RS: Mbya resistindo e produzindo

Quase um ano após retomarem as suas terras tradicionais, 27 famílias guarani mbya têm os primeiros produtos no início deste ano de sua brava resistência: a colheita de milho. Os indígenas ocupam desde 27 de janeiro do ano passado uma fazenda experimental da extinta Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), com 367 hectares, em Maquiné, município localizado no litoral norte do Rio Grande do Sul.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

A comunidade já conta com um conjunto de casas tradicionais, ainda que diversas delas cobertas com lonas de plástico, com uma casa de reza e plantações de milho. A condição de vida dos guarani mbya desta comunidade contrasta com a vida de seus parentes que vivem em acampamentos precários situados nas margens de rodovias estaduais e federais no Rio Grande do Sul e em outros estados. A produção de alimentos na própria comunidade, segundo os mbya, permite a melhora no quadro alimentar-nutricional dos indígenas, especialmente das crianças, historicamente caracterizado pela desnutrição e fome.

A retomada ocorreu semanas depois do anúncio da extinção da Fepagro pelo gerenciamento estadual de José Sartori/PMDB, em 21 de dezembro de 2016, integrando o chamado “Pacote de Maldades”, que diz respeito a um conjunto de medidas antipovo aprovadas naquele mês sobre intensa resistência popular. O pacotaço cortou principalmente direitos de funcionários públicos com o objetivo de “reduzir os gastos públicos” do estado.

O cacique André Benites, de 36 anos, em entrevista à Rede Brasil Atual, falou sobre a importância da retomada para a comunidade e de como o modo de vida dos guarani mbya depende deles estarem ocupando efetivamente os seus territórios tradicionais, muitos deles hoje invadidos pelos latifundiários. “Queremos viver a nossa cultura com dignidade. Meu povo estava cansado de viver de favor, na terra dos outros. Queríamos estar na terra que é nossa, para criar os nossos filhos conforme queremos. Não podíamos mais ficar vivendo assim, nem ficar mais esperando que a Funai [Fundação Nacional do Índio] ou o governo olhassem para nós e resolvessem fazer o que é justo”, frisou a liderança guarani mbya.

 

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

LEIA TAMBÉM

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda (licenciado)
Victor Costa Bellizia (provisório)

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
Henrique Júdice
Matheus Magioli Cossa
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação
Ana Lúcia Nunes
João Alves
Paula Montenegro
Taís Souza
Rodrigo Duarte Baptista
Victor Benjamin

Ilustração
Paula Montenegro