Rap de corpo e alma

Sensível e crítico, o rapper carioca Leandro Angola consegue misturar o lirismo e a crítica social em suas músicas e passar o seu recado. Apaixonado por música e pessoas, Leandro procura se dedicar totalmente ao que faz, mesmo tendo que manter outras atividades para sobreviver na difícil vida de músico brasileiro.

Leandro Angola
Leandro Angola

— Meu nome no rap é Angola porque meu pai veio para o Brasil fugido da guerra entre Portugal e Angola com a roupa do corpo. Aqui ele ganhou o apelido de Angola pelos brasileiros e esse apelido hoje caiu para mim. Tenho 25 anos de idade e sou de Pilares [zona norte do Rio], nascido e criado. Passei um tempo em Campo Grande [zona oeste] e fui também lá pelo Largo do Machado [zona sul], mas acabei retornando para o meu lugar – conta com convicção.

— Conheci o rap muito cedo, através do Racionais MC’s, que falava de uma realidade muito parecida com a minha. Me chamou atenção a forma como eles protestavam, como se posicionavam. Eles eram pessoas que estavam dando caminhos de melhorias através da música, e estavam mostrando cultura – relata.

— Fiquei vidrado, parado, pensando que tenho que fazer isso, é disso que eu preciso. Por esse caminho comecei a seguir. Desde criança canto no banheiro. Como toda pessoa que gosta muito de música, o banheiro é o nosso primeiro estúdio, então cantei muito dentro do meu banheiro até poder mostrar, de coração, a primeira poesia para as pessoas, quebrar o medo, enfrentar a vergonha, e me transformar nesse artista que eu queria ser – diz.

Ele encontrou no rap o espaço ideal para falar o que pensa, dar o seu recado.

— Amo música, independente de gênero. Sou músico e assim gosto de trabalhar música de uma forma geral, ter o poder de mexer na mente de outras pessoas com música, e para mim o gênero se perde quando esse poder me é dado. Mas o que me encanta é a forma como consigo entregar o rap para a sociedade, e  isso me fez gostar muito mais do rap – explica Leandro.

— Não que dê para falar o que eu quiser, mas comparo o rap ao movimento tropicália. Lembro daqueles artistas que foram exilados por cantar, fazer rimas que incitavam os jovens para o momento político da época: o rap é a tropicália dos novos tempos. Estamos em um momento político muito crítico e o rap é o estilo de música mais escutado – afirma.

— Esse é o momento do rap com a política, os jovens estão dentro dele, participando. Então temos que usar isso como arma para ajudar a abrir os olhos de todos, e faço um convite para as pessoas escutarem meu disco, Angola de corpo e alma – diz.

  O disco está disponível no canal Ratatomic Record, no YouTube. Nele, Leandro fala de relações interpessoais, faz críticas e apresenta suas opiniões.

— Mas não é só crítica social que faço, falo também de amor nos meus raps, alerto sobre problemas de forma geral. Enfim, falo de tudo um pouco: a vida não é só crítica, a vida também é linda. Se nós só apontarmos defeitos, não dá. Eu falo de coisas bonitas também, porque gosto de dar uma perspectiva de vida para as pessoas através da música – explica.

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