Chile: Papa é recepcionado com fúria

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O papa Francisco visitou o Chile entre os dias 15 e 22 de janeiro e foi recebido por protestos populares por todo o país. O próprio pontífice, de origem latino-americana e que gosta de ser celebrado como o “papa dos pobres”, foi figura de indignação.

Eitan Abramovich/ AFP
Gastos exorbitantes com visita de Papa resulta em revolta (Foto: Eitan Abramovich/ AFP)
Gastos exorbitantes com visita de Papa resulta em revolta

O alto custo da visita do papa com segurança e aparato de repressão custeado pelo velho Estado chileno revoltou as massas populares, que sofrem com a falta e sucateamento dos serviços básicos. Alimentados pelos escândalos que incluem corrupção e abuso sexual por sacerdotes católicos, milhares se rebelam durante a visita do “sumo pontífice”.

Somente na capital, Santiago, pelo menos 89 manifestantes foram presos pelas forças de repressão do velho Estado, gerenciado pela reacionária Michelle Bachelet.

Segundo apurou o jornal democrático-revolucionário chileno El Pueblo, a visita de Jorge Mario Bergoglio - o papa Francisco - ao Chile teve um custo de 4 bilhões de pesos por três dias. “Sem dúvida, é um valor excessivo e insultante, especialmente em um país onde o salário mínimo aumentou 31 pesos por dia e onde grande parte da população vive dívidas asfixiadoras”, registra.

No dia 15 de janeiro, quando chegou ao país, o papa foi recepcionado por protestos contra os gastos públicos para garantir sua visita, em Santiago. Um dia depois, mais de 79 foram detidos em Santiago e Osorno. Segundo a repressão, jovens teriam ocupado um edifício de propriedade do Arcebispado.

Colaboração com o regime militar

Segundo pontuou o jornal El Pueblo, a indignação contra o papa também se justifica pelo seu passado. “Jorge Bergoglio, sendo cardeal da Igreja Católica na Argentina, foi acusado pelos fiéis de colaborar com a Junta Militar fascista e até foi convocado para testemunhar no julgamento sobre tortura e desaparecimentos da Escola Mecânica da Marinha (Esma). As acusações de cumplicidade apontam especificamente para a recusa de Bergoglio em proteger os sacerdotes jesuítas que foram presos e desaparecidos pelo governo militar”, revela.

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