Teatro pensante no interior do Brasil

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Formada por artistas das artes cênicas, visuais, música, teatro de mamulengos e outras, a Trapiá Cia. Teatral faz teatro em Caicó, região do Seridó, no Rio Grande do Norte. Com o objetivo de encenar peças que ainda não tenham uma dramaturgia pronta, o coletivo procura por meio delas levar uma discussão para a sociedade de algumas questões polêmicas para a maioria das pessoas, além de outros projetos ligados à arte.

Apresentação da peça P's, inspirada no caso de homem que no séc. XIX assassinou membros da família
Apresentação da peça P's, inspirada no caso de homem que no séc. XIX assassinou membros da família

— A Trapiá foi fundada em 2014, e esse nome foi uma escolha a partir de uma árvore que tem aqui no sertão, na caatinga, que é muito resistente. Mesmo com uma terrível e enorme seca, a árvore trapiá se mantém muito viva e por isso é bastante utilizada para reflorestar áreas já degradadas - conta Lourival Andrade, diretor do coletivo.

— Vimos na trapiá a sua resistência, tem a ver com o que pensamos sobre o teatro e a cultura. Não é fácil fazer teatro em qualquer lugar deste país, até mesmo nos grandes centros, é muito difícil competir com outras áreas da arte e outras mídias, por isso que o teatro na sua essência é resistente, independente da linguagem que ele utilize - diz.

— E não só fazer teatro é resistência como estar assistindo um espetáculo teatral hoje também é um sinal de resistência da plateia. No sertão existe uma cultura muito viva, mas por outro lado as políticas públicas de cultura são muito escassas, então as pessoas têm uma necessidade de assistir coisas, de interagir com linguagens artísticas, há uma presença muito forte do público nas peças - continua.

Lourival percebe que é possível fazer teatro e viver de arte no interior do Brasil.

— Temos discutido com outros grupos daqui e feito um trabalho de conscientização no sentido de que se formos organizados, se formos um coletivo orgânico, um grupo que pense, que discute, que tome decisões ousadas e criativas, é possível viver de arte no sertão do Brasil. Mesmo com todas as dificuldades, temos grupos muito resistentes no interior desse país - afirma.

— E parafraseando o Euclides da Cunha, no Os sertões, ele dizia que o sertanejo era um forte, eu começo a pensar que é um pouco diferente essa frase: ‘viver no sertão é para fortes’. Então o teatro tem muito a contribuir com essa discussão, inclusive do que se vive hoje no sertão brasileiro - diz.

A Trapiá só trabalha com montagens inéditas, nada que já tenha uma dramaturgia pronta.

— Buscamos livros, tanto científicos quanto de ficção, convidamos um dramaturgo para fazer adaptação dessa obra para o teatro, e vamos construindo o espetáculo a partir dessa discussão entre a Trapiá e o dramaturgo. É o que chamamos de trabalho colaborativo - explica.

— E nos propomos a montar espetáculos que não sejam muito palatáveis a muitas pessoas, que façam uma discussão profunda de algumas questões sociais, ainda mais hoje nesses dias que vivemos de um crescente fascismo e de intolerância, queremos justamente tocar o dedo em algumas feridas - continua.

Teatro: lente de aumento

— O teatro é importante, assim como a arte de forma geral, porque como dizia Maiakovski [importante poeta, dramaturgo e teórico russo contemporâneo à Revolução Bolchevique] ‘arte é uma lente de aumento’, e eu digo que arte, o teatro mais especificamente, não é um reflexo da realidade, ele é uma lente de aumento da realidade. Então tem a contribuir nesse pressuposto de levantar algumas questões, colocar em xeque algumas verdades - fala Lourival.

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