios com o estabelecimento de novas bases militares nas regiões onde ainda não exerce total controle.

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A Região do Cáucaso e a América Latina, áreas mais importantes do botim

As regiões do Cáucaso e sua extensão até o Oriente Médio por um lado, e a América Latina por outro, constituem-se nas duas principais áreas do botim cobiçado pelas potências imperialistas. Os ianques já tomaram a iniciativa de amealhar o que não se acha sob seu domínio e aprofundar o controle do que, embora sob seu mando, ameace escapar-lhes das garras. Como o próprio Bush prometeu, a guerra contra o Afeganistão e o anunciado ataque ao Iraque são a parte inicial de um plano maior que tem o objetivo imediato de estabelecer bases militares na Ásia Central e expandir os domínios ianques, penetrando em áreas controladas até então pelo imperialismo russo. É parte do plano com o qual os Estados Unidos buscariam resolver dois problemas, um de "geoestratégia" global e outro de ampliar o controle sobre as fontes e rotas do petróleo, colocando em suas mãos, particularmente, o abastecimento da Europa. Isto agravará as contradições com os imperialismos europeu e russo e também, com a China.

As guerras contra o Afeganistão e o Iraque são guerras coloniais imperialistas, voltadas para uma nova partilha do mundo. São, ao mesmo tempo, parte dos preparativos para uma nova guerra mundial, na medida em que resultarão em modificações na atual divisão "geopolítica" das potências. A partir do momento em que Estados Unidos foram concretizando seus objetivos naquela região, as contradições com outros países imperialistas se tornaram ainda mais agudas. Provam as crescentes dificuldades que a diplomacia ianque tem revelado para conseguir, no ataque ao Iraque, o mesmo apoio que reuniu na ação contra o Afeganistão.

Os Estados Unidos, ao lograrem os objetivos que estão perseguindo, farão surgir uma nova e inaceitável situação para as potências da Europa e principalmente para a Rússia que terá suas esferas de influências reduzidas, perderá o monopólio do petróleo na região, arma poderosa frente aos seus vizinhos, e verá às suas portas bases militares ianques. Se configurada esta situação, então uma nova guerra mundial não será apenas um grande perigo, mas o mundo terá chegado ao seu momento confinante. Hoje, não só os Estados Unidos, mas todas as potências e demais países capitalistas, de forma aberta ou velada, estão em luta pela nova partilha. Pugnam entre si, mas conluiam-se no apoio à "guerra contra o terrorismo" donde procuram tirar o máximo de proveito da situação nas frentes interna e externa, para levar essa mesma pugna a novos patamares.

Quanto à disputa na América Latina, os Estados Unidos já definiram seus planos de intervenção e maior controle com a Área de Livre Comércio das Américas — Alca (questão comercial, industrial e tecnológica) e com planos de intervenção militar em todo o continente que é tratado pelos ianques como território deles.

América Latina: o elo mais débil da dominação imperialista

Hoje, na cadeia de dominação imperialista há vários elos débeis. Em cada momento, um será sempre mais débil que os demais. No conjunto de fatores em desenvolvimento, a América Latina torna-se o ponto que maior debilidade representa para todo sistema imperialista mundial, já que ela é a base vital de sustentação da principal e hegemônica força imperialista no mundo, os Estados Unidos. Isso condiciona a que a ofensiva de guerra imperialista ianque, em curso na América Latina, defina nos próximos anos, o aspecto principal no desenvolvimento da crise mundial: a revolução ou a guerra mundial. Das regiões de botim no mundo atual, a América Latina é objeto da maior cobiça e disputa pelas diferentes potências imperialistas, entre as quais muitas que sonham em desbaratar a supremacia ianque no continente. Da "guerra de baixa intensidade", em operação há tantos anos no continente, saltou-se já para a iminência da intervenção direta ianque, somente a espera de um engendro para justificá-la. É ostensiva a presença de agências imperialistas, a exemplo das ONGs, no território brasileiro, assim como as políticas de manejo e controle das populações amazônicas, as políticas de "exploração multilateral" da Amazônia, o combate à "migração ilegal", o controle do espaço aéreo através da Nasa e do sistema de vigilância da Amazônia (SIVAM), o controle da Base de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, o "zoneamento" de toda a Amazônia (no caso, da Amazônia sul-americana), o fingido "combate ao narcotráfico", a disseminação das bases militares por todo o continente: Manta — Equador, El Chapare — Bolívia, Terra do Fogo — Argentina.

As regiões do Cáucaso e sua extensão
até o Oriente Médio por um lado,
e a América Latina por outro,
constituem-se nas duas principais áreas
do botim cobiçado pelas potências imperialistas.

Sucedem-se investidas do tipo Plano Colômbia (caminho mais provável para intervenção de tropas ianques em conflito militar no continente), os acordos recentes da visita de Bush ao Peru, os problemas do controle militar do Canal do Panamá, do Cabo de Horno e da tríplice fronteira platina, a desestabilização do governo de Chaves na Venezuela, a estratégia de "guerras de fronteiras" em todo o chamado arco fronteiriço amazônico.

Crise do império arrasta a América Latina para o caos

A crise que arrasta os países e o povo latino-americano à miséria tem sua causa nos EUA, e os remédios receitados só agravarão os problemas.

A Argentina, com uma população de 35.219.000 (dados oficiais de 1996), tem hoje mais de 20 milhões de pobres. Esta massa de pobres está crescendo a um ritmo de 750 mil pobres por mês. O número de desempregados — total ou parcialmente — chega a 45% da população economicamente ativa. Apresentada como modelo pelos banqueiros internacionais, a Argentina teve cortados todos seus créditos internacionais e vive uma situação mais desfavorável que seus vizinhos, Uruguai e Brasil, porque foi a primeira a ser atingida pela crise.

O peso econômico do Brasil dá a medida do desastre que certamente está por vir. O "socorro" dado pelo FMI foi para salvar os bancos que investiram aqui seus capitais. O economista e ex-assessor econômico de Bush, Allan Meltzer, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, declarou que o pacote do FMI só foi liberado por pressão dos bancos ianques. "Com o pacote, o FMI está permitindo aos credores externos — principalmente os bancos — escaparem do risco e tirarem seu dinheiro do Brasil. Se eu fosse um investidor no Brasil e tivesse que tomar uma decisão agora diria: Oba, me deram a chance de tirar meu dinheiro em termos mais favoráveis", declarou.

Com exceção daqueles que, como lacaios, se beneficiam da submissão do país, todos são unânimes em declarar que o "acordo" com o Fundo só piorou a situação do Brasil. A instabilidade é maior e as perspectivas estão cada vez mais sombrias. Os bancos estão retirando seus capitais, o governo FHC terá um fôlego para terminar seu governo e o futuro presidente (qualquer que seja, tomará posse em 1o. de janeiro de 2003) já se comprometeu em cumprir integralmente os compromissos firmados. O superávit primário de 3,75% será monitorado trimestralmente e novas medidas de "ajuste" serão tomadas para garantir os interesses dos banqueiros e monopólios internacionais.

A proposta, repetida por todos os candidatos, de retomar o crescimento com vigoroso aumento das exportações é risível. Neste quadro mundial de superprodução, como se poderá esperar linhas de crédito internacionais para exportar produtos brasileiros?

Guerra contra o terrorismo ou guerra contra a revolução?

Ao contrário do que ocorre em outras regiões do mundo como por exemplo, a do conflito contra o Afeganistão (em que o imperialismo tem centrado suas intrigas no "fundamentalismo" islâmico para justificar sua política de agressão e genocídio, como pretexto da "guerra ao terrorismo"), na América Latina, há muito tempo, da mesma maneira o discurso da reação tem sido o do combate ao "terrorismo do Sendero Luminoso" e à "narcoguerrilha colombiana".

Inevitavelmente, o ataque dos imperialistas terá que se referir à luta revolucionária e de libertação, desmascarando cada vez mais sua consigna de "está com os EUA ou com o terrorismo", revelando a verdadeira contradição que busca encobrir, qual seja: estar com os imperialistas ianques ou com a revolução.

A América Latina caminha para uma crise sem precedentes que é parte da crise geral de todo o sistema imperialista. O centro desta crise são os próprios ianques, a resposta deles é a guerra de rapina, e a resposta dos povos será lutar pela destruição de todo o sistema imperialista.

No dia 27 de fevereiro de 1933, o Reischtag, edifício do parlamento alemão, foi incendiado. Em flagrante foi preso um homem de nome Vander Lubbe, supostamente filiado ao Partido Comunista da Holanda. Antes que as chamas devorassem a construção, Adolf Hitler, recém empossado como Chanceler, já proclamava ser um ato terrorista, uma conspiração comunista internacional. Declarou guerra ao comunismo. Nos dias seguintes dezenas de milhares de militantes do Partido Comunista da Alemanha passaram a ser perseguidos, presos, torturados, assassinados e lançados nos primeiros campos de concentração. Três dirigentes comunistas búlgaros foram formalmente acusados do crime junto com Vander Lubbe, que revelou tratar-se do um doente mental. Hitler proclamou que a Alemanha e o povo alemão corriam um grande perigo. A perseguição se desdobrou sobre os social-democratas e judeus. O resto da história todos conhecem.

Os dirigentes comunistas búlgaros acusados, desmascararam e provaram que o incêndio foi um ato da propaganda nazista para justificar o desencadeamento dos planos do imperialismo alemão para dominar o mundo. Embora tenham logrado isto, os juizes nazistas trataram de absolvê-los por falta de provas e de executar sumariamente Vander Lubbe antes que o débil mental pudesse dar com a língua nos dentes e revelar a maquinação nazista. Assim, embora seja bastante evidente ter-se tratado de um ato dos nazistas, oficialmente isto nunca foi reconhecido.

Um sábio descobriu que a história não se repete, a não ser como farsa. As massas populares exploradas e oprimidas, hoje, podem impedir uma nova guerra mundial. Mas isto só é possível derrocando do poder os senhores da guerra, os imperialistas e os seus lacaios em cada país.

Por tantos acontecimentos que sacodem o mundo, cada dia mais, não é difícil verificar que esta luta já começou. Com o 11 de setembro e a "guerra contra o terrorismo" declarada pelo império é seguro afirmar que teve início uma nova onda da revolução mundial.

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