Irã: Rebeliões contra governo terminam com 22 mortos

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Pobreza, opressão e disputas no seio do regime arrastam massas às ruas

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Antes da atual, rebelião de 2009 foi um marco na luta de massas (Getty Images)
Antes da atual, rebelião de 2009 foi um marco na luta de massas

Uma semana de violentos protestos sacudiu o velho Estado iraniano. Apesar de não divulgado o número médio de pessoas que foram às ruas, é sabido que mais de 3,7 mil manifestantes foram presos no transcorrer dos protestos, segundo relato de um parlamentar. Com feroz repressão, o velho Estado deixou pelo menos 22 mortos. Dois policiais também morreram.

Os protestos iniciaram-se em repúdio ao anúncio do governo de aumentar o preço dos combustíveis e revogar ajuda mensal às famílias na extrema pobreza. Logo, surgiram pautas contra o desemprego - que já alcança 29%, quase um terço da população apta a trabalhar - a concentração de riqueza e a alta nos preços, e rapidamente tomou proporções políticas, pedindo o fim da gerência burocrática de Hassan Rohani, atual presidente. Alguns setores exigiram o fim do regime teocrático.

Iniciados dia 28 de dezembro, na cidade de Meched, na província do Coração Razavi, os protestos ganharam proporções nacionais um dia depois. No ápice da revolta, os protestos atingiam já mais de 80 cidades, comunidades e vilarejos rurais. Os mais mobilizados foram jovens proletários.

Essas são as mais significativas revoltas desde as rebeliões que sacudiram o país em 2009, contra a suspeita de fraude eleitoral que elegeu Mahmoud Ahmadinejad.

Ao menos 22 pessoas morreram durante os protestos, incluindo dois agente da repressão. Além disso, mais de 3,7 mil manifestantes foram presos pelo velho Estado, segundo o parlamentar iraniano Mahmoud Sadegui.

Para deter os protestos, no dia 3 de janeiro a Guarda Revolucionária (denominação dada à unidade especial de repressão no Irã) enviou tropas às três províncias mais revoltosas. Ispaão, Lorestão e Hamadã receberam as tropas para “lidar com a nova revolta”, segundo o comandante major-general Mohammad Ali Jafari.

Pugnas impulsionam protestos

Além da clara motivação econômica dos protestos, contando com a movimentação espontânea de milhares de trabalhadores e jovens, as rebeliões ganharam um impulso a mais.

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Os protestos iniciaram-se pouco depois do velho Estado iraniano decidir transferir sua sede diplomática na Palestina para a cidade de Jerusalém, seguindo os passos da Turquia, em uma afronta e rechaço aos avanços sionistas na região. As “autoridades” iranianas acusam o Mossad (serviço de inteligência do Estado sionista) e a CIA de insuflar as mobilizações. O governo chamou parte das massas às ruas para jogá-las contra a população descontente com o governo.

Em razão disso, milhares de pessoas foram às ruas contra a intervenção estrangeira nos protestos, no dia 5 de janeiro. Sob o grito de “Morte aos Estados Unidos” e “Morte a Israel”, as massas, mobilizadas por um sincero e justo sentimento anti-imperialista, porém iludidas com o governo, acusaram os manifestantes revoltosos de “mercenários” e defenderam o regime burocrático.

Além disso, há brigas significativas no interior do regime.

Recentemente, foi noticiado a prisão domiciliar (não confirmada) do ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, acusado de incitar e apoiar as rebeliões atuais.

Ahmadinejad, que governou o Irã de 2005 a 2013 e contra quem se direcionaram as rebeliões de 2009, caracterizou o atual governo de “má administração”.

Enquanto visitava a província de Bushehr, no dia 28 de dezembro, Ahmadinejad afirmou que “alguns dos atuais líderes iranianos vivem separados dos problemas e preocupações do povo e não sabem nada sobre a realidade da sociedade”. “O que o Irã sofre hoje é de má gestão e falta de recursos econômicos”.

“O povo está bravo com este governo devido ao seu monopólio sobre a riqueza pública”, disparou o ex-governante.

Seu apoio e envolvimento com as rebeliões foram citados por Ali Khamenei, “líder supremo” do velho Estado teocrático, durante a jornada de protestos. Afirmou que aqueles que tiveram papel na política iraniana “não têm o direito de desempenhar o papel de oposição e de falar contra o país. Ao invés disso, eles devem ser sensíveis no atual momento”.

A motivação da pugna está em que o ex-presidente tentou concorrer às eleições no ano passado, anunciando sua candidatura em abril de 2017. No entanto, o Conselho de Guardiões - que deve aprovar todos os candidatos e é controlado pelo “líder supremo” - o proibiu de participar. Rouhani, atual presidente, venceu facilmente seus concorrentes.

As justas rebeliões de massas contra a carestia, desemprego e os sintomas de um capitalismo burocrático em decomposição, por não contar com uma direção proletária em sua cabeça, estão sendo insufladas e cavalgadas pelas diferentes facções no seio do regime teocrático, além dos indícios de incitação por parte de Israel e USA em favor de seus sujos interesses no Irã.

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