Mão decepada: Selvageria é derrotada por guaranis de Santa Catarina

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Desesperadas por não conseguirem apossar-se das terras da aldeia Morro dos Cavalos, uma área de solo pobre, porém com linda paisagem situada perto do mar, no município de Palhoça, quase ao lado de Florianópolis, as classes dominantes de Santa Catarina estão agora apelando para a selvageria.

Roselane Talayer Lima
Indígenas mantêm resistência na TI Morro dos Cavalos (Foto: Roselane Talayer Lima)
Indígenas mantêm resistência na TI Morro dos Cavalos

Em mais uma onda de ataques contra os guaranis daquela localidade, chegaram ao ponto de mandar mutilar uma senhora índia, D. Ivete de Souza, que teve sua mão esquerda decepada no feriado de 2 de novembro, de madrugada. Decepamento de membros parece “estar na moda” entre os carrascos dos povos nativos dentro do Brasil, pois alguns meses atrás fazendeiros ordenaram o corte de mãos de índios gamelas no Maranhão.     

A agressão em Santa Catarina, aconteceu no Centro de Formação Tataendy Rupá, uma espécie de casa cultural tribal de onde D. Ivete é guardiã. Os executores foram dois adolescentes indígenas chantageados, ameaçados e subornados por pessoas juruás (brancas).

A investigação sobre esses mandantes está sendo assumida pelos próprios guaranis e um grupo de entidades amigas, já que a Polícia Federal não se interessou pelo caso (decerto estava ocupada demais em inventar nomes “criativos” para suas operações espetaculosas, bombásticas que raramente beneficiam o povo brasileiro, embora a mídia dos burgueses diga que sim). A PF se fez de surda-cega-muda apesar de a Constituição determinar que esse departamento tem o dever de prevenir e reprimir crimes praticados contra os povos indígenas.

A instrumentalização dos dois jovens executores índios, fragilizados pela pouca idade e pela inexperiência frente à sedução e truques da sociedade capitalista branca, totalmente diversa da sua, é similar ao incitamento covarde contra os guaranis, que é realizado intensamente em Palhoça e região, junto às camadas médias e ao povo mais pobre/trabalhador. Essa campanha de ódio é efetuada por empresários, políticos (como o vereador Nirdo Artur da Luz do DEM, o “Pitanta”, acusado em 2016 de pertencer a uma quadrilha-do-colarinho-branco que, acreditem caros leitores, desviava dinheiro das crianças excepcionais da Apae; portanto um show de ser humano esse nobre edil... ) e pelo monopólio da imprensa (notadamente a RBS, hoje NSC, conglomerado de TVs-rádios-jornais ligado à Rede Globo).

Existe também um Movimento Contra a Demarcação da Terra Indígena (TI) Morro dos Cavalos, que espalha mentiras sobre os guaranis aos quatro ventos, inclusive distorcendo a história do Brasil e da América do Sul.

Esse movimento foi criado com o incentivo de empresários poderosos do setor de condomínios de luxo, hotelaria e água mineral com o objetivo de tirar os índios daquela área, que a partir disso poderia ser tomada pelos lucrativos negócios comerciais ou industriais, com o apoio de uma “opinião pública” incitada contra os guaranis.

O gerente/governador do estado, Raimundo Colombo (que era do DEM e agora é do PSD), aderiu de forma indireta a tal movimento, pois solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o cancelamento da Portaria Declaratória (da demarcação de Morro dos Cavalos), assinada em 2008, legalizando 1.988 hectares para os indígenas, os donos originais de toda aquela região.            

As ofensivas contra a aldeia Morro dos Cavalos são constantes e o AND já denunciou várias delas, como a de junho de 2015, edição nº 152: SC: Cacique guarani ameaçada de morte. Não faltaram até atos terroristas, como cortes na tubulação de água por cerca de 10 vezes, rondas de motocicletas à noite em torno das casas dos líderes tribais, sem falar dos incontáveis telefonemas com xingamentos e ameaças.  

Em 2017 os inimigos dos índios estiveram muito ativos. Além da bárbara tortura ordenada contra D. Ivete, houve duas tentativas de queimar a aldeia de Morro dos Cavalos e sua vizinha aldeia de Maciambu. E também ataques a tiros.

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